Sofazão | Especial Alien!

  Pedro Luiz   |    sexta-feira, 15 de junho de 2012

Em tributo a volta de Ridley Scott ao universo de Alien, a coluna Sofazão trouxe um pouco do que os 4 filmes da franquia representam!

Lá em 1979, quando as naves espaciais e a temática alienígena já haviam sido abordadas de uma forma brilhante por George Lucas e Steven Spielberg, surgiu uma franquia que ultrapassava a barreira da ficção científica, adicionando suspense, terror e grandes personagens. Aquele ser extraterrestre asqueroso que tem ácido no lugar do sangue, e que nasce através de um embrião depositado no corpo de um humano, recebeu o nome de Alien, e 15 anos depois de seu último filme, a franquia volta para as telonas com Prometheus, de Ridley Scott. Se você ainda não sabe do que se trata, leia a crítica e decida seu futuro.

Dissertar sobre extra-terrestres é complexo pois lidamos com inúmeras visões a respeito do universo e das criaturas. Ninguém realmente viu um ET, ou quem afirmou que viu não pode dar uma explicação crível o bastante para criarmos um conceito. Assim funciona com a franquia Alien, que tem em cada um de seus 4 filmes ( Alien, Aliens, Alien 3, Alien: Resurrection) uma ‘’cara’’, uma ‘’roupagem’’, ou uma visão diferente da anterior. Pra isso, é só olhar a lista de diretores que passaram pelo ninho da mãe Alien: Ridley Scott, James Cameron, David Fincher e Jean Pierre Jeunet.

Vamos por partes:

Alien, 1979

O ano era 1979 e o diretor Ridley Scott estava vindo de sua estreia em Os Duelistas. Seu segundo filme e também um dos mais aclamados de sua filmografia, Alien – O Oitavo Passageiro, não é uma obra de ficção científica, e sim um thriller de suspense de altíssima qualidade. No primeiro filme da franquia somos apresentados ao universo do monstro Alien, que aparece pela primeira vez saindo de dentro do peito de um tripulante da nave Nostromo. Lá também conhecemos Ripley, personagem de Sigourney Weaver, que acompanha a franquia até o quarto filme.

O interessante é o pequeno spoiler que o título brasileiro possui: ‘’O oitavo passageiro’’. Isso já é suficiente para entender que são 7 tripulantes a bordo da Nostromo, mais a presença ameaçadora do Alien recém nascido.

Ridley Scott dá uma aula no quesito “apresentação de personagem” em apenas poucos segundos de cena. A criatura que dá nome ao filme surge de um peito ensanguentado em um longo plano sequência que deixa qualquer fã de filme trash de queixo caído. Sem muitos floreios e alegorias, Scott dá uma cara terrível ao filme usando apenas silêncio, fotografia escura e ‘’insinuação’’. Reparem que o Alien é visto realmente quando o filme está perto do fim, e durante todo o desenvolvimento da narrativa, o mesmo é escondido, dando lugar a tensão do não conhecimento de seu paradeiro dentro da nave. Alien – O Oitavo Passageiro é o único filme de suspense envolvendo temática alienígena.  Uma apresentação de gala para esse que é considerado por muitos o melhor filme da franquia. [Thriller de suspense]

Assista o trailer:

Aliens, 1986

Vindo de O Exterminador do Futuro, o diretor James Cameron trouxe a massa para o universo de extra-terrestre. Aliens – O Resgate é facilmente caracterizado como o filme blockbuster da franquia, e ninguém melhor que James Cameron para carregar essa característica, já que anos depois emplacaria Titanic, Avatar e etc. E quem acha que isso diminuiu a qualidade do filme, se engana. Um blockbuster bem feito rende uma ótima pedida para o final de semana. Steven Spielberg que o diga (Em um dos diálogos do filme, um fuzileiro se arma dizendo estar preparado para um ‘’contato imediato’’. Alusão clara ao filme de mesma temática de Spielberg: Contatos Imediatos do Terceiro Grau)

O tal posto de filme de massa se deve ao fato de que o roteiro se apega a coisas recorrentes desse segmento, como por exemplo, o uso das forças armadas americanas, explosões grandiosas, crianças fofinhas etc. Aqui, Ripley (Sigourney Weaver) acorda de seu longo sono e descobre que sua filha está morta. Para piorar, uma das bases americanas foi invadida por aliens, e Ripley é recrutada para ser uma consultora da expedição, já que ela conhece a criatura como poucos. Na tal base, encontram a pequena Newt, uma pequena sobrevivente que Ripley toma para si, aflorando seus instintos maternos. Filme família, não?

O maior dos quatro filmes (Pouco mais de duas horas), Aliens – O Resgate se mostrou um pipocão de bom gosto, conduzido por Cameron e pela aparição da Mãe Alien, aqui mostrada colocando seus ovinhos. Típico filme para ver com a galera e não se arrepender. [Blockbuster]

Assista o trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=brEzYdLrPws

Alien 3, 1992

A terceira visão encontrada, não por acaso, é a que mais me agrada. O diretor que comandou Alien 3 foi David Fincher, especialista em causar impacto através da profundidade dramática de seus personagens e da crueza das ações, sejam elas gore ou não. O que veríamos mais para frente em Seven pôde ser visto no terceiro filme da franquia alien.

Em Alien 3 (Dessa vez sem subtítulo), Ripley (Weaver) está viajando com o que restou da tripulação do segundo filme, quando um problema acontece e sua nave mãe é obrigada a desacoplar a parte em que repousavam. Isso faz com que a pequena parte da nave caia em um planeta que abriga uma prisão de segurança máxima, e é lá que o Alien se estabelecerá mais uma vez.

O interessante é que durante os créditos iniciais já temos a oportunidade de ver o pequeno alienzinho recém nascido depositando o embrião em Ripley, algo que a própria Ripley só descobriria 40 e tantos minutos de filme depois. Essa abordagem diferente de dar expectativa ao espectador, atrelada a fotografia mórbida (cores mortas) e a profundidade dramática dos personagens, caracteriza um filme de David Fincher. É considerado o filme mais adulto da franquia (O único filme que pegou censura 16 anos), pois a tal profundidade dramática dos personagens rende pequenos debates religiosos (Os presos tem uma espécie de religião) e vemos o primeiro envolvimento amoroso consumado (If you know what i mean) de Ripley.

Poucos segundos de tela são destinados ao Alien, e o foco fica mesmo na relação entre os personagens e suas particularidades. Quando acionada, a criatura rende os momentos sangrentos que tanto gostamos (Um cara é engolido por uma hélice de 3 metros. Sinistro. Curiosamente, essa cena tem fotografia diferenciada, assim como em todas as aparições do Alien).

Sigourney Weaver tem seu melhor desempenho atuando, e algumas cenas ainda entraram para o hall das mais famosas, como aquela em que o Alien encara Ripley, mas não a ataca.

É o filme que mais me agrada na franquia. [Profundidade dramática]

Assista o trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=9vnjQPcrcZI

Alien – Resurrection, 1997

Diferente. É por essa razão que o quarto filme da franquia Alien foi tão bombardeado após suas estreia. A começar pela escolha do cineasta francês Jean-Pierre Jeunet para a cadeira de diretor. Vindo do cinema europeu, Jeunet colocou em Alien – A Ressurreição todos as particularidades que caracterizam o jeito europeu de filmar. Temos por exemplo, os enquadramentos mais fechados no rosto dos personagens, incontáveis e longos planos sequência (O filme já abre com um dos bons!), transições com uma pegada diferenciada etc.

A história do filme também não agradou os fãs da franquia: Após os acontecimentos do terceiro filme, o corpo de Ripley é levado para um laboratório, onde seu DNA é combinado com o do Alien que estava em sua barriga, dando origem a um ser com características humanas e extra-terrestres.

Uma Sigourney Weaver já marcada pelas rugas, porém jovial e poderosa com uma arma na mão. Se no terceiro filme sua atuação é profunda no quesito dramaticidade, no quarto a complexidade de seu personagem rende, para mim, a melhor Ripley da franquia. Ainda é a tenente Ripley, mas seu sangue é ácido!

Uma curiosidade envolvendo Alien 4 é a presença de Joss Whedon (Sim, o dos Vingadores!) como roteirista. E é esse um dos problemas do filme. O roteiro não explora os pontos que consagraram a série, como por exemplo, a escuridão e a insinuação. Em todos os outros filmes, o Alien é caracterizado como uma criatura adepta da escuridão; suas aparições acontecem de forma rápida e eficiente, e logo após o ataque, o Alien se camufla de novo. O diretor deixa absolutamente tudo explícito para o espectador, e com a vantagem dos efeitos especiais mais avançados, foca na cara do monstro em diversas vezes.

Sem o famoso tom macabro,  e com as características que o cinema europeu apresenta, Alien – A Ressurreição é o filme mais odiado da franquia. Inovar uma franquia já consolidada dá nisso. E este redator que vos escreve, gosta muito mais do quarto filme, do que do segundo dirigido por James Cameron, por exemplo. Muito mais ousado e com uma roupagem diferente, algo que toda franquia deve ter ao chegar num certo ponto onde as histórias não tem mais ‘’liga’’. Reinventar a série Alien: Essa foi a tentativa de Jean Pierre Jeunet. [Visão européia da coisa]

Assista o trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=S1myB44Tjiw

Se você pretende ir ao cinema nessa sexta para assistir Prometheus, lembre-se que esses quatros filmes citados fazem parte de um repertório obrigatório para todos os fãs de filmes sci-fi, ou até mesmo quem curte um filme de suspense bem feito.

O balanço de toda a franquia é mais que positivo. Todos os filmes tem qualidades, e eu recomendo fortemente o terceiro e o primeiro.

A franquia Alien é uma das maiores de todos os tempos! Vale 5 estrelas!


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