Sofazão | Cabo do Medo – Crítica

  Pedro Luiz   |    quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um dos remakes que recheiam a conta de Martin Scorsese é Cabo do Medo (Cape Fear, 1991), que divide opiniões entre o público cinéfilo. E o Pedrão trás a sua visão sobre mais uma controversa obra da carreira desse grande diretor.

Faltando pouco para que o próximo filme de Martin Scorsese (Hugo) seja lançado  nos cinemas brasileiros, o Pedrão foi conferir uma das obras mais cultuadas do diretor e trouxe sua análise.

Max Cady no cinema, literalmente.

O público cinéfilo está cada vez mais exigente quando o assunto ‘’direção’’ é colocado diante das mesas de debate. Mas, mesmo com essa exigência, temos algumas unanimidades, como é o caso de grandes diretores (Chaplin, Hitchcock…). Muitas vezes reconhecemos esses grandes nomes por sua importância em apresentar ao público algum estilo, e se parássemos para analisar alguns filmes, veríamos que não se trata de filmes perfeitos, mas sim, de ideias inovadoras que revolucionaram a história do cinema.

Assim funciona com o GRANDE Martin Scorsese, que desde os anos 70 trás filmes de encher os olhos. Dentre sua vasta filmografia, temos o exemplar de hoje da coluna Sofazão, que  está aqui por suas opiniões um tanto divididas: Cabo do Medo (Cape Fear, 1991)

O motivo pelo qual o cinema se mostra algo tão maravilhoso é a discordância de seus fiéis acompanhantes. Com o filme Cabo do Medo, a história se repete, e a metade dos espectadores que reverencia o filme como um dos melhores da carreira de Scorsese se opõe a outra metade que prefere o original de 1962, dirigido por Jack Lee Thompson. A verdade é que não assisti ao original, e talvez por isso tenha gostado tanto do exemplar de Scorsese.

O roteiro escrito a duas mãos, John MacDonald e James Webb, narra a história de Max Cady (De Niro), um psicopata que ficou 14 anos preso por conta de um estupro. Ao sair da prisão, Cady vai atrás de seu advogado de defesa, Sam Bowden (Nick Nolte), que omitiu do júri a informação de que a vítima era promíscua, o que poderia ter sensibilizado a corte, e com isso, ter sua pena reduzida.

As  estranhas aparições de Max na casa de Sam, e os constantes encontros nos quais predominavam  citações do velho testamento, levavam todos a acreditar que Cady estava arquitetando uma vingança contra Sam e sua família. A ideologia do ‘’olho por olho, dente por dente’’ era o que impulsionava nosso psicopata, que em seus 14 anos de prisão aprendeu direito, filosofia, o velho testamento da bíblia e outras coisas.

Max Cady e Sam Bowden

O filme, a princípio, parece ser filmado por um diretor normal, sem brilho, ou sem identidade própria.  É simplista demais. As cenas de violência, que tanto são elogiadas no original de 62, são sem intensidade, jogadas na tela de forma fria. Mas estamos falando de um filme de Scorsese, e isso fica explícito a qualquer um quando Robert De Niro, no auge de sua carreira e forma física, precisa demonstrar frieza e crueldade. Só um diretor como Scorsese consegue extrair o que de melhor De Niro tem a oferecer. Alguém aí já viu Taxi Driver?

A atmosfera de suspense que o filme carrega durante todos os seus longos 128 minutos precisava  de uma trilha sonora a altura, e foi isso que Elmer Berstein fez. Pegou a trilha original composta por Bernard Herrman e a adaptou com maestria, criando (alguns defendem a idéia do plágio) uma das melhores trilhas de suspense que já ouvi.

É  bem verdade que  Cabo do Medo não é um dos melhores filmes de Scorsese, nem está entre os 5 melhores, mas ver Robert De Niro em ação, no auge de sua carreira, ainda faz desse um exemplar que precisa ser assistido. Se você é um advogado, você deve assistir a esse filme… com urgência. Ou Max Cady irá atrás de você, um pouco velho, mas irá.

E fica aqui também o meu compromisso, de trazer o texto do original ‘’Círculo do Medo’’ de 1962.  Até a próxima!

 


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