Sofazão| A Origem

Matheus Pessôa

  quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sofazão| A Origem

Todas as indicações (e premiações) ao filme foram merecidas. E olha, foram MUITAS indicações...

No mundo dos sonhos tudo pode acontecer. No mundo real também, diga-se de passagem. E foi nele (no mundo real) que Christopher Nolan conseguiu criar um dos melhores filmes de 2011, que concorreu a vários prêmios importantíssimos (como o Oscar e o Globo de Ouro, por exemplo). E um filme exatamente sobre os sonhos, onde tudo pode tornar-se realidade.

 O parágrafo acima pode ter sido um pouco contraditório, mas essa era a intenção. A Origem (2011) é mais um daqueles filmes que foi erroneamente traduzido para o português. Não erroneamente, mas com o título original Inception, tudo faz mais sentido. Se fosse traduzido para Insersão também seria ótimo, mas não foi o caso.

OK, não há como mudar o título do longa-metragem, mas prossigamos. O filme relata a história de Cobb, o melhor extrator de informações do mundo. O detalhe aí é que ele extrai essas informações através dos sonhos. Sim, dos sonhos! Utilizando um tipo de máquina que o ‘conecta’ ao sonho de outras pessoas, ele consegue penetrar na mente dos adormecidos e se infiltrar em seus pensamentos mais secretos e obscuros durante o sono.

Ele, então, é recrutado para um trabalho que lhe dará uma grande bagatela em dinheiro. Seu empregador, Saito, promete que lhe dará o suficiente para o resto da vida, além de ter sua ficha apagada, para que ele possa finalmente ter uma vida tranqüilo, sem preocupações, e junto com seus dois filhos. Ver seus filhos se torna uma obsessão para ele, e a todo o momento isso lhe vem à cabeça, junto com a memória que tem de sua ex-esposa, Mal (sim, ela é má). O ‘elemento Mal’ é outro que o atormenta constantemente durante todo o desenvolvimento da história, levando-o, muitas vezes, a tomar decisões precipitadas e errôneas, devido à situação em que se encontra. Voltemos à história.

A missão que ele e seu grupo de auxiliares recebem é quase impossível. Trata-se de ‘instalar’ um pensamento dentro da cabeça de outra pessoa. No caso, o futuro herdeiro de uma das maiores empresas no mundo, a pedido de Saito. A partir daí, ele elabora táticas e mais táticas, e busca uma nova equipe para ajudá-lo (a que trabalhava com ele vacilou e então ele busca ‘novos talentos’ para as várias funções que existem no ramo da criação, da extração e da inserção de sonhos. Não vamos entrar em detalhes porque é importante que você aprenda vendo o filme.

Aliás, esse é um dos ótimos aspectos de A Origem; o caráter didático nesses primeiros minutos de exibição, explicando um pouco sobre essa profissão que envolve invadir o sonho dos outros é bem interessante. Pode ser um pouco confuso, mas é bem interessante.

Outra coisa a se destacar é a tentativa de fazer um filme mais cabeça, para aqueles que querem realmente pensar durante ele; E nisso, Christopher Nolan se tornou um grande mestre. Na verdade, é um filme bem complexo, que exige atenção em todos os instantes. Uma paquerada na menina ao lado do cinema põe uma interrogação na sua cabeça na hora. Tanto é que Leonardo DiCaprio disse que não entendia uma coisa sequer da trama quando recebeu o roteiro de Nolan.

Todas as cenas de ação são retratadas com o que há de melhor na fotografia e com os acordes pontuais de Hans Zimmer na direção da trilha sonora, muito bem feita. Os personagens também foram muito bem caracterizados quanto às vestimentas, o que também ajudou no processo de aprimoramento dos efeitos visuais, também excelentes no filme. Ou seja, todas as indicações (e premiações) foram merecidas. E olha, foram MUITAS indicações…

Enfim, gostei muito das cenas de ação, que são bem interessantes, porque também compartilham da ‘filosofia inteligente’ do resto do filme, com vários pontos bem estratégicos que foram explorados; a cena do hotel é uma das melhores de todas, tenha isso em mente. Recomendação grandiosa. Não tem como NÃO dar 5 estrelas a este.


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