Sofazão | A Bruxa de Blair – Crítica

  Pedro Luiz   |    segunda-feira, 16 de abril de 2012

Pioneira no gênero ''handycam'', a obra dirigida por Daniel Myrick e Eduardo Sánchez é uma excelente pedida para os dias sombrios de tédio em casa.

De tempos em tempos, o cinema se reinventa. Na pior das hipóteses, cria novos gêneros, e com isso, aumenta a sua capacidade de exploração de ideias e histórias. Se a vida imita a arte, nada mais justo que transformar vídeo bruto em realismo. E em 1999, os cineastas sem grana Daniel Myrick e Eduardo Sánchez decidiram trazer algo totalmente novo ao cinema; com realismo e cara-de-pau.

Os diretores citados, com um investimento de 35 mil dólares, faturaram quase 250 milhões dos então valorizados dólares americanos. A fórmula do sucesso, então, passou a ser o filme A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project,1999), que com apenas três atores e muita câmera tremida fizeram uma pequena fortuna para seus idealizadores.

Essa mina de ouro conta a história de Heather, Mike e Josh (Os atores interpretam eles mesmos). A primeira decide filmar um documentário a respeito da lenda de uma bruxa que cercava a floresta de sua cidade natal, e os dois amigos (trouxas… todo mundo sabe que não se pode mexer nesse tipo de coisa u.u) resolvem embarcar no projeto. Lá vão eles. Equipados com uma câmera 16mm, uma handycam, barracas e muita vontade de morrer, os três amigos vão floresta a dentro, coletando imagens de pontos importantes na lenda, como a pedra do caixão.  Até que chega a hora de armar a barraca e passar a primeira noite, e durante o sono carregado de cansaço, alguns barulhos no mínimo estranhos, são ouvidos.

A estética de filmes ‘’câmera-na-mão’’ não existia, e a partir de A Bruxa de Blair, os estúdios encontraram nesse segmento uma forma incrível de fazer dinheiro. Orçamentos baixíssimos, câmera não tão boa, elenco barato… voilá! Lucro garantido! O resultado pode ser visto até hoje. Nomes como Atividade Paranormal, [REC], Cloverfield e tantos outros, fazem os engravatados por trás das produções rirem até as orelhas.

É óbvio que A Bruxa de Blair se destaca não só pelo segmento criado. Temos por exemplo, o roteiro, simplista e cheio de ótimas sacadas. Nas cenas em que o trio está acordando, e se depara com pequenas ‘’macumbinhas’’ de pedra em volta da barraca é por sí só desesperadora. É como quando você vai dormir, e coloca o copo do lado da cama, e quando você acorda, o copo está em cima da estante. Se você mora sozinho, é bom chamar um padre ou algo do tipo para benzer sua casa.

A insinuação sempre será mais valorizada que a própria demonstração. Se em Tubarão (Sim, o do Spielberg), a silhueta do bicho é pouco mostrada e o filme se aproveita disso criando uma atmosfera mais tensa com a trilha sonora, aqui em Blair a tal bruxa pode ser qualquer coisa. Desde bonecos feitos de palha nas árvores, a bloquinhos de pedra espalhados em volta da barraca. Fica a cargo do espectador criar a sua própria bruxa.

Com a nova estética, veio também algo muito maior. Se o filme é barato, a oportunidade de novos cineastas e bons filmes independentes aparecerem é bem maior. A Bruxa de Blair impulsionou um gênero que já está enchendo a paciência? Sim. Mas criou, também, ideias e caminhos mais fáceis para os aspirantes a esse mundo louco que é o cinema.

Uma obra bacana enquanto filme, e importantíssima como criadora de gênero.

Fica aqui a indicação. Até segunda-feira que vêm!


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