Oz: Mágico e Poderoso – Crítica

Matheus Pessôa

  domingo, 10 de março de 2013

Oz: Mágico e Poderoso – Crítica

Não é como Alice no País das Maravilhas. Pelo contrário, o filme é divertido e adiciona conceitos novos à filosofia já embutida nas publicações antigas sem estragar absolutamente nada.

Nesses últimos anos, temo-nos deparado com vários filmes que tentam adaptar as histórias dos contos de fadas antigos, mudar radicalmente essas histórias e que acabaram piorando tudo quando trocaram o ‘foco principal’ de tudo isso, por trocar a temática numa fútil tentativa de agradar o espectador. No caso de Oz- Mágico e Poderoso, o fato dessa mudança não ter ocorrido drasticamente acaba sendo uma das maiores qualidades do filme. Não, a história não é como nos livros. Na verdade, é totalmente diferente da que vemos lá. Aqui, Oz (interpretado por James Franco) é um mágico de circo que não tem nada de especial, a não ser pela sua anormal expectativa de se tornar um Grandioso ser. Sua vontade é grande, mas ele parece não conseguir atingir seu objetivo de modo algum, e os negócios vão de mal a pior. Até que um dia, fugindo do namorado de uma de suas paqueras, entra num balão de ar que vai em direção a um furacão e acaba parando na terra de Oz, onde a mágica realmente começa.

P&B leve e explosão de cores

A computação gráfica é trabalhada com excelência em todos os momentos do filme, já que a maioria dele se passa nesta terra encantada. O modo como os cenários são retratados e até mesmo os efeitos especiais dos personagens secundários é magnífico, e esse é um dos grandes atrativos, realmente resgatando aquele espírito que o Mágico de Oz antigo queria passar. É interessante destacar que, para fazer um contraste entre o mundo ‘real’ e o mundo de Oz, o diretor Sam Raimi optou por colocar a primeira parte em preto e branco. Isso adiciona um dinamismo muito legal de se ver no filme, porque mesmo vendo as imagens bem construídas na tela, bem claras, elas estão em preto e branco, e dão um tom mais leve ao filme. A explosão de cores na segunda parte é imediata; Até a tela aumenta um pouco de tamanho quando saímos do ano de 1905 e entramos em Oz, onde o tempo não passa. A partir daí, percebemos um tom mais cadenciado no filme, que conta com uma história interessante, também, mas que foca mais nos personagens e não somente no desfecho final.

Foco nos personagens!

Oz-the-great-and-powerful

I’m a wizard!’. É com esta frase que Oz inicia a maioria de suas frases quando se apresenta a alguém. Se trata-se de uma mulher, ele logo tira da manga uma caixinha de música e começa seu cômico discurso sobre ela. E quando termina, convence sua dama a dançar e depois isto acaba com um beijo entre os dois. Romântico, não é? Mas ele faz isso com TODAS as mulheres que encontra no caminho. TODAS. E isso acaba sendo uma grande diversão para o espectador, já que (depois de ter rido da primeira vez) ele já sabe o que está por vir assim que encontra uma das donzelas do filme (que são três). Além disso, no longa temos os outros personagens que dão suporte ao principal, como o Macaco-Com-Asas, a Bonequinha de Porcelana e a Bruxa Boa. Cada um deles tem uma característica diferente que ajuda Oz ao final das contas, realmente como acontecia na história de O Mágico de Oz; todos tem um propósito fundamental na jornada do mágico desde a Cidade das Esmeraldas até a Floresta Escura. Aliás, a geografia fantasiosa do filme também é bem interessante, e retoma aquele conceito de um mundo muito fantasioso, onde qualquer coisa pode acontecer. Mas não é como, por exemplo, Alice no País das Maravilhas. Pelo contrário, o filme é divertido e adiciona conceitos novos à filosofia já embutida no filme/livro antigo sem estragar absolutamente nada; de modo anatômico: ele acrescenta novas ideologias e gera mais interesse do espectador. E, é claro, você pode simpatizar com dúzias de personagens… Dúzias, de tão bons que eles são.

A dupla dinâmica

Quem vê essa dupla imediatamente remete à trilogia Homem-Aranha. Como não fazer isso? Lá atrás, Franco era somente um coadjuvante…Mas, em Oz, ele tem um papel de destaque que, se antes era um pouco duvidoso, ao assistir o filme você vai ver que foi a escolha certa. A interação dele com os efeitos especiais nas cenas, as dezenas de caretas, os gestos, os discursos… A atuação de James Franco funcionou como um elemento cômico adicional que é essencial para o filme. Essencial.Você provavelmente vai rir muitas vezes quando ele estiver em cena, e essa é uma parte muito boa do filme. Isso ajuda a construir o personagem, de certa forma, que no filme ainda está buscando firmar uma personalidade própria em meio a tantos fatos acontecendo ao mesmo tempo. Além de James Franco, vale citar a mão de Sam Raimi que manejou tão bem as câmeras. O que Raimi faz com elas é incrível; pode parecer uma técnica boba, mas funciona muito bem, quando ele gira-as com uma certa angulação para captar ângulos diferentes dos personagens quando estes enfrentam uma situação de perigo. E o resultado é muito bom! Sem falar nas cenas com efeitos especiais, nas quais ele busca obter as melhores enquadrações possíveis- seja numa cena de suspense ou numa mais calma.

Resumo

Oz: Mágico e Poderoso é um ótimo filme. Diverte, cativa e passa várias  mensagens morais a quem assiste, justamente não saindo das propostas originais do autor L. Frank Baum. Esplêndidos efeitos especiais, dinamismo no jogo de câmeras, atuações muito boas que tendem sempre a um lado cômico e que busca entreter e uma história que, em parte, nós já conhecemos. Mas que, em meio a tantas excelentes qualidades, tanta tecnologia, tantos atrativos, acaba se tornando ‘desconhecida’. Oz é um filme que conseguiu cumprir seu objetivo: renovar uma vista sobre um conto com excelência. Coisa que está ficando muito difícil de se achar nos últimos tempos.

 


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