O Vingador do Futuro – Crítica

  Pedro Luiz   |    segunda-feira, 20 de agosto de 2012

É chegada a hora do remake. E Len Wiseman comanda essa ingrata missão de recontar a já conhecida história do Vingador do Futuro, imortalizado por Arnold Schwarzenegger nos anos 90.

Remake é o termo usado para os filmes que se propõem a recontar uma história à nova geração de espectadores, que não puderam acompanhar a obra original na época de seu lançamento. Se todos encarassem os remakes dessa forma, não teríamos tantos velhos rabugentos e saudosistas, que não conseguem enxergar que a obra original também tem defeitos. O cinema atual reflete o atual público que o frequenta, e O Vingador do Futuro (Total Recall, 2012) representa essa grande parcela.

A história já contada na década de 90 traz um operário que sofre um mal sucedido implante de memória e começa a ser atormentado por lembranças. O mundo como conhecemos está divido entre a Federação Britânica e a Colônia, lugares opostos entre riqueza e pobreza. Colin Farrell interpreta Doug Quaid, um operário da Colônia que tem dificuldade para aceitar sua vida medíocre. Casado com a belíssima Lori (Kate Beckinsale), Doug decide recorrer a Rekall, empresa que pode transformar os sonhos de seus clientes em memórias reais. O procedimento sai do controle e os responsáveis pelo processo descobrem que Doug na verdade é um espião. Na luta por sua verdadeira identidade, Doug conhece Melina (Jessica Biel), integrante das forças rebeldes.  O que é real, e de que lado Doug está, são os questionamentos que o diretor Len Wiseman (Anjos da Noite) busca desenvolver.

Como dito no início, os filmes atuais refletem diretamente os compradores de ingressos. Temos, então, uma versão atualizadíssima de O Vingador do Futuro. As cenas de luta são coreografadas de forma magistral, e os cortes rápidos ajudam na sensação de velocidade das brigas e fugas.  Efeitos especiais ousados e eficazes, que servem para segurar na cadeira o inquieto espectador que frequenta o cinema, podem ser vistos durante todos os 118 minutos de projeção.  Aliás, toda a concepção artística do filme é impecável. O design dos cenários futuristas, desde os carros voadores até as favelas cibernéticas, são o verdadeiro diferencial do filme, que se apega aos quesitos técnicos para valer o ingresso. Curioso é ver como isso acontece em 90% das produções atuais.

Colin Farrell e Kate Beckinsale são os protagonistas, e o destaque de cada um é marcado por suas qualidades. Um pela insegurança e pelas expressões de aflição, e a outra por sua inigualável beleza. Farrell nem de longe se compara a Arnold Schwarzenegger, mas consegue convencer de que é um homem a procura de sua real identidade por conta de sua atuação ‘’perdida’’. Beckinsale é o destaque da produção. Linda, porém letal. Tem pequenos surtos e exageros, mas compensa (If you know what i mean…).

Deixando a profundidade dramática de lado e se assumindo fraco, o filme se apega aos elementos que financiam o cinema atual e, como um bom filme de ação, prende a atenção do espectador pelo ritmo desenfreado. Acaba valendo o ingresso a partir do momento em que você fica impressionado com as ações e bate palma por perceber que elas estão críveis.

Pipocão. Dos divertidos, ao menos.


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