O Último Desafio – Crítica

Pedro Luiz

  segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O Último Desafio – Crítica

Arnold Schwarzenegger volta a protagonizar um filme de ação após 10 anos e, mesmo visivelmente cansado, justifica o filme entre piadas e tiroteios.

Os filmes de ação em Hollywood mudaram. A necessidade de contar histórias mais próximas possíveis da realidade pode ser, em um primeiro momento, algo extremamente benéfico. Com isso nós tivemos a excelente trilogia Bourne e os Batmans de Nolan, por exemplo. Todos os filmes com medo das leis da física e mais preocupados com a veracidade das ações. O problema é que essa tendência começou a brotar em todos os filmes de ação, limitando as histórias. O cinema de ação Old School de Stallone, Bruce Willis e claro, Arnold Schwarzenegger, tinha seu lugar cativo no coração dos cinéfilos porque era descompromissado e levava histórias de ação a qualquer preço, seja esse pago com explosões surreais ou com brigas épicas.

O novo trabalho do já não tão novo Arnold Schwarzenegger agrada porque é justamente um resgate do cinema old school de ação: Violento, engraçado e caricato. O Último Desafio (The Last Stand, 2013) te faz lembrar dos ‘’longínquos’’ anos 80 e, de quebra, ainda brinca com o western.

Arnold Schwarzenegger em Last Stand

O visivelmente cansado (mas esforçado) Schwarzenegger encarna Ray Owens, um antigo policial de elite que se aposentou após ver muito ‘’sangue e morte’’, como ele mesmo diz. Para ‘’descansar’’, Ray deixou a cidade grande e decidiu se instalar na pacata cidade de Sommerton Junction, onde se tornou xerife. Como qualquer cidade do interior, quase não havia o que fazer.  Até que um perigoso líder do cartel mexicano (Eduardo Noriega) escapa das mãos do FBI de Las Vegas e decide cruzar a fronteira para fugir da jurisdição americana. No meio do caminho estava, obviamente, a calma cidade de Sommerton, e lá também estava o xerife e sua equipe de delegados completamente inexperientes. Juntos, os ‘’oficiais’’ da lei montam um plano para defender a cidade e capturar o bandido.

A ambientação do filme é quase toda voltada para a cidadezinha, e isso é o que faz o filme ganhar ritmo. Como não há ocorrências, os três delegados ficam atirando em carne boa parte do dia, e essa realidade do interior é interessante pois contrasta com a inexperiência que esse tipo de departamento tem normalmente. As melhores piadas do filme estão nas costas dos calmos moradores da região e do delegado atrapalhado Figgy. Um arregão completamente despreparado e fora de forma, mas que rende boas risadas.

Como um retrato dos anos 80, a canastrice aparece tanto no herói quanto no vilão. Schwarzenegger tem a profundidade dramática de uma piscina de plástico, isso não é novidade.  O interessante é ver que mesmo por trás das sobrancelhas já esbranquiçadas está um imponente xerife que é capaz de tudo para proteger sua cidade. O vilão, Gabriel Cortez, é caricato, mas não tem o carisma e a imponência que o senhor Governator carrega. No time de atores ainda estão Rodrigo Santoro e Forest Whitaker; um interpreta um ex-soldado que serviu no Afeganistão e o outro é o chefe da divisão de Narcóticos do FBI de Las Vegas. O primeiro chama atenção do público brasileiro por razões óbvias, e, por acaso, tem a melhor atuação do filme, ainda que com pouco destaque. O problema é que ele está muito superior aos outros, à vontade e dramático quando precisa, o que acaba deixando-o deslocado do resto do elenco. Já Whitaker está confuso, perdido. Aquele Forest de O Ùltimo Rei da Escócia ou de Quarto do Pânico não apareceu. O papel também não ajudou…

Rodrigo Santoro e o astro de Jackass, Jhonny Knoxville.

A trilha sonora é terrível e parece ter sido retirada de uma sketch do programa policial mais fuleiro da TV americana. Por outro lado, as cenas de ação são extremamente bem construídas e executadas. Algumas até necessitam de um pequeno empurrão da sua imaginação para funcionarem, e é exatamente esse tipo de ação que diferencia o filme. O diretor Kim Jee-Woon, estreante em Hollywood, utiliza uma taxa maior de quadros por segundo para filmar as batidas e explosões de um ângulo diferente, aumentando levemente a veracidade dessas ações. Um pouco de sangue e frases de efeito à vontade também compõem o filme.

Mas e o western que você mencionou? Bom, ele pode ser captado no filme em diversos momentos.Vai desde a cidadezinha até o xerife durão com passado aterrorizante. Para aumentar, até um duelo á moda antiga está presente, com nosso querido Schwarzenegger aparecendo rapidamente em alguns close-ups (o dublê é mostrado mais vezes… com a câmera afastada, mas ainda sim tem mais destaque).

Falho em diversos aspectos, O Último Desafio satisfaz por trazer o astro old school de ação de volta a ativa, mesmo que para isso ele tenha que utilizar carros na maioria do tempo (correr nem pensar…).  O filme é divertido passatempo à moda antiga. Descompromissado, engraçado e violento.


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