O Lado Bom da Vida – Crítica

Leandro de Barros

  quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Lado Bom da Vida – Crítica

David O. Russell dirige um dos favoritos ao Oscar 2013

Existem filmes que inovam na sua temática. Alguns inovam na tecnologia empregada para gravar o longa. Outros, inovam com suas técnicas narrativas. Porém, sempre sobra espaço para um filme que consegue mostrar porque o tradicional persiste com o passar do tempo. Spoiler: porque é bom.

JENNIFER LAWRENCE and BRADLEY COOPER star in SILVER LININGS PLAYBOOK

Em O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook), nós acompanhamos Pat Solano (Bradley Cooper) , que após um ato de fúria descontrolado, é colocado em um hospital psiquiátrico pela Justiça Americana para se tratar. Oito meses depois, Solano é levado para casa pela sua mãe (Jacki Weaver), para tentar se recuperar. Apresentados por um amigo em comum, Pat conhece Tiffani (Jennifer Lawrence), uma garota que ainda lida com o luto pelo seu marido que morreu a pouco tempo e com os seus próprios problemas. A partir daí, os dois iniciarão uma amizade que os ajudará a manter o foco para superar essa fase difícil.

Sendo simplista, isso é o que você precisa saber sobre a história de O Lado Bom da Vida. Mais do que isso, você terá quando for aos cinemas. Isso é tudo que você precisa saber por enquanto pelo simples fato da história não ser o foco do filme. Os personagens são.

Eu contei cerca de 8 personagens com alguma relevância no filme, todos eles com seus próprios problemas (e distúrbios disfarçados de manias). Todos eles com nuvens cobrindo o Sol. Mas como diz a expressão que dá origem ao título original do filme (baseado no livro homônimo de Matthew Quick), “every cloud has a silver lining”. Em português, a expressão ficaria algo como “toda nuvem tem a sua silver lining (que é aquele contorno branco das nuvens quando elas estão tapando o sol)”, mas encontra seu correspondente no ditado “Há uma luz no fim do túnel”. No fim de tudo, O Lado Bom da Vida é um filme sobre pessoas tentando alcançar a sua luz no fim do túnel.

Como o foco dos filmes são os personagens, obviamente que um dos pontos mais importantes do projeto são os seus atores. E o elenco de O Lado Bom da Vida é um dos melhores do ano. Bradley Cooper, que não é acostumado à elogios, faz um muito bom trabalho na pele de Pat Solano, mostrando ao público as mudanças de humor, a ingenuidade e a esperança do protagonista. Robert DeNiro, que vive o pai de Pat, também entrega uma das suas melhores performances dos últimos tempos. Jacki Weaver está extremamente adorável vivendo a mãe preocupada e que tenta segurar todas as pontas da lona que cobre a vida da família e impedí-la de sair voando. Porém, quem realmente se destaca em O Lado Bom da Vida é Jennifer Lawrence. Já elogiada tantas vezes por seus papéis em O Inverno da Alma e Jogos Vorazes, Lawrence encarna a personagem que mais mexe emotivamente com o expectador. Nós partimos do estranhamento inicial da sua personalidade e somos guiados pela ótima performance da atriz (e pelo trabalho conjunto do roteiro e da direção do longa – já falamos sobre isso em breve) até passarmos a sentir afeto por Tiffany.

THE SILVER LININGS PLAYBOOK

Agora pegue esse ótimo e entrosado elenco e o coloque nas mãos de um dos mais competentes diretores de Hollywood atualmente e nós passamos a ver como o clássico ainda rende muito bem nas telas. David O. Russell, que também assina o roteiro, entrega mais um ótimo trabalho, depois do também ótimo O Vencedor.  Um dos grandes méritos de O. Russell dessa vez é reconhecer onde estava o grande conceito do filme e focar seus esforços na direão dos atores. O resto, como alguns recursos bem interessantes de montagem de cenas (temos duas cenas de “corrida” no filme, uma mais ou menos no começo e outra na cena final. As duas envolvem os mesmos personagens e são filmadas, em parte, no mesmo ângulo, invertendo a posição de cada personagem), é o tempero que eleva um pouco O Lado Bom da Vida.


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários