O Ditador – Crítica

  Leandro de Barros  |    quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sacha Baron Cohen, Anna Faris e Ben Kingsley estrelam a principal (e talvez a única) comédia política do ano

O Ditador, estrelado por Sacha Baron Cohen e Anna Faris, estréia nessa sexta-feira no Brasil, alguns meses depois da estréia internacional.

Será que a perspectiva de uma comédia política vai se encaixar bem no mercado nacional? Mais: será que Sacha Baron Cohen conseguirá manter o nível de insanidade e de ousadia dos elogiados Bruno (2009) e Borat (2006)?

Vamos descobrir, sem spoilers abaixo.

Em primeiro lugar, eu acredito que a comparação de O Ditador com os outros filmes de Sacha Baron Cohen será inevitável. Sendo assim, vamos tirar logo o elefante branco da sala e mandar a real: O Ditador é tão bom quanto Borat, mas não tem aquela aura de “será que isso é real?” que o filme de 2006 tinha. Boa parte da graça de Borat era imaginar o que era ou não ensaiado na comédia. O Ditador quebra com isso e tem uma estética Hollywoodiana normal. A decisão, ao meu ver, é acertada.

Primeiro porque o mesmo estilo de Borat já foi usado em Borat. E em Bruno. Repetir mais uma vez essa mesma estética de pegadinhas espontâneas seria estacionar no passado. E, uma vez que Baron Cohen já está estabelecido em Hollywood mesmo, então que abrace o estilo de filmagem de lá de uma vez, desde que não perca a acidez da sua comédia política. E não perde.

O Ditador é um tapa de luva na situação política do mundo ocidental (e, por que não?, na sociedade que mantém essa situação), enquanto diverte brincando com outros “hábitos” (na pura falta de uma palavra melhor no pobre vocabulário deste que vos escreve) da sociedade americana (reproduzidos em outras sociedades, como a brasileira por exemplo).

Todo o filme é construído em cima da pessoa do General Aladeen (Baron Cohen), líder supremo da fictícia Wadyia. Durante todo o filme, nós vemos como ele é repulsivo, como ele contrasta com a nossa visão de um líder civilizado e do que é certo ou errado na nossa sociedade. Durante todo o longa, ele é mostrado como alguém absolutamente alheio aos Direitos Humanos. Porém, quando ele dá a sua visão sobre democracia…

Mas e sobre a comédia? O filme é realmente engraçado ou só fica mesmo nas ironias políticas?

O filme é engraçado sim. Mas não é aquele tipo de comédia que você vai gargalhar e ficar sem ar de tanto rir (como é Anjos da Lei, por exemplo). Quer dizer, também há esses momentos mais visuais e você já deve ter visto vários deles nos trailes (a cena do Aladeen jogando o lixo no carro, dando um tapa na cara de um cliente, etc…). Porém, grande parte do apelo do filme fica no ótimo texto do próprio Baron Cohen em parceria com Alec Berg, David Mandel e Jeff Schaffer. Um pouco mais comedido nos palavrões e nas baixarias, o roteiro do filme entrega aquele tipo de piada em que você dá um risinho e pensa “Cara, que f*da!”. E isso vai acontecer muitas vezes.

Em termos mais técnicos, o filme não se destaca muito. As atuações estão razoáveis, o destaque maior fica pro sotaque carregado de Sacha Baron Cohen, já que os personagens do longa se resumem a personalidades superficiais que se ajustam às situações propostas pelo filme. Mas o timing cômico do elenco está afinado, não se preocupem. Antes de concluir, peço para que vocês prestem atenção na trilha sonora do filme, um dos pontos altos, com certeza.

Agora sim, podemos concluir: O Ditador é uma ótima comédia. Não trás nada de muito novo na sua apresentação, na sua estética ou na sua parte técnica, mas possui um texto ótimo e a crítica política é apuradíssima e necessária. Se tiver a chance, veja nos cinemas.


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