Missão Impossível: Protocolo Fantasma – Crítica

  Leandro de Barros  |    terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ação, diversão e belas paisagens. Esse é Missão Impossível: Protocolo Fantasma, o melhor filme da franquia liderada por Tom Cruise e produzido por J. J. Abrams.

Estreia amanhã em cinemas nacionais a nova sequência de franquia de ação Missão Impossível, desta vez como o especialista em animação Brad Bird na direção, e produção de Tom Cruise. E olha, vou te dizer, surpreendeu, sério.

Se me pedissem para definir o filme em uma frase, seria: “Protocolo Fantasma é o melhor filme da franquia“. Poucas coisas fizeram tão bem à franquia Missão Impossível como a entrada de J.J. Abrams na franquia, em 2006, com Missão Impossível III. O terceiro filme de Missão Impossível pode não ser o favorito de muita gente, mas já apresentou uma melhoria em relação aos outros filmes. Nesse Protocolo Fantasma, a franquia alcança outro nível e apresenta um ótimo filme de ação divertido, eletrizante e esteticamente belo.

O filme começa com um resgate à Ethan Hunt (Tom Cruise) pela IMF (Força Missão Impossível). O protagonista está na cadeia e é resgatado por Benji (Simon Pegg, de volta à franquia) e Jane (Paula Patton, novata em MI). Depois disso, o protagonista e o espectador já emendam em uma missão na Rússia. O resultado da missão leva o governo dos EUA à iniciar o Protocolo Fantasma, que é fechar todas as bases da equipe e negar a sua existência. Hunt e seus colegas serão considerados traídos e terroristas, a menos que consigam deter os verdadeiros terroristas do filme.

A verdadeira missão impossível dessa vez é falar do filme sem citar a agradabilíssima montanha russa emocional que o filme proporciona ao espectador.  O longa mescla cenas de ação tensas e que deixam quem assiste apreensivo com cenas cômicas e um ótimo trabalho do roteiro, que relaxa o espectador, inclusive usando a trilha sonora de maneira excelente para contribuir com esse efeito. Essa montanha russa, alternando o estado do espetador de apreensivo para relaxado e depois apreensivo de novo, impedindo que o espectador fique com aquela sensacão de previsibilidade e que o filme caia na monotonia. Claro que a maioria das pessoas já entra no cinema adivinhando o final do filme, mas o longa faz questão de surpreender durante as pequenas cenas.

Esse ponto é mérito da direção de Brad Bird, que é competente e surpreende, considerando que o cara veio de animações (Ratatouille e Os Incríveis, por exemplo) e trabalha pela primeira vez com live-action no cinema. O filme é conduzido com segurança e serve como um ótimo cartão de visitas para a nova fase da carreira de Bird.

Quando você assistir Protocolo Fantasma, tente pegar a versão IMAX ou alguma sala de cinema com a tela grande e serviço de qualidade. Vale MUITO a pena ver Protocolo Fantasma com a maior qualidade que for possível, pois o filme é visualmente belíssimo. A fotografia de Protocolo Fantasma está ótima e os nossos olhos saem plenamente agradados, seja com as cenas que mostram o Kremlin ao fundo (ou explodindo) ou a tempestade de areia em Dubai (que realmente acontece naquela magnitude). O grande destaque porém fica para a cena da escalada do Burj Khalifa, já mostrada no trailer do filme e peça principal da divulgação do longa (inclusive foi o ator mesmo que escalou o prédio, sem dublês). Eu vi o filme num cinema normal (embora a tela fosse grande), mas arrisco dizer que só essa cena em IMAX deve valer o ingresso todo.

O elenco de Protocolo Fantasma não prejudica o filme, embora não chame a atenção por sua atuação. Tanto o time de heróis, com Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg e Paula Patton, quanto os vilões, a francesa Léa Seydoux, o finlandês Samuli Edelman e o chefão Michael Nyqvist, fazem seu trabalho de maneira convincente o suficiente. Nenhum deles realmente pisa na bola (embora os vilões tenham muitíssimo pouco tempo de tela e pareçam um pouco esteriotipados) ou chamam a atenção. O destaque nesse setor são para as participações especiais de “luxo”: Josh Holloway, o eterno Sawyer de Lost, o astro de Bollywood Anil Kapoor, e Michelle Monaghan (Contra o Tempo).

Nem tudo é perfeito em Protocolo Fantasma e você deve evitar o filme caso seja um daqueles que reclamam de cenas “irreais“. Se ficar preso à centenas de metros de altura por uma luva, se pendurar em um carro em movimento e escapar da morte por um triz repetidas vezes são coisas que te irritam vendo um filme, talvez Protocolo Fantasma não seja o filme pra você. Isso vale pra algumas tecnologias avançadas demais pra época do filme também. Sinceramente isso não me atrapalhou (o nome Missão Impossível é bem sugestivo nessa parte) e já é conhecimento público de que o filme tem esse tipo de cena.

Por fim, falta falar dos rumores que indicam que o ator Tom Cruise deve passar o cargo de protagonista da franquia para Jeremy Renner. A informação não foi confirmada pela produção do filme ou pelos atores e, apesar de Renner ter mais tempo de tela, importância no filme e ser mais desenvolvido do que seus outros colegas, por exemplo, o filme termina sem deixar claro que essa transição foi feita, até porque o longa cria um sentimento de continuidade na franquia. Nós temos a sensação de que Protocolo Fantasma é continuação de Missão Impossível 3 (embora não seja necessário ver o terceiro filme antes de assistir à esse) e se a produção manter o ritmo, vamos continuar com essa sensação nos próximos longas.

Missão Impossível: Protocolo Fantasma é isso. É ação e diversão, tiros, tensão e humor. Pode não ser um filme imperdível, mas é altamente recomendável e uma das melhores opções atualmente em cartaz. Se tiver a chance, não deixe de ver.


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