John Carter – Entre Dois Mundos | Crítica

  Pedro Luiz   |    terça-feira, 13 de março de 2012

Com diretor consagrado na área da animação, John Carter - Entre Dois Mundos se destaca pelo 3D e pela ambientação, mas peca no roteiro apoiado nos clichês.

O cinema, assim como qualquer indústria, precisa de lucro para se manter. E quando um novo projeto é lançado, a expectativa criada pelos produtores se torna tão grande que uma nova franquia surge, inóspita, pronta para ser explorada de todas as formas. Seja em Home vídeo, em brinquedos, não importa. O importante é o entretenimento. Assim funciona com John Carter – Entre Dois Mundos (John Carter, 2012). Um filme feito, exclusivamente, para render bons frutos às custas de seu alto teor de efeitos especiais e seu ingresso 3D.

A história que inspirou filmes como Avatar, de James Cameron, é uma adaptação dos contos de Edgar Rice Burroughs, publicados em 1912. Basicamente, a história tenta misturar cowboys e todo o pacote Western ambientando suas aventuras no inigualável solo marciano. O personagem principal vivido por Taylor Kitsch, que leva o nome do título do filme, é um veterano da guerra de secessão americana que foi capturado de forma misteriosa, e levado até Marte.  Lá, John Carter faz contato com várias raças, e a mais curiosa delas é a dos Tharks: hominídeos de quatro braços e com chifres saindo de suas bochechas. Imediatamente recebido e sendo feito prisioneiro, Carter acaba ajudando os nativos numa batalha e, por força do destino, acaba conhecendo a princesa Dejah Toris (Lynn Collins). A pobre donzela é forçada a se casar com o líder de um dos grupos que disputa o poder do planeta, e cabe a John libertá-la desse terrível fardo e, assim, voltar a Terra.

O diretor Andrew Stanton assumiu a cadeira de diretor em um filme live-action (atores reais) pela primeira vez, depois de ter mostrado ótimos trabalhos na área da animação (Procurando Nemo, Wall-e). Seria então, um filme do grande estúdio Pixar, sem a assinatura habitual dos filmes animados.

Ambientado em Marte (ou no deserto do estado de Utah, nos EUA), o filme cria uma atmosfera muito interessante em torno de seus personagens. Não é todo dia que podemos ver marcianos com seis membros, macacos albinos gigantes e cachorros de seis patas ultra-rápidos. E a computação gráfica utilizada para criá-los é fantástica. Todo o visual do filme, ainda que lembre os bons e velhos filmes sandálias-espadas, como Fúria de Titãs, 300 e outros, é muito bem criado e convida o espectador , de uma forma ou de outra, a apreciar as inóspitas paisagens.

Mas se por um lado o filme se mostra divertido e atraente, por outro se torna mais um exemplar do clichê adolescente de contos de fadas. Logo na primeira cena em que  John e a princesa Dejah se encontram, fica claro o destino da narrativa, e o clima previsível pode atrapalhar.

Se apegando aos clichês e ao didatismo, o filme se destaca pela beleza dos cenários e pela diversão que os combates proporcionam.  Mas fica nisso.

 


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