Especial Oscar 2013 | O Caminho Para Ganhar o Oscar

Leandro de Barros

  segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Especial Oscar 2013 | O Caminho Para Ganhar o Oscar

Depois de extensa pesquisa e consulta aos Anciões da Nossa Vila, o Supernovo entrega alguns passos para fazer um filme vencedor do Oscar

Artigo SuperMag: Esse artigo saiu com exclusividade na SuperMag #6. Conheça a nossa revista digital e não perca as próximas edições.

Oscar 2013

O debilitado e desfigurado protagonista caminha com passos vacilantes em direção ao feixe de luz que entra pela porta do galpão entreaberta. Com esforço, graças ao complicado período que acabou de passar, nosso herói finalmente abre a porta e contempla o que o espera do lado de fora: o fim da guerra e o ar da liberdade. E também os créditos do fim do filme, as luzes do cinema e os aplausos (e lágrimas) da plateia. Na primeira fila, o diretor dessa história sorri, sabendo que ganhará o Oscar em dois meses.

Se você acompanha o cinema há algum tempo ou, mais precisamente, o Oscar, já deve ter trombado com alguém que defende com toda a convicção que “pra ganhar o Oscar, basta fazer um filme de holocausto”. Será que isso é mesmo verdade? Há uma fórmula para se dar bem dentro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas? Há um tipo de filme que seja talhado para esse prêmio em específico? Bem, se você sonha algum dia em ganhar o Oscar, preste atenção às minhas próximas palavras, pois em verdade, em verdade vos falo: eu sei como ganhar o Oscar.

Ok, eu preciso ser sincero: o mais próximo que eu já estive de ganhar o Oscar foi quando um tio pensou em comprar um gato chamado Oscar pra mim. Eu não sei atuar, não sei dirigir, não manjo nada de questões técnicas de cinema e, como minha piada agora a pouco provou, não conseguiria escrever um roteiro ganhador do Oscar nem que a minha vida dependesse disso. Porém,  eu fui enviado em missão especial à Biblioteca (vocês criados à leite com pêra na Internet não devem saber o que é isso) para vasculhar os registros antigos sobre o Oscar e tentar achar um padrão entre os vencedores. E missão dada é missão cumprida, amigos.

Segura aí a sua estatueta e vem comigo aprender a ganhar o Oscar.

não esse Oscar...

não esse Oscar…

Antes de tudo, o que vem primeiro…

Lembra quando a gente estudava História na escola (se você ainda está na escola, eu estou falando de terça-feira passada) e a gente se deparava com vários períodos diferentes? Idade das Pedras, Idade Média, Idade Moderna, etc, etc, etc? Pois bem, tenho certeza que o seu/sua professor(a) deve ter explicado que a gente faz essas separações na História pra poder dar uma estudada melhor nas coisas, reconhecer padrões e entender melhor uma certa época da nossa história.

Porém, nós não fazemos isso apenas na História Geral da Humanidade no Planeta Terra. Fazemos isso em tudo: na arte da confecção de pães, na ciência da carpinagem e, claro, na história do cinema.

Como você deve saber, o cinema “começou” com a invenção do cinematógrafo pelos Irmãos Lumière, partiu com o ilusionista Georges Méliès, foi se popularizando, aí veio Chaplin, Hitchcok, blablabla, o grande gênio Michael Bay começou a carreira, blablabla, a franquia Todo Mundo em Pânico mudou a ideia que a sociedade tinha de tortura e mais um pouco de blablabla.

Com qualquer outra Arte, o Cinema é marcado por estilos, modismos e é visto (e feito) de formas diferentes em épocas diferentes. Assim, para efeitos estatísticos nesse texto, eu considerei apenas o que eu acho ser o Cinema Moderno, o período que corresponde da década de 70, passando pela década de 80 – com a invenção do “blockbuster – e chegando até os dias de hoje.

E por que eu fiz isso? Veja bem, nosso objetivo aqui é descobrir o que a Academia gosta e tentar achar um caminho para o Oscar, certo? A Academia é composta por pessoas e pessoas possuem certos gostos hoje e diferentes ontem – lembram que eu disse que o Cinema vivia de modismos? Assim, vamos dar uma analisada no “Cinema Moderno” e descobrir o que fazer para ganhar o Oscar nessa época.

Entendidos? Então ok.

Melhor Gravata e Melhor Batman da Vida Real

Melhor Gravata e Melhor Batman da Vida Real

Alguns passos para um filme vencedor no Oscar

Depois de algumas xícaras de café, horas de um fim de semana perdido e um documento do Excel muito confuso, minha pesquisa resultou em frutos, que se traduzem em alguns passos para um filme com cara de Oscar.

Para ganhar no Oscar, você precisa:

  • Fazer um drama baseado em algum livro, de preferência uma cinebiografia: todo mundo sempre cita que cinebiografias vão bem em Oscar, mas eu nunca tinha percebido o quão bem eles iam até parar para comparar alguns números. Nos últimos 43 anos, 9 filmes ganharam o Oscar sendo cinebiografias. Isso significa que quase 21% dos filmes que ganharam o Oscar nessa época mais recente foram cinebiografias. É o “tipo” de filme que mais vence. Não há tantos vencedores assim em longas policiais, de faroeste, de guerra, musicais ou de máfia. Porém, o golpe certeiro mesmo, é ir com um drama baseado em algum livro. Dos 43 filmes analisados, 19 são dramas baseados em livros. Isso faz quase 45% dos vencedores modernos do Oscar baseados em alguma coisa! É praticamente a metade! Isso que eu nem comecei a citar as cinebiografias que foram indicadas, mas NÃO ganharam. Por isso, escolha alguma personalidade famosa, pegue uma biografia dramática e prepare suas câmeras;
  • Contratar um bom diretor: uma informação interessante que pouca gente sabe: o “dono” do filme, na verdade, é o produtor. Pode parecer estranho, já que quem manda em praticamente todas as decisões é o diretor, mas quem sobe pra receber o Oscar é o produtor. Assim, se você quer ganhar o Oscar de Melhor Filme, vá produzir. E contrate um bom diretor, já que é quase regra: quem ganha o Melhor Filme, ganha o de Melhor Diretor. Nos últimos 43 anos, apenas em 6 ocasiões esse cenário não se repetiu. Até porque, é questão de lógica: o melhor diretor do ano é aquele que fez o melhor filme, certo? Um outro dado importante: de 1970 pra cá, apenas uma vez o diretor do Melhor Filme do Oscar não foi nem indicado à Melhor Diretor no prêmio. Isso aconteceu em 1990, quando Bruce Beresford viu seu filme, Conduzindo Miss Daisy, ganhar 4 Oscars pela Academia (incluindo o de Melhor Filme)  mas não foi indicado à Melhor Diretor – o vencedor nesse ano foi Oliver Stone, por Nascidos em 4 de Julho;
  • Ter um grande protagonista, preferencialmente Meryl Streep ou Jack Nicholson:  De 1970 para cá, 34 filmes que ganharam o Oscar de Melhor Filme, também tiveram seu protagonista vencedor do Oscar de Melhor Ator/Atriz ou indicado à esse prêmio. Isso detona uma clara (quase 80% amigos) tendência da Academia de ir no embalo do filme com uma forte figura de liderança. Por isso, seu filme precisa ter um protagonista de respeito, que consiga ganhar uma indicação de Melhor Ator/Atriz. Preferencialmente, vá com Maryl Streep ou Jack Nicholson, que são os líderes femininos e masculinos de indicações ao Oscar. Outros nomes como Daniel Day Lewis, Kate Winslet, Clint Eastwood, George Clooney e Tommy Lee Jones também são bem válidos, já que esses são “queridinhos da Academia”. Só lembre de fazer um favor a si mesmo: passe longe de Leonardo DiCaprio e Brad Pitt.
  • Cuidar para ter uma boa parte técnica: poucos filmes que ganharam o Oscar de Melhor Filme colecionaram vários Oscars em categorias técnicas. Apenas em termos comparativos, o máximo que um filme vencedor do Melhor Filme no Oscar conseguiu foram 7 vitórias nas categorias técnicas – Titanic, em 1997. O máximo de indicações foram 14 – também Titanic (A Malvada, de 1950, também conseguiu 14 indicações, mas não estamos falando de filme tão antigos). Porém, é preciso manter uma quantidade importante de indicações em algumas categorias. As mais importantes são: Fotografia, Edição, Som e Trilha Sonora. Além, claro, do Ator/Atriz, Diretor e Roteiro.
  • Lembrar que a Maldade Humana e Doença são ótimos temas: para os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, só parece existir um tipo de filme: os sofríveis. Não é a toa que a maioria dos vencedores (e indicados) na história moderna do Oscar são filmes de drama. Os votantes curtem chorar, se desesperar, se descabelar por causa de um filme. Em termos de plot, os dois temas mais populares são a Maldade Humana ou a Doença de um Protagonista. No primeiro, lembre-se de explorar os aspectos mais horrendos da nossa história. Escravidão? Ótimo. Tráfico de crianças? Boa escolha. Holocausto? Perfeito! No segundo, apele para uma doença que incapacite o seu protagonista. Câncer é legal, mas esquizofrenia é melhor. Na dúvida, vá com os dois – e acrescente um acidente de carro que deixará seu protagonista tetraplégico no meio do filme. Quanto mais sofrimento, melhor! No pain, no gain!;
  • Lance seu filme no fim do ano: agora, essa dica pode parecer estranha, mas preste atenção: lance seu filme em Novembro ou Dezembro nos EUA. Nos últimos 43 anos, 25 filmes lançados nos últimos dois meses do ano ganharam o Oscar de Melhor Filme – isso representa quase 60% dos vencedores, Joãozinho. Se você acrescentar Outubro na brincadeira, essa porcentagem subirá um pouquinho, mas o foco aqui é Novembro e Dezembro mesmo. Não me perguntem o porquê, mas é assim que funciona. Lançou nesses meses, chance dobrada. Talvez o fato do filme estar mais fresco na cabeça dos votantes, talvez seja um período já destinado ao lançamento de longas desse tipo… não sei, só sei que funciona!

Pronto, agora que vimos todas as dicas, vamos tentar montar nosso filme perfeito. Seguindo a lógica e o passado, para ganhar o Oscar você precisa produzir um drama baseado na biografia de alguma figura famosa, vivida pela Meryl Streep ou pelo Jack Nicholson (vamos escolher a Meryl Streep porque ela é uma fofa!). Agora, temos Meryl Streep vivendo uma figura famosa.

Hora de escolher nosso diretor. Woody Allen só agrada com roteiros dele, Clint Eastwood já está manjado, Spielberg tem perseguido e tido azar ultimamente e o David Fincher é um esnobado pela Academia. Tirando os que também fazem blockbusters, fique com Martin Scorsese.

Então temos Scorsese dirigindo Meryl Streep, que está fazendo uma cinebiografia dramática. De quem? Bem, de alguém envolvida em algum péssimo momento da humanidade. Que tal pensarmos em uma senhora chamada Marie Curie? Veja bem, ela viveu numa época de grande menosprezo às mulheres (olha o mal da humanidade!), teve importância durante a Primeira Guerra Mundial (eu ouvi mal da humanidade?) e ainda morreu de leucemia, causada pela radiação à que foi exposta durante o seu trabalho (temos uma personalidade se deteriorando por uma doença?).

Resumindo: quer ganhar o Oscar? Contrate o Scorsese pra filmar a Meryl Streep na cinebiografia da Marie Currie e lance o longa nos cinemas em Novembro/Dezembro. Ah, não esqueça de me agradecer quando for fazer o seu discurso.


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