Christopher Nolan fala sobre o tom do seu Batman e sobre o fim da trilogia

Em 2005, Christopher Nolan lançou Batman Begins no cinema. Era o início da sua Trilogia do Cavaleiro das Trevas, mesmo que talvez nem ele mesmo soubesse disso na época. As coisas evoluíram, mais dois filmes foram lançados e a coisa toda virou alvo de intermináveis discussões pela internet, mesas de bar e jantares familiares.

Agora, o cineasta conversou com o Film Comment e partilhou algumas das suas ideias e das suas visões sobre o próprio trabalho, falando desde o tom da trilogia até o seu final.

Sobre a abordagem que teve com o Batman, Nolan rejeitou o rótulo de ter criado um herói realista. “Acho que o termo ‘realista’ é comumente confundido e usado meio arbitrariamente. Acho que ‘relacionável’ é o termo que eu uso. Eu queria um mundo que fosse retratado realisticamente e que, apesar desses eventos extraordinários possam estar ocorrendo e essa figura extraordinária possa estar andando por aí, essas ruas teriam o mesmo peso e validade das ruas de qualquer outro filme de ação. Então, os filmes são relacionáveis dessa maneira“, explicou o diretor.

Eu não quero me gabar, mas me gabarei dizendo que eu falei exatamente isso no BananaCast #18 – Pra Não Dizer Que Não Falei do Batmanonde a gente explica o último filme do Morcegão. Afinal, não é todo dia que um diretor concorda exatamente com você sobre uma obra.

Prosseguindo, Nolan discutiu o polêmico final de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge: “Para mim, O Cavaleiro das Trevas Ressurge é especificamente e definitivamente o fim da história do Batman que eu queria contar, e a natureza aberta do final do filme é simplesmente uma ideia temática muito importante que nós queríamos colocar no filme, que é sobre o Batman ser um símbolo. Ele pode ser qualquer um e isso foi muito importante para a gente. Nem todo fã do Batman vai necessariamente concordar com essa interpretação da filosofia do personagem, mas pra mim tudo se resume naquela cena entre o Bruce Wayne e o Alfred no jatinho privado em Batman Begins, onde a única maneira que eu pude achar para fazer uma caracterização credível de um cara se transformando no Batman era se ele fosse um símbolo necessário, e ele se viu como o cataclisma de uma mudança e, portanto, era um processo temporário, talvez um plano de cinco anos que seria colocado em prática para incentivar simbolicamente as boas pessoas de Gotham a tomar a sua cidade de volta“, disse Nolan.

Eu terei de me gabar de novo, mas não foi exatamente essa a lição que nós tiramos do filme no BananaCast #18? Claro, sem o exemplo da cena do jatinho, mas foi isso que nós dissemos no podcast. Só falta agora o Nolan dizer que não importa se o Bruce viveu ou não, porque o mais importante era o símbolo do Batman continuar vivendo e inspirando as pessoas de Gotham…

Para mim, para essa missão ser bem sucedida ela teria de acabar, então esse foi o final para mim e, como eu disse, esses elementos do final aberto são todos relacionados com a ideia temática de que o Batman não era importante como um homem, ele é mais do que isso. Ele é um símbolo e o símbolo continua vivendo“, disse o cineasta.

Ok Nolan, você ouviu o BananaCast #18, né? Eu sei que ouviu. Vamos marcar uma cerveja depois.

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