2 Coelhos – Crítica

  Pedro Luiz   |    domingo, 22 de janeiro de 2012

O diretor estreante Afonso Poyart leva aos cinemas brasileiros uma obra ousada e corajosa em relação aos padrões nacionais. Um filme POP e divertido.

Já sabem, não há Spoilers  : )

2 Coelhos de Afonso Poyart

Eu definiria ‘’2 Coelhos’’ – do diretor estreante Afonso Poyart  – como um ‘’tiro no escuro’’. Levar aos cinemas brasileiros uma espécie de conteúdo voltado para o público jovem, que é bombardeado todos os dias com produções gringas ligadas a cultura pop, não é nenhum problema… Pode ser até benéfico. O problema está na inexperiência de Poyart, que com ousadia e coragem suficientes fez essa produção dar certo. E o resultado, a meu ver, muito válido, está nos cinemas brasileiros para qualquer pessoa que se interesse por algo inédito feito no país.

Cercado de alegorias a lá Scott Pilgrim, e com explosões chupadas de todos os outros filmes de ação gringos conhecidos, o roteiro escrito – Poyart tem futuro – pelo também diretor do filme consegue com clareza e sem muitos rodeios contar a história de Edgar (Fernando Alves Pinto), um nerd que viveu toda a sua vida enterrado num computador e em um videogame.  Rodando pelas ruas de São Paulo com seu BMW, Edgar é abordado por um ladrãozinho (Thaíde), o qual lhe rouba seu iPhone, relógio e míseros 15 reais. Ao voltar para casa, nosso protagonista se vê cansado da situação, e decide colocar os bandidos mais barra-pesada da cidade contra os políticos corruptos que financiam toda a roubalheira.  Com essa missão de matar 2 coelhos (sacaram?) com uma paulada só, Edgar, com seu inventário nerd, vai a luta.

Tudo no filme remete ao POP, desde o uso dos iPhones, até a trilha sonora do grupo 30 Seconds To Mars. Por vezes, quando Edgar narra a história, e apresenta os participantes do plano – seja aliado, ou contrário -, os rabiscos e as alegorias gráficas mostram um pouco das características de cada um, dando um tom mais jovem ao filme. Tecnicamente, 2 coelhos me impressionou. A edição com cortes exageradamente rápidos dão uma dinâmica muito interessante ao filme. Ao sair da sessão, a impressão que fica é a de que o filme é muito maior do que sua real duração. Veria tranquilamente uma sequência ali mesmo, ao final do primeiro.

Mas nem tudo sai como Poyart planejou. Se do ponto de vista técnico o filme se mostra impecável, do ponto de vista narrativo o filme consegue passar sua mensagem social, mas falta amarração. Talvez pela quantidade de cortes que o filme possui, algumas cenas se mostram muito jogadas, sem nenhuma demonstração de como aqueles personagens foram parar ali, ou como obtiveram informações para participarem de determinada ação. Entretanto, pelo ritmo frenético imposto pelo roteiro – e pela edição – os espectadores deixam de lado a lógica e embarcam nas explosões e nas sequências excelentes de tiroteio que o filme possui.

Caco Ciocler em 2 Coelhos

As atuações também me surpreenderam. Nomes como Thaíde, Robson Nunes (quem lembra de ‘’malhação’’ lá pelos anos 2000 ou 2001?), e todo o resto do grupo que formam os capangas do vilão Maicon, estão muito a vontade e se saem muito bem. Os diálogos entre eles são impagáveis, e lembram o estilo criado por Meirelles em Cidade de Deus, ou em Tropa de Elite de Padilha. Até Alessandra Negrini, que ficou famosa no Brasil por seus trabalhos em novelas globais, se sai bem na maioria de suas aparições. E cá entre nós, abrilhanta o filme com seu charme…

Se pudesse resumir 2 Coelhos diria que essa produção nada mais é do que um projeto altamente ousado e corajoso, que tem tudo para dar certo. Afinal, tudo o que mais queremos é que o Brasil pare de só produzir comédias Românticas e dramas, para entrar de vez no cinema de gênero. Quem aí gostaria de ver alguém escalando o palácio do planalto para seqüestrar o presidente? Eu adoraria.


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