11-11-11 – Crítica

  Pedro Luiz   |    sábado, 12 de novembro de 2011

Com distribuição da Big Air Studios, e do mesmo diretor de Jogos Mortais 2, 3 e 4, este filme estreia na tão comentada data, e com o tão comentado nome...

É muito frustrante ir ao cinema e assistir um filme ruim. É mais frustrante ainda ir ao cinema e assistir a um filme ruim, que tinha absolutamente tudo para dar certo. Aqui em 11-11-11 temos exatamente isso:  marketing de peso, data polêmica e diretor com um background considerado bom (ainda que para mim não passe de um diretor superestimado).

Com a proposta de trazer um filme de terror, o (superestimado) diretor e roteirista Darren Lynn Bousman cavou sua própria cova nessa tentativa frustrada de apavorar a população com uma simples data de mesmo número. E não é só isso, provavelmente levou meia-dúzia de atores para o mesmo destino: o desemprego.

O previsível e fraco roteiro tenta contar a história de Joseph (Timothy Gibbs), um famoso escritor cético que perdeu sua esposa e filho num incêndio causado por um de seus numerosos fãs. A anormalidade contida nisso tudo é que o número 11 o persegue, pois as duas mortes foram as 11:11, assim como o acidente de carro sofrido por ele. No dia 9/11/11, seu irmão, Samuel (Michael Landes), liga de Barcelona para avisar que seu pai não está bem de saúde, e que restam poucos dias até sua morte. Confuso, Joseph vai até Barcelona, com dois dias de antecedência,  até que o fatídico 11/11/11 chegue.

Os personagens de Joseph e Samuel são mal definidos, com uma ou outra informação sobre  quem são, ou o que fazem. O que dificulta imensamente o espectador, já que para o entendimento dessa trama, especificamente,  é preciso estabelecer  as personalidades. O primeiro argumento usado pelo diretor é que Samuel é pastor e seu irmão, cético. Isso gera, até os 5 minutos finais, uma infinidade de diálogos clichês e com total falta de intensidade sobre religião, Deus, demônios e outras criaturas místicas.

Além das atuações medianas, vemos um diretor inseguro, com movimentos de câmera iniciantes para alguém que dirigiu dois filmes da franquia Jogos Mortais (que também não sou fã, mas que é muito melhor que essa afronta). Ao que parece, Darren Lynn saiu de um curso expresso sobre ‘’o que não fazer num filme de terror’’. Um erro crucial é o uso da câmera na mão em cenas de suspense, algo como colocar a visão dos ‘’monstros’’ e andar em direção aos personagens; lembrei-me de Michael Bay, o que não é muito positivo. A trilha sonora manjada composta por alguns cânticos de coral, no modelo de ‘’A Profecia’’ de John Moore, antecipa os sustos mal dados e torna a história, mais uma vez, previsível.

O que não é previsível é o final. Mas não que isso seja algo bom, pelo contrário, é totalmente incoerente. A tentativa de surpreender o espectador é ridícula, desmentindo o filme inteiro, e destruindo de vez a projeção nos 5 minutos finais.

Mas o que esperar de um filme em que o diretor colocou, em um de seus trabalhos, Paris Hilton para atuar? Tal atuação lhe rendeu o prêmio Framboesa de Ouro, em 2008. Provavelmente, o mesmo destino dessa terrível produção.

Um filme ruim (11 letras).


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários