SuperKabooom #49 – Review de Batman #29

Leandro de Barros

  domingo, 16 de março de 2014

SuperKabooom #49 – Review de Batman #29

Numa especial sessão em texto, voltamos a falar sobre o arco Zero Year

Batman 29

Faaala, galera! Tudo bem?

Nessa semana, não teremos o SuperKabooom em áudio como é tradicional – por motivos de razões, não conseguimos gravar nossas impressões sobre as HQs da Marvel e da DC Comics nessa semana.

Porém, contudo e todavia, como já existe o precedente para esse tipo de coisa, as análises dessa semana serão feitas em texto, ok? Pelo lado positivo, vocês não vão precisar uovir nossas vozes de taquara rachada.

Vamos lá:

Batman 29 01Batman #29
Texto: Scott Snyder
Arte: Greg Capullo
Arte-final: Danny Miki
Cores: FCO Plascencia
Onde comprar?: Aqui!

Então vamos lá falar da nova edição da saga Zero Year, que conta o início da carreira de Bruce Wayne como o Batman, antes dele ser o “Cavaleiro das Trevas de Gotham”. Quem anda acompanhando o arco, deve lembrar que no mês passado nós tivemos uma “pausa” nessa trama para uma edição especial mostrando o futuro da revista semanal Batman: Eternal.

Em Batman #29 nós retornamos ao passado, numa Gotham sofrendo o início da Supertempestade René enquanto o Charada deixou grande parte da cidade sem energia elétrica.

A edição abre com um flashback da noite onde os pais de Bruce Wayne são mortos. Os Wayne estão na delegacia de Gotham (em um quadro onde um pôster de recrutamento da polícia age como um espírito agourento por cima da família), já que Bruce foi parar lá depois de ter ido ao cinema escondido, para ver A Marca do Zorro (que ele diz ter achado “tolo”). Depois de um momento “Pais do Ano”, onde os Wayne falam com o filho sobre o trauma dele ter caído na caverna com os morcegos, a família decide ir assistir ao filme do Zorro junta – e todos nós sabemos como essa sessão de cinema termina.

É interessante ver como Snyder consegue (ao lado de Capullo) adicionar um elemento extra de culpa à Bruce Wayne na história do assassinato dos pais (afinal, ambos deveriam estar num evento social e só estão ali por causa das ações dele), expor bem os eventos que levam à formação do Batman (afinal, o garoto ainda nem tinha se curado de um evento traumático – que já estava deixando cicatrizes nele – para passar por outro maior ainda, juntando o medo de morcegos de um e a culpa do outro para criar a personalidade que vai guiar Bruce Wayne no futuro) e humanizar mais os pais Wayne, mostrando como o pai foi importante pra formação do caráter do filho (afinal, não é de graça que o Batman age como o Zorro).

Voltando à saga, enquanto o Gordon estava ajudando a evacuar as zonas mais risco por causa da Supertempestade, o Batman liga avisando que descobriu a localização do Charada: ele está na Torre Wayne, esperando que a polícia religue a energia na cidade para que seu plano tenha sucesso: quando a energia voltar, o vilão assumirá o controle sobre Gotham City.

Enquanto o futuro Comissário tentará impedir o Charada de concretizar seu plano, o “G[CENSURADO]N Batman” (rá!) pega seu dirigível gigante e vai até o balão do Charada, que está servindo como uma espécie de amplificador do sinal com qual o Charada pretende controlar a cidade. Mas voar numa supertempestade não é uma boa ideia, o Bat-dirigível é atingido por um raio e o Cavaleiro das Trevas ainda está longe demais do balão, mas ele toma impulso e…

Batman 29 2

Que bela referência, hein? Aliás, Zero Year está LOTADA de referências, desde a origem do Coringa em A Piada Mortal até o início da carreira de vigilantes de Dick Grayson e Barbara Gordon.

Enfim, enquanto isso, na Torre Wayne, Gordon encontra o Charada, mas o salafrário já tinha um plano preparado para caso alguém o incomodasse. Aliás, esse plano reflete uma das características mais legais de Scott Snyder: a criatividade em propor maneiras de usar os pontos fortes de cada personagem para compensar seus pontos fracos. O Charada não tem nenhuma habilidade de combate especial, mas Snyder o coloca jogando uma pedra de 5 toneladas nos seus inimigo, apenas com a sua mente.

Cortando para o Batman no balão do Charada, o nosso herói está enfrentando o Dr. Morte, que está trabalhando com o Charada. Entre alguns momentos de ação, nós vemos o bloqueador de sinal do Batman cair do balão e também temos um momento “vilão explica suas motivações”, com o Dr. Morte revelando que foi trabalhar com a Wayne Enterprises em troca do seu filho, que estava no exército, ser transferido para uma equipe de patrulha no deserto, cuja missão era encontrar Bruce Wayne (uma missão relativamente segura) – porém, como nós vimos no início de Zero Year, a equipe dele acabou morta, vítima de um ataque terrorista. Com isso, o  Dr. Morte acaba entrando em uma crise profunda, querendo mostrar para Gotham que não há nenhum tipo de proteção contra a vida – Snyder usa o vilão para criar mais uma pedra importante na fundação do Batman; além do fato de Bruce Wayne ter “criado” esse vilão (afinal, o filho do Doutor morreu numa missão para encontrá-lo), toda a filosofia do Dr. Morte é baseada no desespero de não haver uma proteção, mas suas ações acabam justamente por criar essa proteção (ou pelo menos ajudar a criar o Batman).

Depois de uma explosão que o fere profundamente, o Dr. Morte acaba morrendo na frente do Batman.

Apesar das ações de Batman e Gordon, a polícia acaba tentado reativar a energia elétrica na cidade, o que faz com que o plano do Charada dê certo: o vilão passa a controlar os principais sistemas da cidade, mantém Gotham City no escuro e ainda explode os muros que estavam evitando que a cidade fosse alagada.

Batman 29 3

No fim, temos uma bela série de imagens fazendo um paralelo entre a morte dos pais de Bruce e a cidade sendo alagada pelo Charada. Enquanto o Batman tenta destruir à todo custo o balão do vilão (que, lembremos, é o ampliador do sinal dele e garante o comando do cara na cidade), nós vamos vendo alguns flashs que mostram os Wayne saindo do cinema e sendo assassinados (completando então a ideia que comentamos no começo do texto, sobre adicionar uma camada de culpa ao jovem Bruce). Na última página, o garoto grita por ajuda – um pedido que com certeza é compartilhado pela sua versão mais velha, mesmo que ele tenha trabalhado para ser essa ajuda.

E assim acaba mais uma edição de uma ótima saga na revista mensal do Batman. Scott Snyder mostra mais uma vez porque é um dos melhores escritores de quadrinhos da atualidade ao mostrar uma trama planejada aos detalhes, feita para servir um propósito pensado com calma e que apenas contribui ao incrível legado de 75 anos de um dos personagens mais icônicos das HQs.

O que mais saiu nessa semana?

all new x-men
All-New X-Men #24: O Julgamento de Jean Grey chega ao seu penúltimo capítulo com uma edição menos engraçada e leve do que as anteriores, mas que finalmente muda um pouco o panorama das coisas. Brian Michael Bendis finalmente liberta Jean Grey do seu aprisionamento, mas não sem antes plantar uma preocupante semente no Universo Marvel: poderemos ver o retorno da Fênix através da Jean Grey do passado? Depois da entidade cósmica ter sido derrotada de uma vez por todas em Vingadores vs. X-Men, em 2012, esse seria um cenário bem preocupante para os heróis da Casa das Ideias;

fantastic four
Fantastic Four #2: O retorno do Quarteto Fantástico à Nova York continua nessa edição comandada por James Robinson (texto) e Leonard Kirk (artes). A edição trabalha basicamente com a invasão de criaturas demoníacas saídas de uma dimensão alternativa criada por Franklin Storm e volta a sinalizar que eventos maiores do que os que podemos prever estão sendo colocados em movimento. O cliffhanger surpreendente dessa vez é a perda (provisória?) dos poderes do Tocha-Humana;

superior spider-man
The Superior Spider-Man #29: Dan Slott continua a sua missão de ressaltar as semelhanças entre Otto Octavius e Peter Parker, ao mesmo tempo que faz notar as diferenças entre ambos. Enquanto isso, o Duende Verde continua mostrando para Otto qual a pior parte de ser o Homem-Aranha.


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