Quatro HQs americanas pra você começar a ler AGORA!

Thiago Alencar

  segunda-feira, 07 de outubro de 2013

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Quatro HQs americanas pra você começar a ler AGORA!

Separamos quatro histórias em quadrinhos americanas que você precisa começar a ler nesse momento - se ainda não começou!

saga 1

Olá, queridos leitores do Supernovo. A partir de hoje, estarei aqui com vocês pra trazer várias indicações de HQs e Mangás que você pode encontrar digitalmente por aí. Algumas das indicações você vai poder encontrar nas bancas, outras infelizmente não chegaram ainda a nós. Não vamos falar só de super-heróis ou mangás de luta e aventura, mas também de histórias de ficção científica ou mais focada nas relações entre os personagens. Pra começar, a indicação d vez fica por conta da recém-premiada Saga, do fantástico roteirista por trás de Y: O Último Homem (uma das melhores séries da Vertigo até hoje), Brian K. Vaughan (além da clássica Ex Machina da Wilstorm e ser o “pai” dos Fugitivos da Marvel), e da talentosíssima desenhista Fiona Staples (com passagem por várias hqs na DC, mas mais conhecida por DV8 na Wildstorm).

Saga é a hq mais premiada do ano por um motivo. Seus 3 Eisner e seu Hugo só mostram o quão fantástica a mistura entre Star Wars e Game of Thrones realizada pela dupla criativa é. Abordando temas extremamente maduros e com uma liberdade criativa que jamais seria encontrada na Vertigo e na Icon (os selos “adultos” de DC e Marvel). É um exemplo de primeira linha do que pode ser feito com quadrinhos, superando todo o trabalho prévio do Brian (o que diz absurdamente muito sobre ela) e servindo de exemplo do porque a Image tem crescido novamente no mercado americano. Saga tem esgotado edição após edição, sem sinais de que isso vai parar de acontecer.

Mas a melhor descrição sobre a revista e um belo motivo pra ler? Ficam as palavras do Roteirista: “Esse é um livro de fantasia original sem super-heróis, dois protagonistas não-brancos e um primeiro capítulo com sexo explícito entre robôs. Eu pensei que pudesse ser cancelada em nossa terceira edição.”. Ele não poderia estar mais errado.

Wonder Woman Novos 52

Ela é provavelmente a personagem feminina mais famosa de todas. Ela tem sido um símbolo de força, coragem, superação e feminismo pra mulheres do mundo todo, por décadas e mais décadas. Ela tem sido a mulher a estar ao lado de Bruce e Clark como algo muito além de um interesse amoroso ou motivador. Como uma igual. Ela tem sido uma amazona, uma humana, uma rainha e uma deusa por anos e mais anos, sofrendo com hqs canceladas e péssimos roteiristas, mais jamais perdendo seu significado. Ela se tornou algo superior a exteriorização do fetichismo de seu criador. Ela se tornou a mulher perfeita. E agora, nós olhamos pra frente, pro que ela pode significar pro Universo Cinematográfico da DC. Como ela poderá, novamente, vencer os que dela duvidam e (re)conquistar mais e mais corações, como seu amigo Clark fez. Se tem algo que devemos almejar é que, essa nova incursão da Mulher Maravilha fora das hqs seja baseada no trabalho FANTÁSTICO de Brian Azzarello e Cliff Chang nos Novos 52.

Exaltação a personagem a parte, a série mensal iniciada em Setembro de 2011 nos apresenta uma nova Diana. Mais alinhada com suas origens nos mitos gregos, mais próxima da mitologia fantástica do UDC e criando um belo contraste com a inocente Diana que nos é apresentada em Liga da Justiça (com traços mais voltados pras histórias iniciais da personagem). Azzarello, conhecido por suas histórias com tons muito mais sombrios do que o comum a histórias de super-heróis (o melhor dele pode ser encontrado em 100 Balas e Hellblazer, apesar de ser impossível ignorar Joker, Lex Luthor: Man of Steel e Superman: For Tomorrow), se aproveita de um tom mais Noir pra contar histórias atemporais nessa nova cronologia. Você não verá menções a nada do que aconteceu em Liga da Justiça ou qualquer outro crossover (pelo menos até Forever Evil). Entre, pegue, saia e você terá lido uma história completa, com grandes pedaços de mitologia e uma ousadia surpreendente, principalmente pro cuidado que a DC sempre teve com a personagem (quem acompanha sabe o quanto o final da última edição foi insano).

Se você se pergunta por onde pode começar a conhecer a personagem, pra onde pode ir um possível filme solo da Diana ou é apaixonado por mitologia grega, sua hq é essa aqui. A personagem não vendia tão bem a muito tempo e, se no começo, isso poderia ser considerado como uma mistura entre o “efeito Reboot”, o nome do Azzarello e uma curiosidade pela personagem (que sempre teve uma cronologia impossível de decifrar), é claro que as vendas se sustentam altas pela extrema qualidade do roteiro e pela arte bem diferenciada do Cliff Chang. A pegada mais Noir que ele dá a essa e principalmente as suas versões dos mais diversos Deuses gregos é impressionante.

Torçamos para que a DC realmente permita que o sr. Max Landis trabalhe em um roteiro pra Diana. E para que a base desse roteiro seja essa aqui.

Manhattan Project

“O que aconteceria se o departamento de pesquisa e desenvolvimento criado para produzir a primeira bomba atômica fosse apenas uma fachada para outros, mais incomuns, programas? E se a união das mentes mais brilhantes de uma geração não fosse sinal para otimismo, mas um presságio? E se tudo desse errado?” É assim que o premiado roteirista Jonathan Hickman (sim, todo mundo surpreso agora né?) começa essa série mensal da Image (vocês vão ver muito material dela por aqui), produzida ao lado de um dos melhores desenhistas a aparecer nos últimos anos, Nick Pitarra.

É nesse clima que a série acompanha a entrada de um certo Robert Oppenheimer no famoso Projeto Manhattan. Claramente influenciado pelos podcasts de Teorias da Conspiração do Supernovo, Hickman e Pitarra nos levam por uma linha do tempo alternativa (será?) em que a Bomba Atômica foi apenas um disfarce para vários outros estudos envolvendo todo o tipo de ciência maluca que nós sonhamos (e que se pode esperar do Hickman). E como isso pode dar errado.

Falar mais do que isso seria spoilar completamente a hq, então, deixo aqui a sugestão para que tanto quem já tem o hábito de ler, quanto quem quer começar a ler mais hqs mas não quer se meter nas intrincadas cronologias de Marvel e DC, que leiam e entendam porque eu cultivo uma adoração tão grande por esse senhor.

Flash serie Arrow uniforme

A indicação dessa vez chega um pouco atrasada e com um tom de despedida, pois falaremos rapidamente de The Flash v5, dos fantásticos Brian Buccellato (Hellblazer, Flash v4) e Francis Manapul (Flash v4, Adventure Comics), que estão de partida do título para assumir um novo título na DC (provavelmente Detective Comics). A mensal do Flash iniciada junto com os Novos 52 tem sido, pra mim, a revista mais constante e bem feita até agora (junto a Batman do Scott Snyder e Mulher-Maravilha do Brian Azzarello). Se, as duas citadas se destacam enormemente pelo seu roteiro (não desmerecendo a arte), Flash pra mim é a grande expressão do quanto a arte pode ser usada pra contar uma história fantástica, com poucas palavras (Batwoman é outra revista que manda bem nisso).

Como a maioria talvez não saiba, Manapul e Buccellato não são roteiristas originalmente, motivo pelo qual a proposta de ambos roteirizarem a revista juntos, bem como dividirem a arte foi surpreendente na época. Manapul é um desenhista filipino que vem crescendo na DC já a alguns anos, normalmente acompanhado pelo Brian nas cores (os dois formam uma dupla comparável ao trio Ivan, Rod Reis e Joe Prado), mas não se esperava muito do que poderia ser feito do Flash. A preocupação com o personagem era relativamente grande já que, os roteiros fracos do Johns não foram capazes de alavancar as vendas da última mensal pré-reboot (muito porque ele não conseguia definir qual dos 4 Flashes ele escrevia). Não ajudava o fato do Barry ser menos popular do que o Wally e o sumiço do mesmo depois do reboot.

O que veio depois, pegou muita gente de surpresa. Ao contrário do que a gente se acostumou a ver, não era tanto a arte em função do roteiro, mas muito mais um caso de roteiro em função da arte. TUDO em cada quadro tinha uma função e um nível de detalhe pra ajudar a contar aquela história. Desde os títulos construídos com cenário, como o estilo mais cinematográfico de tratar a Força de Aceleração, até as mudanças implantadas em personagens até bobos, de certa forma (o conceito por trás da Galeria é meio besta), vilões como Grodd, Patinadora e Capitão Frio se tornaram muito mais ameaçadores, condizendo com o aumento dos poderes do próprio Flash. Fugir da armadilha de contar a origem dele também foi uma ótima escolha.

Os personagens coadjuvantes também ganharam um novo sopro de vida. É fantástico ver a Isis mais Lois Lane e menos mulher de casa, os personagens que circundam o Barry em seu trabalho também são mais vivos do que costumavam ser e a introdução da Patty, não só como interesse romântico, mas como uma intrépida policial adiciona muito a história. Brian e Francis sabem de suas limitações como roteiristas e trabalham ao redor disso, deixando qualquer traço megalomaníaco de lado e contando histórias simples e primorosas, sobre o Flash e sobre o Homem Mais Rápido Vivo, Barry Allen.

Sobre » Super Kabooom

É um pássaro? É um avião? Não, é o Super Kabooom, o blog de quadrinhos do Supernovo. Além de usar recursos textuais mais antigos do que a cueca vermelha do Superman, esse blog trará a iluminação para os fãs da Nona Arte. Se a sua alma quadrinesca precisa de salvação, esse é o lugar certo (espero).


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