Square-Enix e a reinvenção de uma empresa: Parte 02 – Tropeçando ao longo da sétima geração e reencontrando sua essência

Thiago Alencar

  segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

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Square-Enix e a reinvenção de uma empresa: Parte 02 – Tropeçando ao longo da sétima geração e reencontrando sua essência

Nos acompanhe por essa jornada ao longo dos 10 anos de Square-Enix, uma empresa que, em meios as dificuldades, soube se reinventar e caminha pra para a Oitava Geração em busca de redenção.

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Por volta de 2007, quando a Sétima Geração foi abraçada definitivamente, a empresa começou a enfrentar diversos problemas, os quais foram bem documentados. Nomura se bateu ao longo dos últimos anos, tendo que responder vagamente sob o futuro do seu jogo, então conhecido como Final Fantasy Versus XIII, por anos e anos, enquanto Toriyama acabou lançando talvez o jogo mais polêmico da série, com vários fãs clamando que Final Fantasy XIII marcava a morte da franquia, argumento que só ganhou mais força a medida que, para ocupar o espaço que deveria ter sido do Nomura, mais e mais jogos foram lançados, transformando FFXIII em um franquia dentro de si mesma.

A insistência da Square-Enix em lançar remakes de suas franquias para mobile por preços absurdos, cortados em pedaços e mal-acabados, ou fazer jogos exclusivos para portáteis que nunca foram lançados no Ocidente não fez nada para melhorar a imagem da empresa. É meio triste que, entre o lançamento de Valkyrie Profile 2 em 2006 e Star Ocean: The Last Hope em 2009, a única coisa boa (além dos lançamentos de seus jogos antigos na PSN) que a SE fez pra consoles tenha sido publicar Shin Megami Tensei: Persona 4 no Ocidente. Talvez

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2009 marcaria, então, o lançamento do 4° jogo da franquia Star Ocean (então exclusivo de 360 e posteriormente portado pra PS3 pelas vendas ridiculamente baixas no console da Microsoft) e o 13° Final Fantasy. Ainda assim, novamente no mês de Abril, o grande anuncio da Square-Enix seria a compra da Eidos, das franquias Tomb Raider, Hitman, Deus Ex, Legacy of Kain e Thief, dando início ao braço ocidental da SE, compra que acabaria marcando o começo da reinvenção da publisher como um todo.

Talvez nunca saibamos exatamente como a recepção confusa que Final Fantasy XIII (disclaimer aqui: eu adoro o jogo, é um dos meus preferidos da franquia, mas sei que talvez eu seja parte da minoria nisso) teve afetou os negócios internos da SE, mas seus efeitos aparentam ter sido avassaladores. Nós não ouviríamos mais falar de Final Fantasy Versus XIII até 2013, não veríamos Final Fantasy Agito XIII até 2011, quando, sob o comando de Hajime Tabata, o jogo seria lançado agora sob o nome de Final Fantasy Type-0, nunca chegando ao ocidente (mantendo assim o nome do Tabata meio desconhecido por aqui, já que Crisis Core foi seu único jogo a chegar por aqui e Parasite Eve: The 3rd Birthday continua exclusivo do Japão).

Se no lado Oriental as coisas pareciam completamente sem rumo, 2010 marcaria o 1° jogo de uma série de sucessos dos jogos “ocidentais” da SE. Com a exceção de Kane & Lynch 2: Dog Days, quase todos os jogos desenvolvidos por estúdios ocidentais foram bem recebidos por público e crítica (a outra exceção foi aquela coisa chamada Front Mission: Evolved que talvez tenha enterrado a franquia). Cada ano teria um grande título da empresa o marcando, com Just Cause 2 em 2010, Deus Ex: Human Revolution em 2011 (um dos melhores jogos da geração) e Sleeping Dogs em 2012, mostrando que a parceria com a Square-Enix só havia tornado a Eidos ainda mais poderosa.

Como nem tudo são flores, a mesma coisa não poderia ser dita do Oriente. Se 2009 havia marcado um ano complicado pra marca Final Fantasy, 2010 trouxe quase um apocalipse na forma de Final Fantasy XIV. O segundo MMORPG da franquia foi um completo desastre em que nada funcionava, levando ao cancelamento da versão para PS3 e a saída do seu diretor, Hiromichi Tanaka, sendo substituído pelo seu produtor, Naoki Yoshida, um homem apaixonado pelo jogo no qual vinha trabalhando a anos.

2011 talvez seja o ano que marque o começo da reviravolta da empresa, com o anuncio de Final Fantasy XIII-2, que pegou a todos de surpresa e que melhorava os já ótimos sistemas de Final Fantasy XIII, além de atender a algumas das principais reclamações dos jogadores, dando mais liberdade, uma história menos linear e com mais finais para o jogador. No mesmo ano, veríamos o anuncio de Final Fantasy XIV: A Realm Reborn, marcando o relançamento do mal-fadado MMO lançado no ano anterior e que estava passando por uma reconstrução com a ajuda dos jogadores.

2012, então, marcaria mais um passo rumo ao futuro pra empresa, com alguns percalços (Dragon Quest X ainda não chegou ao Ocidente, mesmo tendo sido bem recebido no Japão e os erros em plataformas mobile continuaram crescendo), mas com jogos extremamente bem recebidos pela crítica  como Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance, Sleeping Dogs (um de meus jogos preferidos daquele ano), Hitman: Absolution e o lançamento no Japão de um dos jogos que marcariam essa nova fase da SE: Bravely Default: Flying Fairy, um corajoso RPG que mesclou perfeitamente a fórmula dos antigos Final Fantasy a novos elementos que mostram que RPGs por turnos não estão fadados a morrer. O ponto polêmico, naturalmente, ficaria pelo anuncio do 3° jogo da série FFXIII, com Lightning Returns.

Lara-Croft-Tomb-RaiderO ano seguinte, então, talvez seja a maior prova do que a Square-Enix se tornou hoje. Se continua uma empresa que não faz ideia de como lidar bem com jogos para android e iOS (mesmo que esteja fazendo um caminhão de dinheiro no Japão), a SE foi capaz de nos dar um dos melhores jogos de 2013 logo em seu começo, com o reboot da mais emblemática franquia da Eidos: Tomb Raider. Marcando o ano final da 7ª Geração, a nova aventura da Srta. Croft seria um dos pontos altos do ano junto com GTA V, Bioshock Infinite e The Last of Us.

2013 também seria o ano em que a Final Fantasy renasceria como um sucesso de público e crítica. Final Fantasy XIV: A Realm Reborn traria uma quantidade enorme de jogadores aos seus servidores, muito mais do que a Square-Enix esperava, inclusive, tendo que suspender as vendas digitais do jogo porque não dava mais conta da quantidade de gente tentando logar, sendo, em todas as premiações, um dos jogos indicados a melhor RPG do ano, figurando, com todos os méritos possíveis, ao lado de The Legend of Zelda: A Link Between Worlds, Pokemon X/Y e Ni no Kuni.

No mesmo ano, o Japão receberia uma versão atualizada de Bravely Default, com o sub-título de For the Sequel, sendo essa a versão que chegou a Europa em Dezembro de 2013. O anuncio de uma sequência “verdadeira” também foi feito em 2013, com Bravely Second podendo chegar ao mercado japonês ainda em 2014. Lightning Returns: Final Fantasy XIII acabaria tendo um sucesso até maior que o esperado, superando as vendas do blockbuster da Nintendo, Super Mario 3D World na sua semana de lançamento.

Por fim, chegamos a 2014 e uma visão do que o futuro parece guardar para a Square-Enix. O ano, que começou com o lançamento de Tomb Raider pra PS4 e X1 e foi seguido do lançamento de Bravely Default na América e de Lightning Returns: FFXIII no Ocidente. 3 jogos que representam 3 caminhos bem diferentes mas que, ainda assim, podem indicar 3 linhas que a SE pode seguir com bastante sucesso.

Tomb Raider parece indicar o caminho a ser seguido pelo braço ocidental da empresa, com uma história cativante e um ótimo gameplay, que acabaram, mesmo não vendendo inicialmente o que a empresa esperava, resultando em um sucesso comercial e de crítica pra obra da Crystal Dynamics. Uma sequência já foi anunciada e ainda assim não é a única coisa na qual os antigos estúdios da Eidos andam trabalhando. Thief chega no dia 25 de Fevereiro, Murdered: Soul Suspect em Junho, e sequências para Deus Ex, Tomb Raider, Hitman e Sleeping Dogs já foram confirmadas.

square parte 2 03Já no Ocidente, duas linhas de RPG podem estar brotando nas mãos da SE. Bravely parece estabelecida como uma nova franquia, mais voltada pra fãs mais tradicionais de RPGs, com seu combate por turnos e as várias classes, enquanto o combate de Lightning Returns pode ser um bom preview do que Tetsuya Nomura e Hajime Tabata planejam para Final Fantasy XV, com um foco mais voltado para o combate, finalmente vimos, em 2013 com Kingdom Hearts 1.5 HD e agora com Final Fantasy X/X-2 HD Collection, a Square-Enix valorizando o seu passado com os jogos de PS2, nos trazendo alguns dos melhores RPGs de todos os tempos em HD, com Kingdom Hearts 2.5 HD já anunciado e Final Fantasy XII HD uma possibilidade, nos dando uma certa esperança de ver novos jogos de franquias esquecidas voltando na 8ª Geração, bem como vimos a SE dar dicas de um possível lançamento de Final Fantasy Type-0 no Ocidente, o que pode trazer outros jogos para cá.

Mesmo após todas as dificuldades enfrentadas nessa última geração, a Square-Enix parece sair dela mais humilde e mais preparada pro que vem pela frente (lição essa que a Sony indica ter aprendido junto com sua parceira de longa data e que a Nintendo se vê enfrentando agora), tendo abandonado a arrogância da E3 de 2006 e, novamente na E3 de 2013 feito bastante barulho com Final Fantasy XV e Kingdom Hearts III, dessa vez, liderada no Oriente por um homem que parece ter aprendido os duros percalços que os últimos 8 anos lhe ensinaram, estando nas mãos de Tetsuya Nomura reviver a paixão que a indústria tinha pela marca Final Fantasy, e no Ocidente guiada por uma equipe competente e com uma sequência de acertos de fazer inveja a EA.

Que o futuro se mostre brilhante e traga de volta o sucesso a uma empresa que tanto fez pela indústria e que parece disposta a voltar ao posto em que se encontrava naquele fatídico 2006. Foi bom estar ao seu lado em anos de dificuldades, Square-Enix. Que os próximos anos sejam de recompensas aos jogadores que lhe apoiaram mesmo quando suas decisões pareciam tão duvidosas.

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