Resenha: Will & Will – Um Nome, Um Destino

Will e WillTente falar “Will e Will” cinco vezes, o mais rápido que conseguir.

Okay, agora podemos falar sobre o livro.

Tradução de Will Grayson, Will Grayson, Will e Will é a história de dois adolescentes com o mesmo nome cujas vidas eventualmente se cruzam. O livro se divide em capítulos narrados alternadamente por eles, sendo cada Will escrito por um dos autores da obra.

De um lado, temos Will Grayson: Confuso, meio tímido, amigo do gay mais assumido do colégio.   Do outro, temos will grayson (uma das sutilezas que marca a troca de narrador é que o will de Levithan não usa letras maiúsculas): praticamente sem amigos, meio cínico, fechado, em geral receoso em demonstrar suas afeições e vontades.

A história não é exatamente sobre os dois; de certa forma, ela abrange dos dois. Na verdade, o maior denominador comum entre eles é Tiny – o melhor amigo do Will narrado por John Green -, e a criação do musical Tiny Dancer, cujo objetivo não é exatamente claro de início, mas acaba fazendo sentido eventualmente.

Will e Will chegou chamando atenção pelo diferencial de ter personagens homossexuais em papéis de importância; No entanto, não é uma mensagem escandalosa de ‘vamos aceitar a homossexualidade’, apenas uma constatação de que relacionamentos homo-afetivos existem e que, convenhamos, não é questão de aceitar – ninguém tem que pedir permissão pra ser gay. Tanto que, na história, muito pouco do drama adolescente é fruto de preconceito. A impressão que o livro passa é que o objetivo, no final das contas, é mostrar que mesmo nas diferenças e peculiaridades as pessoas são, em geral, bem similares.

Da trama, pode-se dizer que não é exatamente delineada, lembrando mais um slice-of-life do que um plot meticulosamente construído. Os acontecimentos se entrelaçam com a produção do musical sem girar em torno dele, expandindo-se para cobrir outros casos, como o relacionamento de Will Grayson com seu interesse romântico e o início da socialização de will grayson com as pessoas ao seu redor.

A narrativa é o que se espera de um jovem-adulto: simples, leve e, nesse caso, notoriamente cômica. Um dos pontos fortes do livro é este: O lado cômico, a narrativa por vezes sarcástica e a simpatia inerente dos personagens. Apesar do começo incerto, quando os dois Wills se encontram em situações emocionalmente instáveis ou insatisfatórias, a história cresce com eles e o desenvolvimento é divertido e interessante. Ao longo das páginas, acompanhamos a evolução de cada um e as mudanças de atitude tanto em relação às pessoas ao redor quanto no que se refere à imagem que fazem de si mesmos.

John Green já tem uma fanbase concreta no Brasil, depois do lançamento de sucessos como ‘A Culpa é das Estrelas’ e ‘Quem é Você, Alasca?’. David Levithan ainda não tem livros solo publicados aqui, mas escreveu ‘Nick e Nora – Uma Noite de Amor e Música’ junto com Rachel Cohn. Em Will e Will, temos a chance de experimentar dinâmicas diferentes e conhecer uma história que não gira em torno de um grande evento, e sim de várias pessoas, o que acaba tornando os acontecimentos mais interessantes. Não apenas pelo livro em si, mas pelo fato da construção depender de mais de uma pessoa, assim como os relacionamentos retratados.

Como um todo, Will e Will é um livro bom e fácil. Para qualquer leitor, livre de preconceitos, com as paranoias necessárias para um bom jovem-adulto e outras pequenas questões, todas abertas para reflexão. Uma leitura fácil e gostosa que passa num piscar de olhos.

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