Patch Semanal – A Queda dos Poderosos de Ontem

Thiago Alencar

  quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

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Patch Semanal – A Queda dos Poderosos de Ontem

Antes poderosos, hoje em decadência - esse é o caso de algumas empresas e ícones do mundo dos games

Bem vindos a nova coluna do SuperNovo sobre videogames. Toda semana, falaremos sobre alguns dos principais pontos sobre jogos, com algumas curiosidades e recomendações ou não.

ps4-vs-xbox-one

O melhor começo de uma geração até a próxima

Como faz todo mês, a NPD Group divulgou os números de vendas de Softwares e Consoles nos Estados Unidos no último mês de Janeiro. Até aí, tudo dentro do esperado, mas a empresa divulgou também alguns dados sobre os primeiros 15 meses de vendas do Xbox One e do PlayStation 4. E, caras… como as coisas estão indo bem.

Se havia alguma preocupação de que o crescimento dos custos de produção e a aparente falta de jogos colocaria as vendas de console em risco, o que vimos foi o contrário. Quando comparados com os primeiros 15 meses de vida do Xbox 360 e do PlayStation 3, houve um crescimento de quase 60% nas vendas de hardware, combinado com um crescimento de 5% na venda de Softwares em geral (somando as duas gerações, mesmo com a geração passada enfrentando uma grande queda – 36% – em suas vendas).

Com esse aumento no volume de vendas de hardware, é possível que em breve vejamos uma queda nos preços do PS4 e Xbox One. Cabe ressaltar que o console da Microsoft, inclusive, viu um aumento no seu volume de vendas desde que abandonou a obrigatoriedade do Kinect (e praticamente matou o periférico, quase como a Sony e sua PS Camera), diminuindo o “gap” entre os dois consoles nos últimos meses.

Isso, claro, são notícias maravilhosas para as empresas, mas boas também para os jogadores. Se muitos de nós se desanimaram com o grande volume de Remakes HDs e jogos cross-generation (mesmo que em alguns casos, como Dragon Age: Inquisition e Sombras de Mordor, isso não tenha significado problemas para a atual geração), uma base instalada maior deve dar as produtoras mais tranquilidade para arriscar e investir em projetos que não seriam aprovados caso os consoles ainda não parecessem seguros como é o atual caso.

Óbvio que isso não significa que alguns dos problemas que tem sido tão alardeados a respeito dos videogames (DLCs, jogos free-to-play que merecem mais a alcunha pay-to-win, a falta de/má representação de minorias e tantos outros) e que discutiremos em seu devido tempo mereçam ser ignorados por causa disso. Mas com as empresas melhor financeiramente (mesmo que a divisão de games não seja tão grande assim na Microsoft, é hoje o que sustenta a Sony como um todo), é mais fácil imaginar que veremos inovações do que se elas precisassem lançar centenas de shooters militares para tentar se salvar.

A Queda dos Poderosos: Atari e Asteroids.

Lá de vez em quando, nós nos surpreendemos com o ressurgimento de um jogo/franquia com a qual praticamente ninguém mais se importa. Sabe quando aparece um novo Pac-Man de plataforma? Ou quando anunciaram a volta de XCOM como um shooter? As voltas de Thief e Deus Ex pelas mãos da Square-Enix? Então… Dessa vez a Atari (sim, ela ainda existe) anunciou que teremos um novo Asteroids (sim, aquele jogo clássico de Arcades/Atari 2600/qualquer microondas com uma telinha)… que não tem nada a ver com o original.

Chamado de Asteroids: Outpost, o jogo promete “colocar jogadores em um perigoso ambiente espacial. Na superfície de um asteroide massivo, jogadores enfrentam o desafio de explorar o asteroide, coletar recursos, buscar por minérios, criar equipamentos e expandir seu território enquanto constroem bases altamente personalizáveis – tudo isso em meio à formação de alianças e lutando com outros jogadores em um multiplayer desafiador.” Isso soa um pouco como Minecraft + DayZ pra mim…

O jogo que está sendo desenvolvido pela Salty Games, terá o apoio da developer por trás do fracasso War Z, um jogo que prometia melhorar a formula de DayZ mas que acabou fracassando terrivelmente e foi retirado do Steam por não entregar nada do que prometia, a Arktos Entertainment Group. A empresa lançou mais um jogo no Steam que encarou vários problemas técnicos, Infestation: Survivor Stories.

Engraçado ver como a Atari, antes um dos nomes mais poderosos das indústria de videogames, caiu ao ponto de precisar do suporte técnico de uma empresa conhecida por suas enormes falhas técnicas e lançando jogos por Early Access para financiar o resto da produção do jogo. Muito, muito deprimente ver que isso é o que sobrou da empresa que já foi sinônimo de videogames e que trouxe tantos fãs para essa mídia.

Sonic Boom

A Queda dos Poderosos: Sega e Sonic.

Haviam especulações algumas semanas atrás de que a Sega iria demitir centenas de funcionários, em um esforço para se reorganizar e cortar custos. Com a divulgação nessa semana dos resultados financeiros da empresa, dá pra entender o porque dessa decisão. E os prognósticos para o futuro da empresa não são nada, nada bons.

O primeiro e mais assustador número é o referente as vendas dos últimos jogos da franquia Sonic. Sonic Boom teve vendas totais de 490 mil cópias, quando somadas as vendas das versões de Wii U e de 3DS, o que representa os piores números da história da franquia. Muito se esperava que a parceria de exclusividade da franquia por três jogos com a Nintendo daria lucros a Sega e, a não ser que o próximo jogo encontre um sucesso surpreendente, não é isso que acontecerá.

Sonic, que um dia já foi o principal rival do Mario, parece desafiar as noções de fundo do poço que temos, cada vez encontrando uma maneira de surpreender a todos com o quanto suas mecânicas e seu apelo não conseguiram sair dos anos 90 com sucesso. Aliás, isso parece mais uma característica da Sega, já que nenhuma de suas grandes franquias dos anos 90 deu certo, com a série Yakuza provavelmente sendo o nome mais forte da empresa hoje.

A Sega, aliás, espera um prejuízo de U$110 milhões para o ano fiscal. A Sega, aos poucos, parece destinada a continuar desenvolvendo bons jogos de estratégia e simuladores para PC, com raras franquias continuando nos consoles, principalmente agora que a Sega Sammy (dona da Sega) tem uma outra empresa que pode continuar tendo sucesso em consoles: a Atlus. Junte a isso a relutância da Sega em trazer jogos importantes para o Ocidente (Yakuza 5, Yakuza Ishin, Phantasy Star Online 2…) para o Ocidente e a falta de foco em franquias que poderiam ter sucesso (Shenmue, Shinning, Valkyria Chronicles) e fica complicado imaginar como as coisas poderiam melhorar para a empresa.

Se ao menos finalmente tivessemos um remake/sequência para Skies of Arcadia…

Todos à bordo do trem do hype

Sabe aquele trailer que chamou muito a atenção ao longo da semana? Aquele anuncio que te pegou de surpresa e que precisa ser comentado? Ele vai aparecer por aqui.

Existem várias, várias maneiras de se fazer um trailer. Misturar CGs e cenas de gameplay, fazer uma hype-tape com os jogos anteriores da franquia e depois revelar o novo jogo, usar uma música épica e mostrar pontos chaves que você sabe que os fãs vão ficar animados… Bem, parece que a Square-Enix resolveu seguir a linha desse último para Just Cause 3 e… caras, como deu certo. Com o protagonista Rico Rodriguez em meio a explosões, dá pra sentir um pouco do gostinho do que esse jogo vai ser. E esse gostinho é maravilhoso.

https://www.youtube.com/watch?v=FIR-X15HTXQ

citizen of earthJogo da Semana: Citizens of Earth

Esse não vai ser bem um review completo, porque eu ainda não terminei o jogo, mas pela experiência que eu já tive, Citizens of Earth MERECE ser indicado. Com um senso de humor delicioso, gráficos bem feitos e com uma dublagem muito boa (que é uma marca dos jogos publicados pela Atlus), o jogo traz boas lembranças de alguns clássicos RPGs, mas estabelece bem a sua própria imagem.

Assumindo o papel do Vice-Presidente do Mundo um dia após a sua eleição, o jogador tem a missão de salvar a Terra recrutando seus familiares e outros cidadãos da sua cidade natal, enfrentando diversas ameaças, como políticos rivais, protestantes que buscam te tirar do seu cargo, hipsters fantasmas e outras criaturas bizarras.

O jogo é recheado de piadas, desde os nomes dos golpes usados pelos personagens recrutados pelo jogador até as linhas de diálogo bizarras que vamos vendo ao longo do jogo. Podendo controlar destemidos heróis como “a moça dos gatos”, o “padeiro” e o “cara das conspirações” e com um sistema de combate bem simples, é uma boa opção para quem não quer pegar RPGs grandes que demandam horas de grind e que só querem ter um pouco de diversão.

Citizens of Earth lembra muito um misto entre South Park The Stick of Truth e Mother 3, dois bons RPGs para aqueles que não gostam do gênero. O jogo possui alguns bugs que atrapalham um pouco a experiência, pelo menos no PS Vita, mas pelo seu preço baixo (US$14,99 na PSN e na eShop americana, R$27,99 no Steam – o jogo foi lançado para PS4, PS Vita, 3DS, Wii U e Steam) e pelas horas de diversão, vale o investimento.

Trilha sonora da Semana

Toda semana, teremos a recomendação de uma trilha sonora de algum jogo, sempre com link para ouví-la direto do Youtube.

Para comemorar o lançamento do remake para 3DS, vamos ouvir a trilha sonora do ótimo The Legend of Zelda: Majora’s Mask. Um dos melhores Zeldas 3D, é normalmente o jogo da franquia que a maioria de nós simplesmente esquece que existiu. Com um tema mais sombrio e com algumas teorias ainda sendo jogadas por aí a respeito da verdadeira natureza do Skull Kid, Majora’s Mask foi um dos melhores jogos do Nintendo 64 e merece sempre ser lembrado.

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