O que aconteceu com a Ubisoft em 2014?

Leandro de Barros

  segunda-feira, 17 de novembro de 2014

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O que aconteceu com a Ubisoft em 2014?

Um ano polêmico e cheio de confusões, mas que termina com empresa tendo bons resultados financeiros: a Ubisoft está se tornando a nova EA?

2014 se desenhava como um grande ano para a Ubisoft. A empresa francesa liderada por Yves Guillemot tinha alguns lançamentos bem interessantes para esse ano: o jogo mais aguardado de 2014 foi Watch Dogs, da Ubisoft; além disso, a empresa francesa levaria a franquia Assassin’s Creed definitivamente para a nova geração com uma engine própria; um jogo de South Park e outras novidades importantes.

Porém, o ano está há pouco mais de um mês perto de terminar e a Ubisoft meteu o pé na jaca tantas vezes em 2014 que, por melhores que sejam seus resultados financeiros (e eles são bons!), a sensação que fica é que o ano fecha negativo pra empresa francesa.

O que rolou de tão ruim? Vamos dar uma olhada.

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O ano dos games mal-passados

A Ubisoft tinha 4 grandes lançamentos em 2014, embora dois deles fossem realmente os seus carros-chefes nesse ano: Watch Dogs e Assassin’s Creed Unity (para efeitos de esclarecimento, os outros dois são Far Cry 4 e The Crew, embora nenhum deles tenha sido oficialmente liberado até a data dessa publicação).

Talvez um dos maiores contribuidores para essa sensação de fracasso da Ubisoft é que… bem, seus dois carros-chefe bateram em um caminhão de problemas assim que saíram da fábrica.

WatchDogsA versão de PC de Watch Dogs foi a campeã de problemas e bugs – a situação foi tão grave que jogadores que possuíam placas de vídeo da AMD tiveram grandes dificuldades de rodar o game em suas máquinas, já que ele foi desenvolvido pensando numa tecnologia específica da NVidia.

Um outro grave problema com o lançamento da versão de PC do título veio nas suas primeiras 12 horas: como Watch Dogs possui um sistema multiplayer integrado na sua campanha solo, o jogador precisava estar logado na uPlay para que pudesse ser autenticado e jogar – o problema é que muitas pessoas tentaram jogar ao mesmo tempo e o sistema da Ubisoft não aguentou tamanho tráfego. Em entrevista ao Polygon, Chris Early (chefe do departamento digital da empresa), explicou que o problema foi, ironicamente, o sucesso de vendas do game:

É vergonhoso. Nós tivemos mais pessoas no primeiro dia do que esperávamos. Nós sabíamos quantas eram nossas pré-vendas, nós sabíamos o que esperar. Mas nós tivemos mais vendas digitais do que esperávamos. São boas notícias, mas era MUITO mais do que o esperado e os servidores não aguentaram essa carga“.

Para consertar a situação, Early comenta que a Ubisoft teve de simplesmente construir um sistema de autenticação que pudesse lidar com um número maior de pessoas, o que foi feito 12 horas depois, mas o dano já havia sido feito e a Internet já estava abarrotada de memes e muitas reclamações contra o jogo, a empresa e, principalmente, a uPlay.

E se a primeira missão de hacking do título era efetivamente conseguir logar na uPlay pra jogar Watch Dogs, as coisas não melhoravam quando o jogador entrava no mundo de Watch Dogs – não na versão de PC, pelo menos.

Originalmente, Watch Dogs era para ser lançado em 2013, um ano muito produtivo para a indústria e que viu títulos como The Last of Us, Bioshock Infinite e Grand Theft Auto V fechar uma geração de jogos AAA com chave de ouro. O game da Ubisoft era para estar nessa lista, mas a empresa francesa teve de adiá-lo para poder “polir o jogo”.

Assim, a quantidade de bugs encontrados em Watch Dogs (além do fato do jogo ainda parecer precisar de bastante polimento), desagradou bastante os jogadores e diminuiu muito o valor da experiência oferecida pelo título. Veja nesse vídeo abaixo uma compilação dos problemas técnicos de Watch Dogs:

Veja também uma comparação com Grand Theft Auto IV, lançado 6 anos ANTES:

Como se as coisas ainda não estivessem ruins o suficiente para Watch Dogs, a Ubisoft ainda realizou um downgrade gráfico no título, em comparação com o exibido durante a E3 2012, quando o game foi anunciado oficialmente.

assassins creed unityAlém do título ser claramente inferior em termos gráficos ao material de anúncio, jogadores encontraram os arquivos necessários para deixá-lo “igual ao vídeo da E3” dentro do código do jogo e um patch não-oficial foi divulgado pela Internet para quem quissesse experimentar a Chicago do game como promovida pelo marketing da empresa.

Essa atitude pegou muito mal entre os jogadores, especialmente quando algo mais ou menos semelhante foi feito com Assassin’s Creed Unity.

A Ubisoft resolveu limitar a resolução e a taxa de frames por segundo do novo título da franquia nos consoles da nova geração: tanto no PlayStation 4, quanto no Xbox One, o game roda a 30fps e 900p. Por quê?

Nós decidimos definir as duas versões com as mesmas especificações para evitar todos os debates e coisas do tipo. Não acho que seria justo com os fãs vender o mesmo jogo, mas com diferente leveis de experiência. Não daria pra fazer isso, mesmo com a natureza suave da série e com a escala do game no momento. Nós não carregamos Paris em nenhum momento. Não seria possível, na nossa cabeça nós estaríamos enganando os fãs ao fornecer uma versão menor do mesmo game“, disse o produtor Vincent Pontbriand.

Ou seja, um dos consoles da nova geração ficou para trás e a Ubisoft acabou nivelando por baixo a qualidade do seu próprio game por causa disso.

A declaração do produtor da franquia gerou muita polêmica e a empresa francesa teve de liberar uma declaração oficial pouco depois se explicando, dizendo que nunca “diminuiu a qualidade” do game para poder caber em todos os consoles.

O pior, porém, ainda estava para vir com o lançamento oficial do título, que revelou uma miríade de bugs e problemas técnicos dentro da Paris de Assassin’s Creed: Unity.

No momento de fechamento desse texto, a pesquisa por “assassin’s creed unity” no Youtube revelava mais de 48 mil vídeos relacionados, com diversas compilações e vídeos de reclamações de fãs, que estão chateados com as quedas de qualidade do jogo, problemas de colisão, falha do jogo quando o modo cooperativo é iniciado, o mesmo problema com as placas gráficas da AMD que Watch Dogs, etc…

A situação só fica mais sombria quando se descobre que a Ubisoft colocou um embargo nos jornalistas que receberam cópias do game para avaliação: a imprensa só poderia publicar suas opiniões sobre Assassin’s Creed Unity DOZE HORAS depois do lançamento do jogo. Não é difícil argumentar que a empresa francesa já sabia de todos esses problemas técnicos e queria escondê-los do público que pretendia comprar o game nas primeiras horas de lançamento.

O lançamento do título foi tão desastroso que as ações da Ubisoft caíram cerca de 9% no dia seguinte. Até o fechamento dessa matéria, as ações da empresa tinham reagido um pouco, mas ainda estão longe de recuperar o valor perdido com as primeiras horas de Assassin’s Creed: Unity.

A empresa francesa já trabalha em patchs para corrigir esses problemas.

A banalização da Ordem dos Assassinos

É verdade que desde o fim da história de Desmond e a despedida de Ezio que a franquia Assassin’s Creed não goza do mesmo prestígio de outrora, mas nunca ela perdeu tanta relevância como em 2014.

acrogue-top-headerAo todo, a Ubisoft lançou 4 jogos com a marca da Ordem dos Assassinos, remasterizou mais um e já tem um 6º no forno para sair até o fim desse ano fiscal (em Março de 2015).

Desses 6 jogos, o principal é Assassin’s Creed: Unity, o game que coloca a série oficialmente na nova geração, já que foi feito com uma nova engine e com focado apenas nos novos consoles da indústria. O seu lançamento decepcionou um pouco do ponto de vista técnico por causa dos problemas já citados, mas o título finalmente levou os fãs para um dos períodos históricos mais requisitados: a Revolução Francesa.

No mesmo dia a Ubisoft lançou Assassin’s Creed: Rogue, para PlayStation 3, PC e Xbox 360. O game também não vem sendo bem recebido pela crítica pelo fato de ter muitas, muitas semelhanças com Assassin’s Creed IV: Black Flag, deixando escancarada a ideia de que a necessidade da empresa francesa lançar uma versão de Assassin’s Creed por ano para os consoles faz com que esses games sejam apenas “modificações” de jogos anteriores, ao invés de títulos inteiramente novos.

Exclusivamente para iOS, a Ubisoft lançou Assassin’s Creed: Memories, um jogo de cartas baseado na sua franquia mais famosa. Novamente, problemas: o game não foi bem recebido pela crítica e mesmo sua avaliação mais positiva não deixa de bater bastante no título: “Não possui Assassin’s Creed o suficiente para agradar um novo público e não é diferente o suficiente para atrair fãs de jogos de cartas dos seus títulos habituais. Assassin’s Creed Memories é uma decepção“.

Ainda em dispositivos iOS foi lançado Assassin’s Creed: Identities, um jogo que permite que os seus jogadores criem e customizem assassinos na era mais prestigiada da franquia: a Itália Renascentista. A beta do game já foi lançada, mas apesar do bom conceito, não gerou muitos comentários por aí.

Por fim, uma versão HD de Assassin’s Creed Liberation (lançado no ano passado para o PS Vita) saiu para PS3, Xbox 360 e PC e foi o título mais bem sucedido da franquia em termos de crítica nesse ano.

O jogo que mais simboliza essa banalização de Assassin’s Creed é, paradoxalmente, o mais interessante em seu conceito: Assassin’s Creed Chronicles: China. Ainda não lançado, o game é uma espécie de spin-off da franquia passado na China e surpreende visualmente. O ponto negativo (não do jogo em si, mas do tratamento que a Ubisoft vem dando à série) é que a China Antiga era um cenário pedido por fãs há muito tempo e a Ubisoft prefere utilizá-la em um jogo menor ao invés de explorar com a profundidade que um título principal da franquia poderia dar.

Tantos jogos da franquia lançados de forma tão desleixada em tão pouco tempo só mostra que a Ubisoft parou de se importar com as características que fizeram a série ser o que é, e passaram a se importar apenas com a utilização da marca que já foi construída até aqui. É como se os períodos históricos deixassem de importar para os produtores – e uma das maiores provas disso é que a tão aguardada Revolução Francesa gerou muito pouco barulho e foi ofuscada pelos problemas de Assassin’s Creed: Unity.

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2014: um ano de sexismo para a Ubisoft

Lembra daquele jogo da Ubisoft onde o protagonista é um homem branco ranzinza, mas com um toque de sarcasmo, que é muito bom em parkour, assassinatos e matança enquanto faz parkour, além de se vestir de uma maneira muito estilosa com símbolos simples e claros em suas roupas, que serão utilizados posteriormente nos produtos da empresa?

Eu cito a famosa (e engraçadíssima) “The Ubisoft Game Review” apenas para introduzir o ponto de que a empresa francesa não é lá muito chegada na diversidade étnica ou de gênero entre os protagonistas dos seus games AAA, mas em 2014 a Ubisoft conseguiu deixar a linha do “não ajudar” e entrar no perigoso território onde se atrapalha a luta por uma maior diversidade nos video-games – especialmente em relação às mulheres.

ubisoft 2014 03Watch Dogs foi o game que mais trabalhou contra nesse sentido. Sua trama já era fina como uma folha de papel, mas veio recheada do famoso trope Fridging, um termo utilizado para designar quando uma história trata suas personagens femininas como bucha de canhão para mover o jogador do ponto emocional A para o ponto emocional B.

Fridging é um conceito criado há alguns anos, inspirado numa HQ do Lanterna Verde onde seu protagonista, Kyle Rayner, abre a sua geladeira e encontra sua namorada morta dentro. O conceito fala sobre como figuras femininas não são usadas como personagens, como pessoas nas tramas, mas sim como uma espécie de vetor que faz a trama mover, um objeto que gera arcos de vingança para o expectador/jogador.

Não é como se houvesse uma quantidade utilização de Fridging “aceitável” (não há), mas Watch Dogs abusa tanto dessa brincadeira que não dá mesmo para relevar e continuar jogando sem se sentir sujo por dentro – e esse parágrafo possui alguns spoilers sobre a trama do jogo. O game possui pelo menos 4 personagens masculinos em posição de poder, com vontades, objetivos e personalidades próprias e bem definidas; enquanto conta com 4 personagens femininas que não possuem NENHUM ponto na sua trama além de funcionar como objetos para o protagonista: a sua sobrinha morre na primeira cena para motivar a vingança do protagonista, sua irmã é sequestrada e tratada durante 90% da trama como uma daquelas cenouras penduradas que são usadas em desenhos animados para fazer animais se moverem; uma prostituta que abdica da sua própria liberdade para ajudar o protagonista apenas “porque sim” e Clara Lille que… ah, Clara….

E isso porque nós ainda nem citamos o fato de que side-quests e a própria trama principal do game possuem ligações com o abuso à mulheres e que poderiam facilmente exercer uma diferença em tempos de #GamerGate e do abuso que vem sendo sistematicamente feito à mulheres que se posicionam na luta por mais representatividade na indústria. O fato é que Watch Dogs tinha tantos ingredientes ali para fazer uma declaração em favor das mulheres, que sua trama machista dói muito mais na alma.

E então vem Assassin’s Creed: Unity e o fiasco do modo cooperativo que não possuía personagens femininas. Sim, é verdade que a explicação oficial da empresa faz sentido: como o modo é integrado com a campanha single-player, o jogador nunca “deixa de ser o Arno”, logo, não escolhe uma nova identidade para jogar com os amigos – são todos “Arnos” dentro da campanha e dentro do cooperativo.

Porém, o diretor técnico do jogo, James Therien, deu uma versão inicial diferente para a falta de personagens femininas nesse modo de jogo em uma entrevista ao VideoGamer:

Isso estava na nossa lista de funcionabilidades até pouco tempo atrás, mas é uma questão de foco e produção. Nós queríamos garantir que teríamos a melhor experiência. Uma personagem feminina significaria ter de refazer um monte de animações, um monte de roupas. Teríamos de dobrar o trabalho nessas coisas. Era algo que o time realmente queria, mas tínhamos de fazer uma decisão. É uma pena, mas é a realidade do desenvolvimento de um jogo“.

Será que criar uma versão feminina para o modo cooperativo do jogo realmente exigiria tanto trabalho que os NOVE times de desenvolvimento do jogo não poderia aguentar durante os DOIS ANOS de produção de Unity? Jonathan Cooper, animador da Naughty Dog e que possui games como Assassin’s Creed III e a franquia Mass Effect no currículo, discorda.

Ao Polygon, o animador revelou que seriam necessários entre 1 ou 2 dias de trabalho para poder contar com uma personagem feminina nesse modo cooperativo e que algo parecido já foi feito antes: em Assassin’s Creed: Liberation, que é protagonizado por Aveline de Grandpré, a Ubisoft usou os mesmos movimentos do protagonista masculino de Assassin’s Creed III:

Os jogos foram feitos juntos. Basicamente, você pega as animações do Connor e substitui por algumas animações-chave. Eles fizeram um trabalho bem esperto ali. Por exemplo, o Connor usa um tomahawk durante a luta e então eles deram uma arma muito parecida com o tomahawk para que todas as animações pudessem funcionar sem precisar mudá-las

No fim, não tem muita explicação porque a Ubisoft não poderia criar uma opção no menu do jogo onde os jogadores definiam se queriam aparecer como um assassino ou uma assassina nos jogos dos amigos.

A saída de Jade Raymond

ubisoft 2014 02Uma das mais proeminentes produtoras da indústria, Jade Raymond deixou a Ubisoft esse ano, após uma década de carreira com a empresa francesa.

Jade liderava o estúdio de Toronto da companhia, um estúdio que ela fundou há muito tempo atrás, e onde ela ajudou a estabelecer a franquia Assassin’s Creed como uma das principais da Ubisoft.

Atualmente, o estúdio não possui nenhum jogo oficial em desenvolvimento – o mais recente era o cancelado Rainbow 6: Patriots – o que significa que eles devem estar trabalhando em algumas novidades ainda secretas para o grande público.

Além de Assassin’s Creed, Jade trabalhou também em jogos como Watch Dogs, Splinter Cell: Blacklist e Splinter Cell: Conviction.

Eu passei 10 anos extraordinários na Ubisoft e estou muito orgulhosa de fazer parte de muitos dos melhores times na indústria, fazendo jogos verdadeiramente marcantes. Essa foi uma das decisões mais difíceis da minha carreira, mas o estúdio de Toronto está num caminho forte e sólido. Estou confiante que agora é um bom momento para fazer a transição de liderança no estúdio e perseguir minhas outras ambições e novas oportunidades“, explicou Raymond.

Apesar da saída da produtora não ser uma super-mega-hiper tragédia, a verdade é que não deixa de ser um baque importante pra Ubisoft, principalmente num ano com tantos problemas como nós já mencionamos por aqui.

Apesar de tudo, resultados financeiros positivos

Mesmo com tantos problemas, o ano financeiro da Ubisoft não está sendo negativo – na verdade, bem pelo contrário: a empresa vem com resultados financeiros bem positivos.

Em termos de lucros, as coisas estão muito bem: Watch Dogs foi um dos jogos mais vendidos do ano até o momento e, segundo um relatório financeiro da Ubisoft, o primeiro trimestre do ano fiscal de 2014-2015 teve um aumento de 300% de vendas se comparado com o ano anterior, gerando aproximadamente €310 milhões apenas em vendas de jogos.

Além de Watch Dogs, outros jogos da Ubisoft também renderam bem em vendas, como South Park: The Stick of the Truth, Just Dance 2015, Might & Magic X: Legacy e Child of Light. Não que algum desses jogos tenha sido um grande fenômeno de vendas – e apesar da gente não ter dados oficiais da Ubisoft – todos eles tiveram bons desempenhos em listas dos mais vendidos em diversos países e plataformas (como o Steam).

Isso porque ainda nem contamos que jogos como Assassin’s Creed: Unity, Assassin’s Creed: Rogue, Far Cry 4 e The Crew deverão vender balúrdios de cópias nesse fim de ano, não importando muito se estão ou não com problemas técnicos. Do ponto de vista de vendas, a Ubisoft não parece ameaça.

Nem do ponto de vista de ações – apesar da queda de 9% na semana passada, a empresa ainda está com grande desempenho nesse ano: as ações da Ubisoft aumentou cerca de 35% desde o começo desse ano até o fechamento dessa matéria; comparado com o mesmo período do ano anterior, o aumento foi de 40%.

Confira no gráfico (via Yahoo! Finances):

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Ou seja: apesar de polêmicas, complicações e problemas técnicos, a Ubisoft deverá fechar 2014 e o ano fiscal de 2014-2015 com ótimas notícias para seus acionistas. O que nos leva ao último ponto…

A Ubisoft é a nova EA?

Em um artigo recente, a revista Forbes crava que a Ubisoft é a nova EA. De acordo com Paul Tassi, autor do editorial, a empresa francesa está pegando alguns hábitos da rival americana, como o lançamento de games não-terminados e a adição de micro-transações nos seus produtos pagos.

O texto ainda compara as duas empresas dizendo que, apesar da EA ter aprendido com o lançamento falho de Battlefield 4 e outras pisadas de bola, a empresa está tentando conquistar a confiança do público novamente – enquanto a Ubisoft parece destinada a ocupar a “mesma posição” que a EA está deixando.

Mas isso precisa acontecer? A verdade é que o mercado está tecnicamente recompensando a postura da Ubisoft – a gente viu como o ano foi financeiramente produtivo para a empresa francesa. Porém, não tem como negar que sua imagem está manchada com seu público por causa dos graves problemas técnicos dos seus dois últimos jogos e por causa da completa banalização de uma das suas franquias mais populares, além de danos cometidos por polêmicas sexistas e a partida de um dos seus rostos mais conhecidos.

A esperança é que os responsáveis pela Ubisoft saibam evitar a armadilha de perceber que esses resultados financeiros não são uma recompensa pela maneira desleixada que a empresa tem conduzido seus jogos e sua participação social dentro da indústria, mas que representam um sucesso APESAR disso.

Todo mundo só tem a ganhar se for assim.

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