Multiverso | E se nós dividíssemos o planeta com outra raça inteligente?

Leandro de Barros

  domingo, 02 de setembro de 2012

Multiverso | E se nós dividíssemos o planeta com outra raça inteligente?

Para estrear o Multiverso, tentamos imaginar como seria o mundo se uma outra raça inteligente existisse por aqui

Artigo SuperMag: Esse artigo saiu com exclusividade na SuperMag #5. Conheça a nossa revista digital e não perca as próximas edições.


Você que está lendo essas palavras cravadas para sempre nesse arquivo digital deve estar se perguntando “o quê?” ou talvez apenas um “Dafuq”. Explicarei.

Além das notícias diárias, das críticas de cinema, dos gameplays comentados, dos dois podcasts semanais e da própria revista, o Supernovo também possui alguns blogs internos. Um deles, por exemplo, é o Combo 5, onde postamos artes conceituais de artistas, fanarts e material parecido.

O Multiverso será mais um desses blogs internos. “E como ele funcionará? Qual o seu objetivo?”, pergunta o impávido e corajoso leitor. O Multiverso será um blog para nós, do Supernovo, e vocês, do outro lado da telinha, darmos asas à imaginação. Só que menos frufru.

A ideia do blog é imaginar cenários “E se…” e tentar trabalhá-los um pouco mais. Por exemplo, vamos imaginar como seria o mundo “se o homem tivesse aprendido a voar no século XIV”. Partindo dessa premissa, nós criamos um cenário. Esse cenário será postado sempre no começo do mês e, depois disso, entra a participação dos leitores e dos outros colaboradores.  Para não deixar o mês inteiro sem conteúdo nenhum, nós publicaremos pequenos contos e histórias baseados nos cenários criados.

Então, em termos mais práticos, fica mais ou menos assim:

Postamos o cenário do mês durante os primeiros dias do mês. Depois disso, leitores e colaboradores podem enviar textos baseados naquele cenário para publicação. No começo do mês que vem, entra outro cenário e aí vai.

Contudo, para a ideia ir pra frente, é preciso a participação de todo mundo. Se você sempre quis escrever alguma coisa (eu sei que você sempre quis, não minta para mim), essa é a hora. Deixa de vergonha, arranja um tempo na sua agenda e ‘bora escrever, rapaz/mocinha!

Multiverso Planeta dos Macacos 02

E se… nós dividíssemos o planeta com outra raça inteligente?

Atualmente, o ser humano é a única raça inteligente do planeta Terra. Ok, ok, ignorância da minha parte, os outros animais também são inteligentes, cada um com o seu nível de capacidade.

Mas e se houvesse uma outra raça que tivesse se desenvolvido como a gente e criado sociedade, linguagem, tecnologia… enfim, que fosse “inteligente”, numa definição mais simples. Como seria a nossa vida? Como seria o nosso planeta? Pare um pouco para imaginar um mundo assim.

Pronto? Se você pensou numa Terra onde humanos e elfos convivem pacificamente, numa Terra onde nós viajamos por aí nas costas de dragões inteligentes ou numa Terra futurista onde pessoas azuis andam por aí, permita-me dizer que você deve ter tido uma péssima nota em História na escola. Exato, você não precisa imaginar muito porque nós já dividimos a Terra com outra espécie inteligente!

Não, eu não estou falando dos Reptilianos e não, eu não acho que os livros de Game of Thrones são reais. Me deixe terminar de escrever, rapaz. Pare de me interromper. Ora, francamente…

Enfim, voltando. Há uns 30 mil anos atrás, quando nossa espécie ainda engatinhava nessa história de “ser moderno” (nós já existíamos há muito mais tempo, mas ainda não era moda ser moderninho – eram outros tempos), quando impérios ainda não tinham sido forjados pela lâmina de guerreiros, quando máquinas não sobrevoavam o mundo e quando o Corinthians ainda não tinha sido campeão da Libertadores. Naquela época, os Homo sapiens (nós), disputávamos a Península Ibérica com os famosos Homo erectus. Eu estou tentando resistir bravamente para não fazer uma piada sem graça aqui, então vamos avançando.

Segundo os estudos arqueológicos que eu achei no Google, aparentemente os Homo erectus eram até um pouquinho mais avançados do que nós na época . Basicamente, eles eram mais fortes, mais musculosos, com o cérebro maior e ainda tinham maior resistência ao frio. Se eles eram tão pica da galáxia assim, porque nós não vemos um Homo erectus quando vamos até a padaria comprar um pãozinho? Bem, depende muito da região quem você frequenta (olha a piada sem graça aí), mas a verdade é que esses nobres seres já foram extintos há muito tempo, justamente quando eles deram de cara com nós, os fodelões que gerem essa pedra flutuante aqui.

Uma das razões atribuídas à nossa vitória contra os Homo Erectus (além da homofob… ok, ok, eu já entendi, tem “homo” no nome, que engraçadão) foi o período de gestação das fêmeas dessa espécie. Enquanto as nossas mulheres levam 9 meses para gerar um Homo sapienzinho (vulgo, um novo guerreiro), as mulheres deles levavam 12 meses pra criar um monstrengozinho. Isso aí, mulherada! Muito bem!

Mas vamos encerrar um pouquinho a aula de História e partir para a especulação. Nós já sabemos que dividimos a Terra (segundo os registros, por mais ou menos 500 mil anos) com uma outra espécie inteligente (espécie essa que gerou várias sub-espécies, inclusive uma chamada de “Hobbits” – juro). Os Homo erectus morreram, mas e se eles não tivessem morrido? E se eles tivessem evoluído junto com a gente para dividir o planeta?

Multiverso Planeta dos Macacos

Um planeta dividido, uma espécie mais unida

Ok, temos então duas espécies dividindo o planeta. A porrada é iminente, certo? Certo. Se nós já brigamos entre nós, imagine se nós ainda tivéssemos uma outra galera aí pra extravasar os nossos instintos mais violentos. Nós viveríamos em guerra durante milénios, séculos, anos, meses, semanas, dias e horas. Mais guerra do que já tivemos. Como resultado de toda essa violência, teríamos 2,5 cenários. Um deles, envolveria a extinção de uma das espécies (por isso que é 1,5) e o outro seria a trégua em algum momento. Como a extinção de de um dos dois não tem graça, vamos partir para o cenário da trégua.

Para tentar entender o “presente” desse cenário, precisamos olhar para o nosso passado. A sociedade ocidental se desenvolveu predominantemente na Europa,  se expandindo para outros continentes através dos barcos portugueses, ingleses, holandeses, espanhóis e afins. Depois disso, como boa erva daninha, essa “sociedade” absorveu outras sociedades e assim foi. Agora, considerando que nós dividíamos a Península Ibérica com eles (e a Península Ibérica é composta pela Espanha e por Portugal, caso você tenha dito uma nota tão ruim em Geografia como teve em História), nós podemos colocar um poder de “divulgação” igual em ambas as espécies. Isso geraria um mundo bem “misturado”. Não teria esse negócio de “na África só tem Homo erectus”, seria uma parada bem misturada. Como eles são mais fortes e com mais resistência ao frio do que nós, lugares mais inóspitos teriam mais propensão à ter Homo erectus, enquanto nós ficaríamos ali nos lugares mais tranquilos, como florzinhas que somos.

Como essa sociedade se desenvolveria? Bem, imaginem uma tribo. Quem manda na parada é normalmente o guerreiro mais forte (e eu estou inventando isso – é o guerreiro mais forte mesmo?). O que importa é que a nossa sociedade seria voltada ao militarismo. O exército vai mandar, já que estaremos sempre em guerra.

Renato Rusos uma vez disse “Uma guerra sempre avança a tecnologia, mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria”. Por mais que Russo não gostasse disso, as palavras dele possuem verdades. A busca incessante por novas formas de matar seres vivos acaba evoluindo a nossa tecnologia e duas sociedades forjadas no calor da batalha teriam muito disso. Por exemplo, é bem provável que Leonardo Da Vinci inventasse o avião nessa realidade. O avião E a bomba atómica. O avião, a bomba atómica e ainda tivesse tempo para sobrevoar uma cidade inimiga, jogar a bomba atómica de lá e voltar para a casa à tempo de terminar a Erectisa, retrato de uma moça Neandertal que ele conheceu nas trincheiras inimigas. Santos Dummont iria, muito provavelmente, gastar a sua fortuna na construção de uma armadura robótica, depois de ter sido sequestrado e preso numa caverna inimiga. Depois desse evento, ele se tornaria um super-herói, ao lado de Albert Einstein, que teria inventado o soro do super-soldado.

Ok, brincadeiras à parte, a sociedade evoluiria tecnologicamente muito mais rápido do que a nossa evoluiu, mas muito mais lentamente em termos humanitários. Sabe aquelas campanhas para ajudar na África ou ajudar as vítimas do Tsunami mais recente? Esqueça tudo isso. O maior gesto humanitário que poderíamos fazer seria jogar uma bomba nessa galera pra terminar o sofrimento deles.

Uma coisa a se levar em conta é que os Homo erectus desenvolveriam religiões, economia, política e artes distintas das nossas. Eles teriam pinturas, histórias e deuses diferentes dos nossos. Aliás, nós mesmos teríamos uma cultura diferente nesse cenário. É altamente improvável que pessoas como Shakespeare ou Van Gogh existissem nessa realidade. É o princípio da Teoria do Caos: se uma borboleta consegue causar um tufão na Flórida (uma Butterfree, provavelmente), imaginem o que uma espécie inteiramente nova não faria. Ou seja, digam adeus à Hamlet, Romeu e Julieta e A Noite Estrelada. Mas nós (e eles) teríamos gente tão capacitada quanto.

E acho que por hoje já deu de especular. Provavelmente veríamos um mundo cheio de tensão, cheio de regras, preconceito e guerra por muitos, muitos anos. É possível até que chegássemos à Marte e outros planetas bem antes do que chegaremos, é provável que destruiríamos o planeta numa hecatombe nuclear em 1829. Escolha a sua época e monte a sua história!


Solte à imaginação e envie seu conto (sem limite de tamanho) para o email [email protected]!


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