Multiverso | E se a nossa vida fosse uma sessão de RPG?

Leandro de Barros

  quarta-feira, 02 de janeiro de 2013

Multiverso | E se a nossa vida fosse uma sessão de RPG?

Mais um cenário do Multiverso é postado, levantando a questão: será que Deus joga dados com o universo?

Artigo SuperMag: Esse artigo saiu com exclusividade na SuperMag #3. Conheça a nossa revista digital e não perca as próximas edições.


Multiverso Dados

Você tem dado em casa?

Aah, o RPG. Não a bazuca, não o método de reeducação postural global, mas sim o tipo de jogo mais injustiçado desse Brasilzão. Infelizmente, nós precisamos de um pouco de teoria aqui, pra contextualizar bem para quem nunca jogou RPG.

Se você não sabe o que é RPG, nunca jogou ou tem uma ideia vaga mas realmente não conhece direito a bagaça, siga lendo. Se você já é um nerd do lado negro da força e manja de RPG, pode pular essa parte do texto. Ou não, todo mundo sabe que você curte ler tudo que eu escrevo. Quem não curte?

Então vamos lá.

O RPG basicamente nasceu de uma mistura curiosa. Um pouco (talvez mais do que “um pouco”) antes dos anos 60, o teatro de improviso e os jogos de tabuleiro (War, Banco Imobiliário, etc) estavam bem populares. Não demorou muito para alguém efectivamente misturar os dois.

Quem teve a ideia primeiro foram dois dos maiores ídolos da cultura nerd mundial: Dave Arneson e Gary Gigax. Os dois basicamente juntaram essa coisa de teatro de improviso com jogos de tabuleiro, adicionaram fantasia medieval e temperaram com esse ranço nerd que afasta a mulherada e, tcharan, nascia o Dungeons and Dragons, o sistema de RPG mais famosos de todos os universos. Depois disso, a parada foi se popularizando, se popularizando, sendo culpada por assassinos estranhos, se popularizando até chegarmos ao ponto de hoje, onde o RPG é adorado por multidões e considerado um esporte olímpico da maior relevância. Hahaha, RPG e esporte, numa mesma frase. Desculpem, vou falar sério.

Você deve estar se perguntando como se joga esse tal RPG. Para uma sessão de RPG, você precisa de 3 elementos: Cenário, Mestre e Jogadores.

O Cenário é, basicamente, o “mundo” onde o jogo vai acontecer. É uma espécie de realidade onde ocorre o jogo, com suas próprias regras, passado, presente e futuro, organização política e coisas do tipo. O mais famoso cenário, como já dito, é o Dungeon and Dragons, que é um cenário de fantasia medieval com guerreiros, princesas, elfos, magos e dragões. Para quem gosta de coisas mais góticas, existe o Vampiros (que coloca vampiros na época contemporânea), existe o Defensores de Tóquio para os fãs de cultura japonesa, etc. você próprio pode criar um cenário se quiser.

O Mestre é o responsável por “narrar” o jogo. Ele cria uma aventura baseada no cenário escolhido e vai narrando essa história para os outros participantes “jogarem”.

Por fim, os Jogadores. Cada jogador cria um personagem nesse cenário escolhido e o interpreta dentro da aventura narrada pelo Mestre. Para isso, os jogadores possuem alguns dados e fichas à disposição. Por exemplo, imagine que estamos jogando uma sessão de Dungeon and Dragons. Eu interpreto um anão guerreiro conhecido pela sua tradição de encher a cara de bebida antes de partir para a guerra. Pois bem, estou calmamente cumprindo meu ritual alcoólico, quando surge um Orc desembestado querendo confusão. A partir daí, preciso descrever minhas acções, rodar alguns dados que, combinados com informações do meu personagem e do meu adversário, vão determinar quem será o vencedor desse combate.

Então é isso. Mais ou menos explicado o que é um RPG, vamos avançar. Ah, uma coisa: Você não precisa vender a sua alma pro Diabo pra poder jogar. Mas se você fizer, você ganha uma espada vorpal +6 que é irada!

Multiverso RPG

Deus não joga dados com o universo?

Alguma vez você já sentiu que era uma espécie de marionete do destino? Seja tendo de reagir à aspectos que fogem do programado, seja fazendo coisas “por impulso”, alguma vez você sentiu como se algo estivesse interferindo com as suas decisões? Ou que talvez algo que era pra dar certo, dá errado. Ou o contrário: algo que era pra dar certo, dá terrivelmente errado.

E se, afinal de contas, Einstein estava errado e Deus, literalmente, joga dados com o universo?

O cenário desse mês do Multiverso aborda isso: e se a nossa vida é uma sessão de RPG e nós somos personagens controlados por algum tipo de ser? E se, em outra dimensão, existe um grupo de seres socialmente inaptos que, nesse exato momento, jogam uma partida de RPG conosco? E se nós somos personagens criados por algum deus-nerdão desocupado?

Eu sei o que você está pensando. “A vida já é um jogo de RPG onde nós interpretamos nós mesmos, seu mané”. Talvez. Mas imagine se não somos nós que jogamos com a gente. E se alguém toma essa decisão por nós?

Olhe para seu passado nesse momento e diga-me que você não consegue identificar um momento onde tudo parecia terrivelmente errado, mas você conseguiu consertar tudo com uma ação só. Lembre de quando você quebrou um vaso mas conseguiu ter a iluminação de culpar o cachorro. Ou quando você foi pego fazendo alguma merda na escola e conseguiu convencer a diretora a não chamar os seus pais. Olhe atentamente para o seu passado e veja se não há um único momento da sua vida onde você parece ter tirado um 20 no dado. Aquele momento onde tudo vai extremamente perfeito, um acerto incrível.

E o contrário também é válido. Me diga que você não tem um único momento da sua vida onde você falha tão miseravelmente que ainda hoje você se pergunta como foi possível algo desse tipo acontecer. Talvez você tenha ido atravessar a rua e conseguiu fazer com que três carros batessem. Ou você entrou em uma loja de vidros e porcelanas e tropeçou derrubando metade das estantes do lugar. Nunca aconteceu um branco terrível numa prova?

E se esses momentos são exatamente o que parecem ser: resultados extremos de uma rolagem de dado? Talvez o ser que joga com o seu personagem tenha tido muita sorte (ou muito azar) com os dados naquele momento. Se isso for verdade, só nos resta esperar não encontrar um mestre muito sádico por aí.

“Ok, mas como eu posso usar esse cenário numa história?”

Bem, como você tirou 12 no dado e tem +4 de persuasão, eu responderei. As aplicações práticas de um cenário desse tipo são enormes. Um dos pontos chaves a se perguntar é: como essas partidas ocorreriam?

Atualmente, é possível jogar RPG de várias maneiras diferentes. A mais tradicional foi a descrita acima: uma mesa, um Mestre e vários jogadores utilizando a imaginação e a criatividade para suas partidas.

Existe também uma modalidade chamada LARPG, que nada mais é do que o live-action role-playing game, ou seja, um RPG live-action, onde os jogadores se vestem e executam as acções do jogo. Pra completar, existe o RPG virtual de vídeo-games, mais familiar para algumas pessoas.

Na sua futura história, você pode aplicar qualquer um desses modos de jogo. Nós podemos ser descrições desses seres jogando em uma mesa de RPG normal. Se você gosta de ficção-científica, que tal imaginar uma espécie de Matrix onde os jogadores se conectam e passam a viver a vida dos seus personagens (no caso, nós)?

Os limites para ambientações nesse cenário são os mesmos dos limites de um RPG:  você só vai até onde a sua imaginação te levar.


Se você se interessou pelo cenário, não esqueça de escrever o seu conto (do tamanho que você quiser), BASEADO no cenário do mês e enviar para [email protected]. Nós teremos muito prazer em publicar a sua história no Supernovo.


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários