Hitman: Absolution – Review

Leandro de Barros

  segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

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Hitman: Absolution – Review

Hitman: Absolution tem tudo aquilo que fez a franquia famosa e agradará os fãs antigos da série.

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Desenvolvido pela IO Interactive  e publicado pela Square-Enix, Hitman: Absolution conta mais um capítulo da vida de um dos maiores nomes do mundo dos vídeo-games, o Agente 47. Dessa vez, o “assassino original” (como diz o material de divulgação do game) é designado com uma tarefa ingrata: matar Diana Burnwood, sua superior dentro da ICA, a agência de assassinos internacional. O que nem a ICA e nem o próprio Agente 47 esperavam era o último pedido de Diana ao assassino: proteger Victoria, uma misteriosa garota.

Agora, 47 terá de ir até as últimas consequências para manter a inocente Victoria à salvo, mesmo que isso signifique trair a ICA e arranjar briga com gente muito poderosa. Como não poderia deixar de ser, nós jogamos o mais recente capítulo da franquia Hitman e sobrevivemos para contar o relato. O mesmo não pode ser dito de quem cruzou o nosso caminho.

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“Um homem virá para te buscar…”

Eu preciso confessar que eu pensei em muitas maneiras diferentes de começar esse texto. Eu pensei em fazer um parágrafo introdutório com uma visão em geral de Hitman: Absolution, eu pensei em pincelar novamente a sinopse do game, eu literalmente pensei em mais de uma dezena de maneiras de começar a falar sobre o jogo. Vejam só: eu pensei até em fazer uma brincadeira relacionando a quantidade de maneiras que eu pensei em começar esse texto com a quantidade de maneiras possíveis de se cometer um assassinato em Hitman: Absolution. Porém, eu preciso ser honesto comigo mesmo e tirar um peso das minhas costas: QUEJOGODIFICILDOCARVALHO!

Ok, me sinto mais leve. Vamos lá!

Depois de Hitman: Blood Money, lançado em 2006 para PlayStation 2, Xbox, Xbox 360 e PC, a IO Interactive não demorou muito para anunciar que já estava trabalhando em um novo capítulo da vida do Agente 47. Foi em 2007 que Hitman: Absolution começou a ser imaginado na cabecinha dos desenvolvedores do estúdio, bem antes da Eidos Interactive (antiga publisher da franquia) ser comprada pela Square-Enix, mãe de Final Fantasy.

De lá pra cá, muita coisa mudou, o jogo ganhou corpo, engine nova e muito mais, até o seu lançamento oficial, no final de novembro de 2012. Hitman: Absolution finalmente mostra o Agente 47 dentro da Sétima Geração de Video-Games (o Blood Money pode ter saído pro Xbox 360, mas é da Sexta Geração no seu coração). Gráficos melhorados vieram com o preço de um novo sistema de jogo, algo que deixou alguns fãs com a pulga atrás da orelha. Não era por menos, Absolution não era apenas um novo game da série, era uma mudança de patamar e de plataforma. “Como o Agente 47 se comportará nesse novo campo?”, se perguntaram os fãs, sem estarem cientes de que ninguém usa termos como “novo campo” ao contemplarem tais questões existenciais.

Porém, bastava uma olhadela em um dos gameplays fornecidos pela IO Interactive para saber o que Hitman: Absolution tinha a oferecer. Arrisco dizer que os fãs mais antigos não sairão decepcionados da experiência proporcionada pelo novo game da franquia. Os fãs novatos no universo do Agente 47 podem se sentir tentados à entrar pela primeira vez nessa brincadeira, mas já deixo um aviso: você vai falhar.

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BANG! Você perdeu…

Você está numa Biblioteca e um esquadrão da polícia está te procurando. Nada para se preocupar, você já esteve em situações piores. Como um fantasma, você se move pelo local sem ser visto. Num piscar de olhos, dois policiais estão mortos e seus corpos escondidos. Tudo vai bem até você errar uma curva e dar de cara um terceiro policial. Pode até ser que você derrube o cara na porrada, mas não sem antes alertar dois outros agentes da lei, que se encarregam de passar a mensagem pelo rádio para o resto do esquadrão. Não demora muito e você está servindo como treino de pontaria da polícia de Chicago.

Ok, nada para se preocupar. Você tenta novamente, dessa vez ciente do risco naquela parte do mapa. Tudo vai bem e você até consegue evitar aquele terceiro policial, mas acaba caindo no ponto de visão de um outro tira que fazia patrulha. Avançando na história: você morre. E morre. E tenta de novo apenas para morrer novamente. Se irrita, faz besteiras e morre como iniciante. Tenta algo novo apenas para ter o resultado antigo. Desliga o jogo, mas volta 10 minutos depois porque “pensou numa estratégia brilhante”. Não preciso dizer que essa estratégia resulta em você morrendo. Esse ciclo se repete por algumas dezenas de vezes até você finalmente entender a movimentação dos seus adversários e conseguir solucionar esse problema. Ou passar por sorte, em alguns casos.

Seja como for, uma coisa é preciso dizer: Hitman: Absolution é difícil pra caramba. Muito. Mais do que muito. Muito mais do que outros jogos da mesma geração. A IO Interactive, desenvolvedora do game, realizou alguns testes métricos durante a fase de produção do jogo para chegar à uma conclusão: apenas 20% dos jogadores conseguirão terminar Hitman: Absolution. Após zerar o jogo, eu acho que 20% é uma estimativa muito bondosa.

Ok, eu só estou dizendo isso para valorizar o fato de ter terminado o game, mas Absolution é realmente difícil e desafiador. Para quem gosta de re-jogar um título atrás de melhores pontuações, prémios extras ou apenas pelo prazer de mais desafios, Hitman: Absolution será um prato cheio que te deixará ocupado por meses. Cada fase do jogo possui muitos segredos, maneiras diferentes de se cometer assassinatos, condições específicas para serem completadas, itens para serem encontrados, disfarces para serem vestidos. Tudo isso em nada mais, nada menos do que 5 níveis diferentes de dificuldade, cada um te chamando de franguinho por usar o anterior.

August 25th, 2012 @ 06:04:36

Mas você tem recursos!

Tá bem, pode tirar essa cara de chorão do rosto. Hitman: Absolution é difícil, mas não é impossível. Isso porque o game fornece recursos ao jogador. Muitos.

Vamos pegar por exemplo a segunda missão do jogo, quando nós precisamos matar o Rei da Chinatown de Chicago. Basicamente, temos um mapa relativamente simples, com um coreto no meio, onde está o alvo, “escondido em plena vista”. O jogador pode simplesmente andar até lá e colocar uma bala na cabeça do cara. Ou o jogador pode colocar um explosivo no carro do alvo. Ou pode se vestir como o traficante do alvo, levá-lo para um beco e matá-lo. Ou se disfarçar de um vendedor de comida de Chinatown e envenenar o alvo. Ou talvez subir até um apartamento perto e atirar no alvo como um sniper. Ou quem sabe se disfarçar de policial, entrar no coreto e matar o alvo. Ou jogar uma faca de longe e se esconder na multidão. Ou ad infinitum.

Cada missão possui várias possibilidades diferentes e você é avaliado pelo game de acordo com o seu estilo de jogo. Basicamente, você cumpre algumas condições e ganha pontos, você comete erros e perde pontos. Nasce aí um dos meus problemas com o jogo (são só dois, prometo). É lindo oferecer um mundo de inúmeras possibilidades, mas te recriminar tirando pontos porque você decidiu matar um policial para pegar o seu uniforme. Basicamente o game coloca o jogador em um parque de diversões mas o recrimina se ele não brincar como o Agente 47 brincaria. O que difere muito de, por exemplo, Dishonored, onde o jogador pode agir de qualquer maneira sem ser “punido” pelo jogo. É claro que são jogos diferentes e a franquia Hitman possui seu próprio estilo de jogo (que é justamente esse: fazer as missões sem ser visto), mas foi algo que me incomodou um pouco, especialmente porque eu fiquei com as palavras de Diana na cabeça “não o julgue pelo que ele poderá fazer” – e o jogo me julgava o tempo todo! Sei que alguns não se incomodarão (principalmente os fãs mais antigos da série), mas já estão avisados de que é assim que a banda toca em Hitman: Absolution.

E já que estamos falando em problemas relacionados à mecânica do jogo, eu vou jogar logo o segundo problema (esse sim um problema “de verdade”). Hitman: Absolution possui algo muito irritante que, infelizmente, não acho que seja um bug. Veja bem, eu já comentei que você irá falhar muitas vezes no jogo (que não possui um sistema de save disponível à qualquer momento). Até aí tudo bem, um desafio é sempre bom. Porém, em cada fase existe um ou dois checkpoints espalhados pelo mapa. O erro acontece quando você comete a asneira de ativar um desses checkpoints, porque quando você morrer (e você irá!), você renascerá exatamente no lugar do checkpoint! Parece lindo na teoria, mas é péssimo na prática, PORQUE TODO MUNDO QUE VOCÊ MATOU RENASCE JUNTO!

Exato, com a excessão dos alvos, todos as outras pessoas mortas durante a missão renascem com você no momento do checkpoint. Isso pode não parecer grande coisa aqui na análise, mas será na hora do jogo. Apenas um exemplo: em uma certa missão, eu estava em um prédio com dois andares. O checkpoint fica bem embaixo da escada principal. Eu já havia limpado o andar de cima, escondendo todos os corpos e ativei o checkpoint quando desci. Logicamente, eu morri um pouco depois e voltei para a escada, com todo mundo do andar de cima vivo. O problema é que logo na escada mesmo, já estão dois caras (um deles descendo) no andar de cima e dois no andar debaixo. Se eu mato o cara que está descendo, tenho um corpo sem ter onde esconder (perco pontos porque o jogo me julga) e ainda tenho três outros adversários me encurralando.

Além disso, o checkpoint ainda apresenta um outro problema sério. Em Hitman: Absolution, os inimigos espalhados pelo mapa são pré-programados para efectuarem certas ações quando o Agente 47 estiver por perto. Por exemplo, uma dupla de guardas vão começar a conversar sobre qualquer coisa quando o jogador estiver ali. Antes disso, eles continuarão com a patrulha ou ficarão parados. Se você vê uma dessas ações e depois morre, com um checkpoint ativo, quando você renascer, você NÃO verá essas ações. Será como se elas “já tivessem acontecido”. Esse é um outro problema seríssimo, porque em muitos casos, essas ações justamente fornecem cobertura ou alguma outra oportunidade para o Agente 47. Construir uma jogabilidade baseada em se aproveitar de falhas em sistemas de movimentação e colocar um “bug” desses é de uma maldade sem igual. Em muitas oportunidades, o jogador fica literalmente preso em alguma parte, porque a cobertura que ele tinha para avançar foi destruída com o checkpoint. A alternativa é acabar matando alguém, mas daí o game tira pontos do jogador (e essa é uma das razões pra eu odiar tanto essa história de tirar pontos por mortes).

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Mas vamos falar de coisa boa!

Já falamos dos problemas, que são poucos e não chegam a tirar os méritos do jogo. Hitman: Absolution é excepcional em cada aspecto que um game pode ser.

A sua história é realmente interessante. Como já dito antes, o Agente 47 precisa proteger a jovem Victoria, que é caçada pela ICA e pelo vilão Blake, que pretende “vender” a menina. Apesar de pouco espaço para os personagens brilharem, cada alma que cruza o caminho do Agente 47 ganha valor aos olhos do jogador. Além disso, a trama segue uma pegada cinematográfica bem interessante, apresentando ao jogador os três lados diferentes da história: 47, a ICA e Dexter. Nós vemos os três lados sendo manipulados (na falta de uma palavra melhor), por Birdie, ex-agente da ICA e especialista em obter informações.

A equipe de dublagem do game também cumpre muito bem o seu papel, contando com a presença de Marsha Thomason, da série White Collar; Isabelle Fuhrman, de Jogos Vorazes; Keith Carradine, de Dexter, além de David Bateson, reprisando o seu papel como o Agente 47.

Aproveitando o gancho da dublagem, parto para falar da sonoplastia do game, que REALMENTE faz a diferença na hora de jogar. Quando estamos jogando Absolution, somos realmente manipulados pela parte sonora do jogo. É muito difícil não ficar tenso de verdade quando sobe uma música de suspense, sempre que estamos nos esgueirando perto de algum inimigo.

Para fechar a conta e passar a régua, Hitman: Absolution tem tudo aquilo que fez a franquia famosa e agradará os fãs antigos da série. Tem Ave Maria, é bem desafiador, te deixará entretido por um bom tempo, vem com uma boa história e uma jogabilidade excelente. Para os fãs novatos, o jogo também é recomendado. Desde que você não se importe em apanhar bastante pra aprender a ser um Hitman.

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