O Lido, o Desconhecido e o Clássico
Regina Umezaki

Regina Umezaki
@reginaumezaki

  quinta-feira, 09 de maio de 2013

O Lido, o Desconhecido e o Clássico

Um livro que todo mundo leu, um que pouca gente conhece e um clássico, só para começar. Algumas curiosidades sobre Harry Potter, de J. K. Rowling, um pouco de informação sobre Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, e uma leve puxação de saco para o lado de Laranja Mecânica, de Anthony Burgess.

Laranja McKeanOu então “Laranja Mecânica deseja a Harry Potter um Feliz Ano Velho!”. O que soar melhor.

Provavelmente o maior problema de começar a colaborar com um blog literário é saber de que livro falar primeiro. A gente pensa nos últimos que leu ou nos que dão mais ibope; Em geral, falar de Harry Potter, Jogos Vorazes, Crepúsculo ou algum livro do Scott Westerfeld dá bastante feedback (para bem ou mal). O problema é que esses livros dão ibope porque todo mundo já leu (bem, em geral, todo mundo pelo menos sabe do que se trata…).

Embora boa parte da finalidade de um blog/site literário seja trocar idéias sobre determinados títulos, o que requere que os outros já tenham lido, apresentar novidades ao público também é do interesse de quem escreve. É a forma que encontramos de nos sentirmos relevantes na formação de opinião ao nosso redor.

Então, eis o dilema: Vamos começar falando de um livro que todo mundo já leu ou de um que ninguém sabia que existe? Já que nem sempre dá pra chegar com um BANG!, atirando queixos ao chão e soltando cultura pelos poros, o jeito é falar um pouco de cada coisa e rezar para o deus de sua escolha. Bora lá então.

O livro que todo mundo já leu, obviamente, é Harry Potter. Quem não leu, já viu, e quem não viu já ouviu falar. A saga de sete livros escrita pela britânica J. K. Rowling foi um marco tão grande na literatura infanto-juvenil que falar sobre leitura sem falar sobre eles é heresia passível de fogueira (não que fogueiras sejam um método eficiente, principalmente se você for um bruxo.).

Nos últimos meses, se tornou meu projeto pessoal reler todos os livros em inglês, e acabei descobrindo coisas estarrecedoras: A narrativa no original (bem, provavelmente com algumas mudanças pequenas do inglês britânico para o americano) é muito mais mágica e deliciosa do que a tradução. Além disso, há algumas traduções de nome e mudanças de dialeto. As que me deixaram mais surpresa foram o nome de um dos Weasley (tive que procurar na Wikipédia para descobrir quem era o tal Bill dos livros em inglês. No português, ele virou o Gui). Além disso, Hagrid tem um sotaque forte que é transcrito como falado no inglês, mas traduzido para o português correto. No entanto, pormenores deixados de lado, a série é super recomendada em ambas as línguas; A capacidade da autora de contar atrocidades (como o tratamento que os Dursley dispensam a Harry Potter, entre outras coisas) com um humor singular torna a história ainda mais atraente, e o mundo mágico que ela criou acaba se tornando tão real que causa uma tristeza solene em todo mundo que sabe que é trouxa. Eu espero minha carta de Hogwarts mesmo sendo, tipo, 10 anos velha demais pra ir pra lá.

O livro que ninguém leu, ou que poucas pessoas conhecem (ou então sei lá, vai ver eu falo com as pessoas erradas), é Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva. O livro não tem um plot definido nem uma jornada completa; Conta a história do próprio autor, que num dia desafortunado resolveu mergulhar em estilo ‘Tio Patinhas’ apenas para descobrir que o lago não tinha profundidade. Lesionou uma vértebra e virou tetraplégico.

Na verdade, o livro foi bestseller na época de lançamento, mas resolvi citá-lo aqui porque ele é de 1982, e de lá para cá muita gente nasceu e aprendeu a ler. A linguagem é coloquial e o narrador não é nenhum exemplo: Paiva se descreve e se assume meio machista, imaturo e cheio de pré-conceitos (que resolvi escrever assim ao invés de ‘preconceitos’ por pura semântica), muitos deles quebrados durante os eventos narrados – o despertar na UTI, a fisioterapia, a aceitação da nova condição, a adaptação ao novo corpo que não sente ou responde, a percepção da fragilidade, readaptação às novas limitações e busca da independência. Feliz Ano Velho também oferece um pequeno vislumbre político, principalmente nas lembranças que o autor tem do pai, que um dia foi levado por militares para nunca ser visto novamente. Enfim, a história é levada com muito humor e boa-vontade, mesmo que os acontecimentos sejam trágicos. Não é uma lição de vida (ou talvez seja, de uma maneira não óbvia), mas o clima de conversa leitor-autor que rola durante a leitura deixa claro que não é essa a intenção.

O Clássico Nadsat Horrorshow, que na verdade seria apenas ‘O Clássico’, aquele livro antigo que as pessoas pegam quando já sentem que tem uma maturidade maior e mais paciência pra leitura. O “Nadsat Horrorshow” é apenas para deixar bem claro que estamos falando de Laranja Mecânica, de Anthony Burgess. Apesar de a história ter sido publicada inicialmente em 1962, ela ainda será atual por muito tempo, talvez pelo tema principal; Amadurecimento e violência. Essa é a história de Alex, adolescente e líder de uma gangue. À noite, por diversão, eles cometem todo tipo de atrocidade, desde roubo até estupro – e, em arroubos extremistas, assassinato. Muita gente já conhece a história por causa do filme – eu não o vi. Desculpa aí, sociedade! Mas o livro é muito bom. Não é recomendado para pessoas muito ‘preto-no-branco’, porque a narrativa é do ponto de vista do próprio protagonista, e apesar de praticar maldades, nem sempre ele parece ser mau. Laranja Mecânica tem uma linguagem toda própria, um vocabulário singular cheio de termos diferentes criados pelo autor especialmente para causar estranhamento durante a leitura. A edição brasileira é da editora Aleph e tem um glossário no final, coisa que nem o original traz (além de notas sobre a tradução, com explicações do porquê de termo X e Y e qual o processo de raciocínio dos tradutores para chegar a eles). Além disso, a edição especial de 50 anos tem outros extras, incluindo ilustrações de Dave McKean (mais conhecido por seu trabalho em Sandman, de Neil Gaiman), Oscar Grillo e Angeli.

Há, naturalmente, muitos outros livros que eu gostaria de indicar logo de cara, mas daí eu ficaria sem assunto pelo próximo mês. No entanto, deu pra falar do conhecido, do desconhecido e do clássico, o que já deixa uma sensação de missão cumprida. E aí, alguém já leu algum dos três (pelo menos Harry Potter, né…)?

Informações extras:

bananabooks 1 01Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva

  • Biografia e Memórias e Ficção
  • ISBN: 8573027886
  • Lançamento: 15/06/2006 (Editora Objetiva)
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: 14 x 21
  • 272 páginas
  • Preço: 39,90

bananabooks 1 02Laranja Mecânica, de Anthony Burgess

  • Edição Especial 50 Anos
  • ISBN: 978-85-7657-136-0
  •  Tradução: Fábio Fernandes
  • Edição: 1ª
  • Ano: 2012, Editora Aleph
  • 352 páginas
  • Acabamento: Capa dura
  • Formato: 16x23cm
  • Preço: 79,00

bananabooks 1 04Edição Comum

  • ISBN: 978-85-7657-003-5
  • Tradução: Fábio Fernandes
  • Edição: 1º
  • Ano: 2004, Editora Aleph
  • Número de páginas: 224
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: 14x21cm
  • Preço: 36,00

bananabooks 1 03Harry Potter e a Pedra Filosofal (primeiro da série), de J. K. Rowling

  • Tradução:Lia Wyler
  • ISBN:85-325-1101-5
  • Páginas:224
  • Formato : 14 X 21
  • Série : Série Harry Potter, de J. K. Rowling
  • Coleção : Rocco Jovens Leitores
  • Preço : R$ 38,50

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