Cinco Livros Avulsos
Regina Umezaki

Regina Umezaki
@reginaumezaki

  quinta-feira, 03 de outubro de 2013

Cinco Livros Avulsos

Cansei de séries, sagas, trilogias, continuações, prequels e qualquer outra denominação que implique na existência de mais de um livro. Vamos bater um papo bem direto sobre livros que começam e terminam em si mesmos; Vamos falar de standalones.

Com essa onda de sagas, séries, trilogias e etc., eu tenho tido uma dificuldade imensa em encontrar livros avulsos para ler. Será que querer uma história com começo, meio e fim num único livro é pedir demais? Não, não é. Então, já que eu resolvi falar de cinco livros, mas não encontrei ainda um tema bom, resolvi falar de cinco títulos que, em comum, só tem o fato de não terem continuação.

amanha vc vai entenderAmanhã Você Vai Entender

Escrito por Rebecca Stead, esse livro é curto, simples e surpreendente. Conta a história de Miranda, uma garota que é, em geral, bem comum. Ao longo da narrativa, no entanto, descobrimos que ‘comum’ não é exatamente uma boa palavra para descrever Amanhã Você Vai Entender. A história se desenrola de tal maneira que envolve o leitor num mistério cheio de pequenos detalhes com conclusão completamente inesperada.

Além de discorrer sobre os dilemas da (pré) adolescência, a dificuldade em fazer novos amigos, a necessidade de viver novas experiências e o dia-a-dia de Miranda, o livro intriga pelas pistas colocadas habilidosamente ao longo da narrativa, que se amarram num final muito bem encaixado.

Amanhã Você Vai Entender é tradução de WhenYouReach Me, e foi lançado no Brasil em 2011 pela editora Intrínseca.

fahrenheit-451Fahrenheit 451

Clássico de Ray Bradbury, Fahrenheit 451 voltou a ser comentado com mais freqüência, principalmente, pela onda de distópicos que está fazendo sucesso. Obviamente, não é apenas por isso, mas também porque, claro, é bom.Trata-se de um livro perceptivo que fala de uma realidade na qual a sociedade se entregou ao supérfluo; Mais do que isso: foi dominada por grandes telas, botões e interruptores, chegando ao ponto de abolir a leitura e queimar os livros, o que praticamente criminaliza a cultura e o estudo. Nesse contexto, o autor apresenta Guy Montag, um bombeiro – uma versão de bombeiro que, ao invés de apagar incêndios, queima brochuras. Durante a história, ele passa a questionar a necessidade de incendiar e destruir, o que incomoda as pessoas ao seu redor.

O autor cria situações interessantes e linhas de pensamentos bem construídas, tornando possível ao leitor traçar paralelos com a sociedade real, e mesmo tendo sendo de 1953, o livro continua atual, e continua fazendo sentido.

jogador no 1Jogador Nº. 1

Provavelmente quem acompanha o Supernovo sabe que Jogador Nº. 1, de Ernest Cline, é um livro fortemente indicado por muita gente da equipe, mas vale a pena reforçar. O livro é a história de Wade Watts, em 2044. É um distópico que se passa num universo já devastado, com problemas de infraestrutura e níveis catastróficos de pobreza. A realidade é tão ruim que a maior parte da população prefere viver através de OASIS, uma plataforma online de vida virtual na qual eles trabalham, estudam e se divertem sem sair de casa.

A partir do momento em que James Halliday (o criador do OASIS) morre, começa uma caça ao tesouro desenfreada em busca dos easter eggs que levam a um grande prêmio: tornar-se herdeiro de sua fortuna.

Jogador Nº. 1 é um livro cheio de referências à cultura dos anos 80, época em que Halliday foi adolescente; Para quem viveu nessa época pode até ser mais interessante, mas quem chegou nos anos 90 ou depois ainda pode se divertir muito. O livro é dinâmico, afiado, bem estruturado e difícil de largar antes de terminar.

idade dos milagresA Idade dos Milagres

Escrito por Karen Thompson Walker, esse livro é narrado por Julia, que conta ao leitor sobre a época em que tinha 11 anos e a rotação da Terra começou a desacelerar. O fenômeno torna dias e noites mais longos, afeta a gravidade da terra e coloca a natureza em cheque. Ao mesmo tempo, acompanhamos o amadurecimento da narradora, que começa a lidar com o que não é exatamente uma perda de inocência, mas o ganho da malícia. Quando escrevo ‘malícia’, porém, não me refiro a nada sexual, e sim a uma consciência de que o que se acreditava na infância não é exatamente o que parecia ser, ainda que esse conhecimento não torne as atitudes da personagem menos características de uma criança ou pré-adolescente.

A narrativa tem um quê de poesia e tristeza, ainda que seja permeada de esperança. Do primeiro amor à dor do luto, a autora conduz o leitor com suavidade e conta uma história que prende e faz refletir.

marinaMarina

Obra de Carlos Ruiz Zafón, Marina se passa em Barcelona no ano de 1980. A história é contada por Óscar Drai, na época um adolescente, hoje um adulto organizando suas lembranças.

Com a habilidade característica, o autor usa as lembranças de Óscar para narrar uma história fantástica de mistério e aventura envolvendo não apenas a Marina que dá nome ao livro, mas vários outros personagens com suas próprias histórias de amor, loucura e desgraça. Carlos Ruiz Zafón escreve livros que, conforme explicado por ele mesmo, gostaria de ter lido quando era mais novo. Suas histórias, no entanto, envolvem não apenas aos jovens, trabalhando de maneira agradável a leitores de uma faixa etária tão ampla quanto sua maestria com palavras.


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários