Supernovo Entrevista – Behold Studios, os criadores de Knights of Pen & Paper

Thiago Alencar

  quarta-feira, 24 de julho de 2013

Blog /// 8Bits 8Bits

Supernovo Entrevista – Behold Studios, os criadores de Knights of Pen & Paper

Conversamos com o pessoal da Behold Studios sobre o sucesso de Knights of Pen & Paper, o cenário independente no Brasil, publicação na PSN e sobre Chroma Squad, novo game dos caras

Behold

O pessoal da Behold Studios | Foto: www.beholdstudios.com.br

Olá amiguinhos do Supernovo, estamos aqui novamente para mais uma 8Bits, dessa vez com algo um pouco diferente. Vocês sabem que nós temos procurado apoiar a cena de produção de games brasileira e, dando continuidade a essa idéia, a gente traz hoje uma entrevista com o pessoal da Behold Studios, responsáveis pelo sucesso chamado Knights of Pen & Paper (disponível no Steam) e pelo vindouro Chroma Squad (que teve sua campanha no Kickstarter iniciada).

A Behold é uma developer residente em Brasília, fundada em 2009 por Saulo Camarotti e Pedro Guerra e que já foi indicada e premiada em diversos prêmios para desenvolvimento indie e que chamou a atenção em vários dos maiores sites de games do mundo (Kotaku, IGN, EuroGamer e outros), chegando a ter seu Knights of Pen and Paper indicado como melhor RPG mobile já feito.

Nessa conversa com o CEO, Programador-Chefe e Produtor da Behold, Saulo Camarotti, falamos sobre o processo de desenvolvimento de games, a repercussão dos jogos e das críticas, seus planos pro próximo jogo do estúdio e mais.

E, pra comemorar nossa primeira entrevista, temos uma surpresinha pra vocês. O Supernovo vai sortear uma chave de ativação de Knights of Pen and Paper +1 Edition no Steam. Pra saber como participar, é só dar uma chegadinha no final do post.

KoPP 02

Supernovo: A Behold tem se destacado por obras muito influenciadas pela cultura pop e pelo tom mais leve de seus jogos. De onde saiu a idéia de trazer isso para os seus jogos?

Saulo Camarotti: No fundo não foi uma coisa pensada. Pois somos assim, e isso transmite nos nossos jogos. Desde de que começamos a fazer os jogos que desejamos e queremos jogar também, a nossa personalidade cheia de brincadeiras, piadas e nerdices transpareceu. Nascemos no final da década de 80, então, toda essa cultura pop fez parte da nossa infância, e adoramos mesclar ela com um tom mais contemporâneo de se fazer jogos.

SN: Com o crescimento do mercado brasileiro, mais e mais produtoras começam a surgir por essas terras. Como foi o processo de desenvolvimento dos primeiros jogos pra vocês? Como foi pra se adaptar a linguagem usada por vocês e, se possível, quais as principais dificuldades encontradas por vocês no começo?

SC: Nós começamos em 2009, bem perdidos. A sensação é de que sabíamos o que queríamos fazer, mas a empresa começou muito sem foco, sem rumo, tentando um pouco de tudo. No final era tudo game, mas todos muito diferentes entre si. Com o tempo fomos ganhando habilidades, participando de concursos, ganhando prêmios, fazendo jogos, e fomos encontrando um pouco mais do que somos nesse meio.

Como desenvolvedores independentes, a grande dificuldade é motivar a equipe a buscar esse sonho, mesmo passando por dificuldades financeiras, empregos paralelos, e outras problemáticas que surgem no caminho. Mas tudo é uma grande experiência, e tiramos muito aprendizado disso tudo.

SN: O nome da Behold é uma constante nas várias Global Game Jams. Como é a experiência pra vocês de estar envolvidos em algo tão grande? Como vocês conseguem perceber a comunidade de developers nesses eventos?

SC: Nós adoramos Game Jams! Fazemos vários ao longo do ano, e isso nos faz produzir ainda mais. BitBitMachine, Monster Jam, The Story of Choices, são todos jogos feitos em game jams, e nos orgulhamos tanto quanto os outros que fizemos em muito mais tempo. O Global Gam Jam é um ótimo evento, pois sabemos que estamos todos juntos naquele momento, com sedes no mundo inteiro, fazendo jogos divertidos e interessantes. Também gostamos do Ludum Dare, Indie Speed Run, dentre outros.

SN: Sobre Knights of Pen and Paper, como vocês receberam o sucesso alcançado pelo jogo? Como foi o processo de publicar o jogo no Steam e qual a sensação de vocês ao ver o jogo tendo sucesso numa plataforma tão amada pelo publico? Vocês tiveram algum receio em publicar o jogo pra android e pc, plataformas tão estigmatizadas pela pirataria?

SC: Knights P&P apresentou resultados muito além do esperado. Antes mesmo de ir para o Steam, lançamos no iOS e no Android por conta própria, e essa experiência já foi demais! Ganhamos o IGF 2013 – Student Showcase, ganhamos vários prêmios no SBGames, e isso nos trouxe muita motivação para continuar trabalhando. Depois veio o Steam, com a Paradox e nossa nova versão +1 Edition, corrigindo diversos elementos do jogo e adicionando muitos outros bacanas.

Nunca tivemos receio de pirataria. Nosso mercado é o mundo, e somente alguns poucos países como o nosso que consomem praticamente tudo do mundo pirata. Vendemos em mais de 90 países, e nunca tivemos problema com isso. E afinal de contas, se o nosso jogo é pirateado, é porque é bom, e tem mais gente gostando e curtindo de jogar. (risos)

Chroma Squad, novo projeto da Behold

Chroma Squad, novo projeto da Behold

SN: Com KoPP e o vindouro Chroma Squad, é bem clara a paixão de vocês por meta-games. De onde saiu a idéia de fazer um jogo sobre pessoas jogando RPGs de mesa? E sobre um estudio independente de sentais?

SC: A ideia do Knights surgiu quando pensávamos como seria um jogo de RPG em sua mais pura forma. Pensamos em diversos RPGs até que veio a ideia: um manager de RPG de mesa. Isso explodiu na nossa cabeça, e simplesmente a partir daí tudo o que queríamos fazer e jogar era o Knights.

O Chroma Squad surgiu do tema tokusatsu. Uma pessoa da nossa equipe disse “queria fazer um jogo de super sentai e robôs”. Essa ideia nos deixou muito inquietos. “Nossa, que tema genial, dá pra fazer muita coisa.” Então foram surgindo as ideias, e quando surgiu a ideia do estúdio de TV, da mesma maneira que aconteceu com o Knights, a única coisa que pensávamos dali em diante é quando poderíamos jogar o Chroma Squad. (risos)

SN: Chroma Squad teve seu Kickstarter iniciado poucos dias atrás (na segunda-feira, 22/07/2013). O que vocês podem nos dizer sobre o jogo? Por que seguir pelo caminho “incomum” de um RPG Tático?

SC: Muita coisa foi dita na nossa campanha do Kickstarter, mas digo que ali se apresenta apenas 20% do que será o jogo. São tantas ideias e features que vamos colocar, que fica difícil descrevê-lo por completo aqui. Mas a ideia do RPG tático vem de trazer algo familiar aos jogadores de RPG, e quando você controla um grupo de super sentais faz todo o sentido você poder controlar um a um, logo, a ideia do tático é primordial pra nossa movimentação e batalha dentro de jogo.

SN: No texto do próprio Kickstarter vocês falam sobre a possibilidade de ter o jogo publicado na PSN. De onde partiu da idéia? Pra quais plataformas vocês pretendem lançar o jogo e quais os desafios vocês tem enfrentado em lidar com esses kits de desenvolvimento?

SC: A ideia da PSN veio de uma abertura da SONY para os jogos indies nesse ano. Com o anúncio do PS4, existe agora a possibilidade de publicar os jogos na PSN por nossa conta, sem precisar de uma publisher. Então, incluímos a PSN dentro das opções que consideramos, que atualmente é PC, Mac, Linux, Tablets iOS e Android, OUYA e PSN. Quem sabe a Microsoft não abre suas portas indies também para o Xbox One. – [NOTA DO EDITOR: notícias de hoje afirmam que a Microsoft vai abrir as portas do Xbox One]

Nós trabalhamos com Unity 3D, uma ferramenta que permite construir o mesmo jogo para diversas plataformas. Logo, todas essas são contempladas, e não perdemos tanto tempo assim de produção.

SN: Como um site de cultura pop e consumidores da mídia, nós nos acostumamos a consumir reviews e críticas como algo “frio”. Como é pra vocês lidar com o estar do outro lado da crítica? Foi estranho ver outras pessoas analisando as obras de vocês, sabendo de todas as dificuldades que passaram no desenvolvimento? Isso mudou a visão de vocês pra análises de jogos de outras produtoras?

SC: Quando você se coloca no lugar do developer, e começa a produzir jogos, você automaticamente passa a considerar diversos outros fatores que antes não considerava. Nós temos a visão por trás da cortina, e sabemos o quanto é difícil fazer jogos. Mas nessa crítica toda que recebemos, o pior mesmo vem das pessoas que simplesmente não gostam porque não gostam, como dizem na internet, “Hates gonna Hate”. Eles perdem muitas oportunidades com essa postura, e muitas vezes deixam de jogar um grande jogo por puro preconceito.

KoPP 01

Ok, agora você conhece a Behold e conhecimento é metade da batalha. Deve estar com vontade de jogar Knights of Pen & Paper pra conhecer o trabalho dos caras. É nesse momento que nós entramos com amor e carinho para fazer o que só um amigo faria: vamos sortear uma chave de Knights of Pen and Paper +1 Edition (pra PC!), cortesia dos fofinhos da Behold.

Para participar, basta seguir o procedimento padrão por aqui. Através do Rafflecopter (aplicativo abaixo), basta cumprir algumas tarefinhas marotas para ganhar entradas no sorteio. Quanto mais entradas, mais vezes o seu nome no sorteio e maiores as chances de Vossa Senhoria levar a key do jogo pra casa.

Não tem como errar (mas se tiver alguma dúvida, diga por aí que a gente ajuda!).

a Rafflecopter giveaway

Sobre » 8Bits


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários