Review Mad Max

Isento de amarras mas ainda assim não é uma obra prima

Eder Augusto de Barros
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  terça-feira, 29 de setembro de 2015

Essa review foi feita também em vídeo que pode ser assistido aqui, ou no fim do artigo.

Falar que o jogo da Avalanche Studio, é o melhor game baseado em algum filme é chover no molhado. Num universo cheio de adaptações enfadonhas de filmes para o mundo da jogatina, Mad Max reina absoluto. O fato de não ficar se preocupando com conexões com os filmes, ou com re-criar com exatidão cenas que vimos nas telonas, apenas referenciar ou usar como mecânica, isso torna o game publicado pela WB Games algo bem acima da média, bem divertido.

A aventura de Max Rockatansky na nova geração de consoles começa quando ele é atacado por um grupo de war boys e o vilão Scabrous Scrotus, e ali, nós já vemos que o jogo não está para brincadeira, com cutscenes bem sanguinolentas. A cena de abertura tem um pouco de Mad Max: Fury Road, onde o personagem título também tem seu carro roubado. Max fica então sem carro e suprimentos, no meio do deserto, até que encontra Chumbucket, um corcunda que vê no Sr. Rockantansky um “escolhido”.

A missão de Max então é construir um novo carro, o Magnum Opus, a máquina absoluta do deserto, e para isso ele vai contar com o conhecimento mecânico de Chumbucket, e com a sua própria loucura. No jogo começamos apenas com um chassis e temos de recolher sucatas para ir construindo, melhorando e equipando nosso Magnum Opus. Esse é o grande objetivo do jogo, conseguir sucatas, que é tipo uma moeda, e melhorar tanto o carro quanto o personagem. Porém, além das moedas, temos a figura mística do Griffa, uma espécie de mago andarilho na falta de uma melhor explicação, que está constantemente mudando de lugar e proporciona a Max um leque de habilidades físicas e psicológicas. Ou seja, ao completar missões você ganha tokens de Griffa para trocar por essas habilidades. Fica a dica que você pode melhorar em percentagens o quanto de dano os ataques de Max causam, ou o quanto de água ele consegue das fontes, ou ainda quanta sucata ele ganha quando destrói um carro.

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Max geralmente vai estabelecendo bases ao longo do seu percurso pelo deserto, e a primeira delas é o Forte do Jeet, essas bases são o lugar seguro para Max e a fonte de algumas missões da história. Algo interessante desses locais são a possibilidade de ampliar a base com peças de projetos que vamos ganhando ao longo do jogo. Esse projetos ajudam e muito na trajetória de Max. Por exemplo, você pode construir uma fazenda de larvas e toda vez que você volta para base, o que pode ser feito com uma viagem rápida, a saúde de Max é restaurada. Ou ainda, um Arsenal, que vai recarregar automáticamente as balas no cinto do personagem quando ele voltar para base. E eu destaco como avanço prioritário, sério, assim que você puder procure as peças do projeto da Equipe de Limpeza (Cleanup Crew), esse projeto basicamente te poupa 60% de tempo porque sempre que você destruir um carro não precisa mais parar o seu carro, descer, e pegar as sucatas dropadas, a Equipe de Limpeza faz isso pra você.

Um grande ponto positivo de Mad Max é não estar preso dentro de amarras dos filmes e ainda assim conseguir dar a completa sensação de estar dentro do universo criado por George Miller. Mesmo que Immortan Joe ainda exista e que alguns personagens dos filmes sejam citados, não existe um background obrigatório. Ainda que seja canônico.

Apesar de não ter o tom de cores saturadas, cheias de contrastes e calor de Mad Max: Fury Road, todo o resto o jogo tem, mesmo que nunca dependa de nada visto nas telas, esse é muito legal para os fãs do mundo pós-apocalíptico que Miller criou.

Se eu falar que Mad Max é genial, estarei mentindo. Mas se falar que é ruim também. O jogo é um ótimo divertimento e tem pontos altos na sua estrutura, como a batalhas com carros por exemplo, que é o grande destaque do jogo. O modo que permite usar seu veículo para batalhar contra outros possantes em uma corrida é ótimo, consegue transportar na perfeição o que foi visto no filme Fury Road para os consoles. É um modo bem variado e não se resume a só bater nos carros, que eu até acho o mais legal, mas existe um leque de possibilidades como usar um arpão para furar o pneu, chegar lado a lado e puxar o motorista do outro carro pra fora, atirar, explodir o tanque de combustível, enfim, é um estilo bem livre e que emula muito bem o que vimos nas telonas.

Por outro lado, as demais mecânicas parecem um quebra-cabeça de peças de tamanhos diferentes. O jogo utiliza soluções consagradas em vários jogos recente, como o combate da série Batman Arkham e Shadow of Mordor, as torres que abrem o mapa de Far Cry, o sistema de recolher e usar as sucatas como em The Last of Us, e troca de personagens entre Max e Chumbucket como em GTA V, enfim, o jogo é muito do que já vimos por aí e nada de realmente inovador.

O sistema de combate chega a ser interessante a primeira vista, quando você consegue sentir a vontade com que Max espanca alguns war boys, porém, ao longo do jogo começa a ser desgastante. É fácil executar os comandos e é raro encontrarmos dificuldades para espancar alguns carequinhas na Terra de Ninguém.

A variedade de missões também é um problema. É tudo muito igual e apesar da diversão que o jogo proporciona, antes dos 20% de conclusão, você já viu tudo que o game pode entregar, depois disso é só continuar fazendo missões iguais até terminar. Missões essas que chegam a ser bem simples até, você precisa chegar a um posto inimigo, eliminar a galera e voltar. Básico. É óbvio que eu estou exagerando por motivos de tornar claro o objetivo de levantar esse ponto negativo do jogo, não são 100% das missões iguais, mas como boa parte delas são, as outras perdem força. Se o jogo fosse mais enxuto, talvez esse fosse um problema irrelevante. Mas jogar 40 horas, ou mais, de missões iguais é um pouco desgastante. Torna a vida útil do jogo mais volátil.

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Apesar de ser um mundo aberto, pequenos bugs acontecem quando Max a pé tenta passar por uma elevação suave no terreno ou uma pedra. Pular entre dois pontos é impossível, o botão de pulo parece existir apenas porque não havia nada melhor para se fazer com ele. Isso torna a movimentação sem carro um pouco chata, mas nada que estrague a experiência, já que no fim das contas, cruzar o deserto australiano para melhorar seu Magnum Opus é o grande objetivo do game. As colisões com os carros por vezes também nos deixam na mão, com saltos inesperados, algumas colisões fora de propósito, mas em escala bem menor, o combate de carros foi feito com bastante esmero.

A palavra deserto nunca teve uma definição tão explicita quanto em Mad Max. As largas distâncias separando as missões se tornam tediosas e vazias, mesmo que por vezes ainda haja algum embate entre carros pelas trilhas. Não é como Far Cry que você percorre longas distâncias mas está sempre evoluindo pelo caminho, caçando, acumulando itens, ganhando experiencia. Enquanto em Mad Max, as distâncias se tornam um fardo estressante de carregar. Demora a se pegar o gosto pelo deserto e o amor pelo cheiro de gasolina, até porque, os jogos não tem cheiro.

E falando em deserto, que bonito é esse jogo. Por vezes quando subimos algum monte, a visão 360º do cenário do jogo é estonteante. Um dos mais belos jogos que tive o prazer de conferir. Mecânicas puxadas dos filmes como as tempestades de areia que vimos em Fury Road acontecem com alguma frequência e embelezam ainda mais o game. E quando a tempestade é escura e com raios? Muito mais legal. As nuvens de poeira dos carros, o sol se pondo, um belo jogo. Aliás, fica a dica, estar na estrada durante tempestades é ótimo para conseguir sucata nas caixas de sucata que voam pela tempestade, basta seguir os ícones no mapa. Cada caixa dá cerca de 300 sucatas, é relativamente fácil pegar 3 caixas por tempestade.

Passando a régua e fechando a conta, como diria meu pai, Mad Max é um bom jogo, supremo se comparado com outras adaptações de filmes, mas ainda assim está longe de ser perfeito. Recicla muita coisa que já vimos nos mais recentes títulos do mercado, e se torna cansativo ao apresentar pouca variedade de jogo nas missões. A duração do jogo deixa tudo mais evidente, fazendo com que Mad Max seja apenas um coadjuvante de luxo num ano de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain e Batman: Arkham Knight.

Assista a review em vídeo:

Coadjuvante de luxo num ano recheado de bons lançamentos

TL;DR

Mad Max é um bom jogo, supremo se comparado com outras adaptações de filmes, mas ainda assim está longe de ser perfeito. Recicla muita coisa e se torna cansativo ao apresentar pouca variedade de jogo nas missões. A duração do jogo deixa tudo mais evidente, fazendo com que Mad Max seja apenas um coadjuvante de luxo num ano de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain e Batman: Arkham Knight. Mad Max Ação, Aventura Desenvolvedora: Avalanche Studios Plataformas: PS4 (versão que jogamos), Xbox One e PC.
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