Review | Krinkle Krusher

Me deixe contar uma historia para vocês. Imagine que você é um mago em um reino. Agora, imagine que no seu mundo, criaturas estranhas chamadas de Krinkles começam a invadir o seu reino para roubar uma fruta mágica. Agora, suponha que você é a unica criatura do seu reino capaz de enfrentar essas coisinhas lindas. Como você faria para destruir esses híbridos de dinossauro com garoto propaganda daquela marca de creme dental que todos conhecemos? Com uma luva mágica falante, é claro.

É essa a premissa de Krinkle Krusher, o mais novo jogo da Ilusis Interactive Graphics, estúdio mineiro fundado em 2008 e responsável por alguns jogos mobile como Skyrise Runner e o divertido Streetkix Freestyle para PSP, um tower-defense que foge um pouco das convenções do gênero e lançado no último dia 07 de Abril para PlayStation 4, PlayStation 3 e PlayStation Vita e que marca a estréia dos jogos brasileiros no atual líder de mercado dos consoles.

KK Screenshots FullHD (11)

A história do jogo toda gira em torno dessa premissa. O mago Handalf, embora seja o mago mais poderoso do reino, precisa da ajuda da sua luva Mitty, controlada pelo jogador, para poder se guiar, já que o mesmo não consegue direcionar suas magias tão bem sem sua luva. Os diálogos são recheados de referências a cultura pop e são muito bem escritos, tirando algumas boas risadas do jogador. A narração é um ponto forte, aliás, com sua dramaticidade ajudando ainda mais no tom quase de paródia do jogo.

Uma das primeiras novidades que se percebe em Krinkle Krusher é, logicamente, as armas. Ao contrário de lidar com uma série de instalações militares ou classes de guerreiros diferentes, o jogador tem a sua disposição uma grande quantidade de anéis mágicos, afinal de contas, é a sua luva quem usa as magias, então nada mais lógico e fashion do que ela equipar os anéis que vão ser responsáveis pelos poderes.

Cada magia funciona de um jeito diferente e é introduzida aos poucos ao longo do jogo. Do começo com apenas um anél capaz de soltar minas de eletricidade até as paredes de fogo, anéis de gelo congelando o tempo, vento para jogar os inimigos para trás e lama para atrasá-los e um poder especial que funciona sobre toda a área do jogo. Cada anel tem um limite de utilizações, ficando indisponível depois que eles “quebram”, o que, se não for bem administrado, gera algumas sensações de leve desespero em momentos mais apertados.

Os Krinkles, aliás, são inimigos bem chatos, o que é um belo elogio para um tower defense. Cada um tem uma resistência, vigor, padrões de movimentação e fraquezas diferentes, com alguns, inclusive, tendo afinidades elementais, com efeitos variados caso o jogador acabe, por acidente, usando uma das magias do mesmo elemento deles ou do elemento contrário. Alguns ainda possuem barris e itens especiais que dão uma variedade maior de opções ao jogador para tentar controlar o ritmo frenético do jogo.

O ritmo, aliás, é um ponto importante do jogo a ser falado. Se merece os parabéns por não deixar o jogador se acomodar com situações cada vez mais desafiadoras, diversas vezes ele representa um aumento no nível de dificuldade muito alto, beirando a frustração. Rage quits aconteceram em alguns momentos nas primeiras fases, muito porque, pela falta de opções, o jogo parecia decidido a não me permitir vencer aquele desafio e não por falta de habilidade, mas pela falta de opções que o jogo me oferecia mesmo. Por mais que o jogo mereça os parabéns por adicionar cada novo elemento de gameplay aos poucos (especialmente até o primeiro chefe), uma curva de aprendizado mais leve talvez fosse melhor.

A dificuldade parece se atenuar um pouco mais depois que o jogador finalmente ganha acesso ao Laboratório Mágico, lugar aonde pode melhorar os ataques e seu HP, que é representado pela resistência do castelo aonde Handalf fica, tornando menos frustrante lidar com os inimigos e com a dificuldade do jogo nas fases mais avançadas. O problema fica por conta da dificuldade de ter as três estrelas em cada fase para obter os 10 diamantes necessários para liberar o Laboratório. O jogo se mantêm bem desafiador, mas a frustração passa depois que o jogador passa a contar com essas melhorias.

O formato do jogo de fases curtas e diversas fases por região, sendo três regiões maiores, é outro ponto importante, já que lembra bastante o formato de jogos mobile, sendo claro que, se quisesse, Krinkle Krusher poderia ter sido mais um dos diversos jogos que povoam o iTunes/Play Store e que enchem o jogador de microtransações, mas a escolha por não seguir esse caminho (que provavelmente veio pela participação da empresa no Programa de Incubação da Sony) rendeu um produto feito quase sob medida para o Vita (boa parte das fases foram vencidas nos trajetos diários de carro e ônibus) e que merece estar listado entre os bons jogos da PlayStation Store.

O principal problema da versão do Vita em comparação com o restante é apenas os loadings e alguns probleminhas na navegação. Mas o jogo é lindo em qualquer um dos três dispositivos e a navegação usando a tela de toque do Vita é um show a parte. O gameplay não é em momento nenhum afetado pelas diferenças e, por se tratar de um jogo cross-buy, o investimento vale independente da sua plataforma principal. É uma pena só que não existam rankings online ou cross-save entre as versões do jogo, mas não chega a realmente ferir o resultado final.

*Jogo analisado com código fornecido pela Ilusis Interactive.

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