Review Grand Theft Auto V

Diversão, diversão, diversão.

Eder Augusto de Barros
edaummm

  terça-feira, 08 de outubro de 2013

Depois de muita espera (foram cinco anos após GTA IV!) e um hype absurdo, finalmente Grand Theft Auto V foi lançado. O jogo mais caro da história para ser produzido também foi o que mais lucrou em menos tempo, chegando a casa do $1 bilhão de doláres em menos de 3 dias. Um fenômeno já esperado.

GTA V inova ao nos entregar 3 personagens diferentes, cada um com o seu background, e cada um também com a sua história por ser contada no game. E você vai jogar as três linhas em simultâneo e individualmente também, já que nem sempre elas se tocam. Conhecemos primeiro Michael, um ex-assaltante de bancos que se aposentou para viver em um programa de proteção à testemunhas depois de um roubo dar errado com seus parceiros. Michael sofre a crise da meia idade e tem uma família completamente disfuncional que é um resultado de sua vida como assaltante. Ele vive num bairro de classe alta em Rockfrod Hills e dinheiro não é necessariamente o seu problema.

Franklin é o menos versado no mundo do crime. Ele trabalha concessionária e sua função é “recolher” carros de pessoas que compraram, mas não pagaram ou algo do tipo. Ele vive na periferia e deseja subir na vida. É como você no inicio do jogo: não vê a hora de mostrar que manja dos paranauê.

Trevor é um ex-piloto da força aérea americana e traficante de metanfetamina. Ele vive sozinho em um trailer no deserto de Blaine County e é também um ex-companheiro de Michael, os dois realizavam assaltos juntos. Trevor é o personagem mais intenso de GTA V, ele é a essência do jogo traduzida num personagem: “Que se foda a porra toda, eu vou dirigir na contra-mão, bater a porra do carro, atirar na cabeça do refém, mas de um jeito ou de outro eu saio daqui com o dinheiro.”

O destino desses três personagens vai eventualmente se cruzar, já que Michael tá na crise da meia-idade e quer ajustar sua vida, Franklin quer crescer na vida e para isso precisa de um mentor, e o Trevor, bem, que se foda a porra toda, ele quer dinheiro.

GTAV

Um é pouco, dois é bom e três é demais?

Prometendo mais de 100 horas de campanha, GTA V cumpre a promessa de maneira satisfatória e essa responsabilidade é diretamente ligada ao fato de termos 3 protagonistas com histórias e habilidades bem distintas e que geram de fato três linhas de jogabilidade.

Logo nas primeiras missões você consegue extrair a essência de cada um deles. O Fraklin nas suas primeiras missões é muito semelhante a outros GTAs: recolhe o carro aqui e leva ali, recolhe o amigo aqui e leva acolá, usa um caminhão guinco pra rebocar um carro até alí e por aí vai. Você percebe a evolução dele enquanto as missões vão subindo o seu nível de periculosidade.

O Michael é o cara das missões mais estranhas: salvar a filha que está num programa de talentos na TV, perseguir um carro que está roubando seu barco e resgatar o seu filho (que está dentro do barco sendo roubado!!). Coisas de um velho aposentado que quer voltar ao jogo…

O Trevor… bem, ele entrega as missões suicídas. Talvez por isso ele seja tão adorado pelos jogadores. As primeiras missões do personagem incluem eliminar uma gangue de motoqueiros, por exemplo. Sozinho. E não vale um por um.

Essa mistura de estilos e dificuldades, unida à “habilidade” especial de cada personagem, refletem em um catálogo repleto de pura diversão – e com a possibilidade de mudar o seu tipo de jogo quando quiser!

Mas o maior acerto de GTA V nem é o fato de te dar todas essas possibilidades, mas sim quando os três personagens se juntam numa mesma missão. Ter de fazer o papel de cada um bem para que a missão saia conforme o planejado, e/ou escolher com qual deles você resolve mais da missão.

Antes de ver na prática, a dúvida de todo mundo era se a troca funcionaria de maneira fluida e sem atrapalhar a adrenalina da missão. E sim, funciona. Tudo bem que em parte das vezes essa troca é obrigatória ou automática, mas em várias partes essa troca é livre e rápida, então você pode perfeitamente usar um personagem para salvar outro se for preciso, num exemplo hipotético.

Fora das missões a troca também funciona tão bem que logo nos primeiros dias depois do lançamento alguns jogadores encontraram um “glitch” com uma maleta de dinheiro que ficava submersa no ar e permitia ser recolhida inúmeras vezes seguidas. Bastava mergulhar com algum dos personagens, pegar a maleta, trocar para outro, trocar de volta para o primeiro e lá estava a maleta de novo.

Essa linha de troca livre entre os personagens ainda deixa o jogo com três visões diferentes, já que cada personagem mora num lugar diferente, tem missões individuais com abordagens diferentes, é tudo diferente. E a liberdade para você mesmo que fora das missões possa usar o personagem que mais te agrada para a “zoeira nossa de todo dia”.

Cada um dos personagens tem um “especial” que funciona tanto dentro como fora de missões e vai claramente ditar o que cada personagem faz de melhor. O Trevor tem uma espécie de raiva, quando o especial dele é ativado ele sofre menos dano e seus ataques causam o dobro de dano nos adversários. Franklin consegue dirigir em câmera lenta, o que o torna o melhor personagem para dirigir. E o Michael (que vamos combinar: é a cara do Max Payne) tem uma espécie de bullet-time. Uma inovação bem legal e não utilizada antes nos games da franquia.

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Pô, mas e a história desse GTA?

Jovens, GTA não fez a fama dele como um jogo que tem uma história complexa e que te faz pensar. A franquia nunca ganhou os jogadores pela intelectualidade e sim pela liberdade. Liberdade essa que é mais uma vez o trunfo do game diga-se de passagem.

O roteiro de GTA V no entanto é sem dúvida bem elaborado até numa exagerada tentativa de fazer-se notar esse roteiro, e é bem possível que por isso muita gente tenha desgostado um pouco por isso. Criou-se uma expectativa em cima da proporção do game e seus três protagonistas, o game tentou exageradamente corresponder a essa expectativa e o resultado não foi uma trama complexa e extremamente elaborada. Mas de maneira nenhuma é ruim.

Um dos pecados do game quando falamos de sua história é a necessidade de em algumas vezes ter de incluir mais de um personagem na missão e não saber como fazer, e assim ele cria “mini-missões” muito fáceis de se resolver apenas para justificar o personagem ali e sem efetivamente acrescentar nada para a história ou conclusão da missão principal. Além de tornar cada missão mais exaustiva – o que torna o jogo bem cansativo em certos momentos.

Algumas decisões do roteiro para moldar a história também são bem inconsistentes (o comportamento dos personagens nem sempre bate com o que foi apresentado sobre eles desde o início) e algumas situações parecem forçadas apenas porque tinham de acontecer e não importa muito o background existente até o momento.

Se GTA V se fosse um filme seria com certeza dirigido pelo Michael Bay. Tem todos os elementos necessários para tal. Explosões, velocidade, polícia, exército, confusão, misoginia, e até um pouco de racismo.

A misoginia do game foi alvo de polêmica logo que as primeiras críticas saíram. De fato, sentimos a falta de personagens femininas no game. Personagens femininas que não sejam um simples objeto, digo. As poucas que aparecem nunca estão em evidência e e maioria das vezes são tratadas como objetos. Chega a ser vergonhosa a maneira como a mulher que está com Trevor é tratada em cena quando vemos o cara pela primeira vez – e até mesmo a maneira como a filha e esposa de Michael são retratadas. É verdade que GTA nunca deu uma escolha de personagem de gênero como Mass Effect ou a possibilidade de moldar seu personagem a medida como Saints Row IV, mas num ano onde os personagens mais marcantes dos games são mulheres como Lara Croft de Tomb Raider, Ellie de The Last of Us e Elizabeth de Bioshock Infinite essa falta de GTA é amplamente sentida pelos gamers e uma pisada na bola da Rockstar.

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E a jogabilidade?

Dentre todos os pontos de Grand Theft Auto V, as melhorias na jogabilidade são as que tornaram o jogo ainda mais divertido.

As missões estão bem mais variadas e a inserção dos assaltos elaborados foi ótima para o game. E o melhor dessas missões é o processo de imersão que elas causam, já que você precisa preparar tudo para o assalto: inspecionar o local, bolar as estratégias possíveis, escolher entre uma das estratégias montadas e aí então arranjar tudo que é preciso para execução, seja um simples carro de fuga ou seja um submarino – e só depois de tudo isso feito é que o roubo realmente acontece.

A execução e elaboração dessas missões não caiu no marasmo e repetição, e mesmo que longas e dividas em várias etapas, essas são as mais legais do logo.

O sistema de tiro também foi todo melhorado: a cobertura funciona bem, o caminhar furtivo também funciona relativamente bem apesar de eu achar que GTA não é o jogo para se jogar no “stealth”. O sistema de tiros pega um pouco de Max Payne 3 e Red Dead Redemption para nos entregar um dos sistemas de tiro mais legais que eu já joguei. O peso de cada bala é completamente sentido e o local onde ela acerta também. Ou seja, quer apenas tirar algum do seu caminho, um simples e único tiro na perna do inimigo é o suficiente, ele vai cair. Não é preciso também descarregar um pente inteiro de uma arma no inimigo, já que os tiros são efetivos com base no lugar e proteção do inimigo. Mas cuidado: você também fica mais vulnerável e não são precisos muitos tiros para te derrubar. Ou seja, aqui entra um pouquinho mais de estratégia do que apenas correr como um louco atirando para todos os lados.

“Ah, mas Edaum, GTA é o jogo para se jogar como um louco!”

Eu até concordo com você – e talvez por isso o fato do roteiro raso do game não me incomodou muito. Mas devo admitir que estas certas dificuldades e plausibilidades criadas em GTA V contribuem para uma para uma melhor imersão e, acima de tudo, para encarar o jogo como uma estrutura minimamente linear e não apenas um “mundo aberto onde a zoeira nunca para”, afinal a internet já tá aí pra isso. Você leva a sério o fato de ser um criminoso e quer ser respeitado por isso, e então o que você faz? Atrai a policia? Por que não roubar $400 milhões de um banco? Soa mais interessante roubar o banco, ou seja, executar as missões.

Outras coisas que o jogo traz e que merece um destaque muito positivo são as missões que envolvem a bolsa de valores. São bem legais de se fazer e uma ótima maneira de se enriquecer no game (o mais interessante dessas missões é que elas não são feitas para você ficar rico na bolsa, você só fica se for malandro e preste atenção nos diálogos com quem está passando a missão e então comprar as ações certas – isso se você quiser, o jogo não te obriga a nada e fica tudo por conta do seu consciente e do seu espírito de malandragem). Sem falar no leque de funções que o celular do seu personagem lhe permite fazer com o acesso à internet dentro do jogo. Achei uma ótima sacada da Rockstar. Ferramentas de imersão que, aliás, estão em toda parte. E os mini-games são realmente bons, o de tênis por exemplo não perde em nada para algum jogo de tênis e dá para perder horas percorrendo o mapa em busca de outros adversários além de melhorar as habilidades físicas do personagem.

Ainda deixo registrado que Los Santos é uma cidade completamente viva, acontecem coisas o tempo todo, eventos aleatórios em várias partes da cidade, tem sempre movimento em todo lugar.

Concluindo

Grand Theft Auto V será com certeza um dos grandes jogos da geração, traz bastante inovação para uma série que é conhecida pelo seu estilo próprio e tudo sem descaracterizar esse estilo, consegue criar uma imersão ainda maior que os outros títulos da franquia e pode ser considerado um divisor de águas entre as gerações de consoles.

O GTA Online ainda passa por problemas, mas prometemos voltar e fazer uma análise do game quando a situação dos servidores da Rockstar melhorar.


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