Review Assassin's Creed: Syndicate

Não dá pra dizer que Syndicate é um frescor para a franquia, mesmo que seja bem melhor que o título anterior, Unity. O game acaba sendo apenas um fôlego, uma golfada de oxigênio.

Eder Augusto de Barros
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  quinta-feira, 05 de novembro de 2015

Pela nona vez vamos sentar em frente a televisão de jogar um novo Assassin’s Creed, num período histórico novo mas já acostumados e conscientes do que esperar do novo jogo da franquia história. A Ubisoft se acostumou a lançar um novo título da milenar guerra entre a Ordem dos Assassinos e os Templários todos os anos, e 2015 não será diferente. Depois da chuva de críticas em cima do título anterior, Assassin’s Creed: Unity, a desenvolvedora francesa precisava se redimir e para isso viajou à Londres da Rainha Vitória no fim do século XIX.

Assassin’s Creed: Syndicate se passa pouco depois da Revolução Industrial na cidade de Londres da Era Vitoriana. Mais precisamente o jogo começa em 1868 e nós vamos acompanhar Evie e Jacob, dois irmãos da Ordem dos Assassinos que estão envolvidos em ações criminosas e gangues de Londres. Na maior parte do tempo os jogadores controlam Jacob, cerca de 75% da campanha é focada nele, mas ainda assim temos missões que jogamos com a Evie, além de um esquema parecido com o de GTA V para alternância de personagens enquanto exploramos a cidade, podendo escolher entre os dois irmãos.

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De cara a primeira grande (que é um termo bem subjetivo) inovação, e talvez única, de Syndicate em relação aos títulos anteriores é a presença de um gancho que os personagens podem usar tal como o Batman, nos jogos da série Arkham, para subir nos prédios e navegar pela cidade com mais facilidade. Aliás, uma bela e urbana cidade de Londres. Bem grande, uma densidade demográfica bem interessante e longe de ser como pequenas vilas que víamos em Assassin’s Creed: Brotherhood ou Revelations. Um recurso necessário para tornar a locomoção saudável para o jogo, já que ninguém gosta de perder horas apenas percorrendo distâncias.

Eu disse que era uma grande inovação porque muda a navegação dentro do mapa, mas de inovação mesmo não tem nada, como o próprio exemplo já entrega: vem da série Arkham a ideia. O resto é bem do que a gente já conhece da franquia e que vem se tornando comum entre os “triple A” mais recentes. Tirando Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, os outros dois grandes lançamentos do segundo semestre, Batman: Arkham Knight e Mad Max, seguem o mesmo padrão que Syndicate. O combate, que é o cerne do jogo, é igual nos três títulos, um botão de ataque, um de contra-ataque, e os combos são executados pelos personagens. Todos os três tem a opção de matar o inimigo sem ser notado, e apesar de o Mad Max não ter a opção de derrotar os inimigos vindo de cima, isso não é exclusividade de Assassin’s Creed, porque o Batman também faz isso.

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Quando a maior inovação do game é algo que já estava no mercado há alguns anos, e você começa uma nova aventura sabendo que vai encontrar tudo que já está acostumado é sinal de que uma renovação se faz necessária e urra com as urgência de um animal faminto.

Chegamos num ponto que não se trata mais de quem tem a melhor jogabilidade e sim de quem conta a melhor história. Os vídeo-games se tornaram reféns da narrativa e não é como se isso fosse uma pejorativa. Quem não gosta de boas histórias? O entretenimento num geral é feito delas, as boas histórias.

Syndicate tem bugs, claro que tem. As primeiras duas horas do jogo são bem bugadas, os inimigos por muitas vezes não atacam de volta e parece que estamos batendo em manequins. A movimentação é estranha e por vezes, em locais mais fechados, a câmera do jogo nos prega várias peças fazendo-nos perder o protagonista de vista com seus aproximações malucas. Mas quem se importa com isso se a história for boa? Se você está se divertindo esses problemas, que eventualmente serão corrigidos com patchs de atualização, não se tornam irrelevantes?

O enredo de Syndicate tem como grandes aliados os irmãos Frye que são extremamente carismáticos e tornam o jogo bem mais suave de se acompanhar. Alguns títulos da franquia, como Assassin’s Creed III, tinham uma narrativa tão enfadonha que avançar cut scenes era uma constante, mas a dupla Londrina nos prende como Ezio e Da Vinci em Brotherhood. A história vai avançando com uma dose de humor interessante. Eu nem vou entrar no mérito de questionar a atitude da Ordem dos Assassinos e o fato deles fazerem o que fazem em plena luz do dia, numa realidade tão próxima da nossa, apenas 130 anos de diferença, porque aí teríamos que voltar em vários jogos questionando isso, como a franquia Grand Theft Auto por exemplo. São recursos de narrativa, aquilo não aconteceu de verdade (algumas partes sim, mas no geral é tudo ficcção) e você não precisa concordar com tudo que está na tela. Aposto como você não sairia atropelando pessoas, nem concorda com isso, mas adora fazer em GTA V, então não vamos por esse caminho.

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A trama de Assassin’s Creed acabou se desenrolando de maneira bem desajeitada após a conclusão da história de Ezio em Revelations. Assassin’s Creed III ainda nos traz o fim de Desmond, nosso protagonista do futuro, mas o jogo por si só é cansativo, já demonstrava os primeiros sinais de desgaste da franquia e foi infeliz em apostar em horas de tutorial para novos jogadores. As ramificações acabaram sendo criados para todos os lados, e claro que todo mundo deveria estar ciente de que isso iria acontecer, até para aproveitar todos os grandes períodos da nossa história, mas a falta de conexões estreitas entre os títulos tira a necessidade dos fãs em conferir todos os pedaços dessa história, Marvel está aí para não me deixar mentir.

Não dá pra dizer que Syndicate é um frescor para a franquia, mesmo que seja bem melhor que o título anterior, Unity. O game acaba sendo apenas um fôlego, uma golfada de oxigênio, até a próximo aventura enquanto a água sobe. Espero que a Ubisoft consiga nada para longe dali antes que se afogue.

Assassin’s Creed: Syndicate acaba sendo mais interessante que o seu antecessor, acaba divertindo mais e apresentando personagens muito mais apegáveis. Em contra-partida não é nada de novo e não passa de “mais um Assassin’s Creed” num ano de ótimos títulos. Lindo, desajeitado, divertido e refém do apego emocional dos tempos dourados.

Mais um Assassin's Creed, ainda que melhor e mais divertido que o anterior

TL;DR

Assassin’s Creed: Syndicate acaba sendo mais interessante que o seu antecessor, acaba divertindo mais e apresentando personagens muito mais apegáveis. Em contra-partida não é nada de novo e não passa de “mais um Assassin’s Creed” num ano de ótimos títulos. Lindo, desajeitado, divertido e refém do apego emocional dos tempos dourados.

Assassin’s Creed: Syndicate
Ação, Aventura

Desenvolvedora: Ubisoft
Plataformas: PS4 (versão que jogamos), Xbox One e PC.

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