Patch Semanal – A Balada dos que não Foram

Thiago Alencar

  quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

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Patch Semanal – A Balada dos que não Foram

Enquanto a Nintendo divulga estar ganhando dinheiro, a Ubisoft divulga que Far Cry 4 está vendendo bem no Brasil e a gente divulga que Velocity 2X é legal pra caramba

Bem vindos a nova coluna do SuperNovo sobre videogames. Toda semana, falaremos sobre alguns dos principais pontos sobre jogos, com algumas curiosidades e recomendações ou não.

dragon age inquisition

Dragon Age supera Mass Effect.

Acompanhar a trajetória de Dragon Age: Inquisition foi o ponto mais alto de um ano relativamente parado no mundo dos joguinhos. Ver o jogo que começou 2014 sendo tratado como “cópia barata de Skyrim”, isso quando não era completamente ignorado entre as grandes promessas do ano (a maior parte dos fãs e dos jornalistas mais preocupados em especular sobre um eventual Uncharted 4/Halo 5 ainda em 2014), já que sempre se esperou tanto de Watch_Dogs e Destiny (olha no que deu), levar tantos e tantos prêmios de melhor do ano (e minha vontade enorme de gritar: eu avisei) é o tipo de situação que abre um sorriso no rosto de qualquer um. Ver então que Inquisition é o maior lançamento da história da BioWare então…

Em uma conferência para apresentar os resultados de 2014 aos investidores, a EA anunciou que, não só foi a empresa que mais vendeu nos novos consoles, mas que Dragon Age: Inquisition superou Mass Effect 3 como o maior lançamento da empresa. Vamos tirar algumas coisas sobre isso da frente logo:

  1. Esse número vai ser superado por Mass Effect, qualquer que seja o nome do próximo jogo da franquia;
  2. Ter sido lançado em mais plataformas não faz tanta diferença assim. As vendas no PS3 e X360 foram maiores do que o esperado (ao contrário de Mass Effect 3 no Wii U que não vendeu nem o suficiente para se pagar), mas muitos dos donos de PS4/X1/PC são ex-donos dessas plataformas;
  3. Mesmo um jogo que, em tese, não deveria atingir a todo tipo de jogador (um RPG que precisa, fácil, de 50+ horas de jogo para se completar), se bem feito e bem promovido, vai se sair bem no mercado.

Talvez o mais importante, ainda assim, seja o impacto que esses resultados tem no futuro da BioWare. Muita gente pintou Inquisition como a “última tacada da BioWare” para salvar tanto a franquia Dragon Age quanto manter a sua imagem como um grande estúdio, tão afetada pelos problemas de Dragon Age II e do final de Mass Effect 3. A ironia disso é ver que essa percepção é só um pobre resultado da era do barulho que a gente vive. A Ubisoft não deve ter tantos problemas assim, mesmo tendo lançado em 2014 dois dos piores jogos da história recente e Call of Duty: Ghosts não fez tanto mal assim pra marca quanto se esperava. Mas há uma razão para isso.

Dragon Age InquisitionNo período entre Novembro/2009 e Janeiro/2010, a BioWare lançou duas das maiores obras primas da geração passada: Dragon Age: Origins e Mass Effect 2. A empresa, que já era conhecida por bons jogos (o primeiro Mass Effect, o primeiro Knights of the Old Republic, os dois Baldur’s Gate…) chegou num patamar que poucos poderiam ter esperado. Num espaço de 3 meses, colocar no mercado um dos melhores C-RPGs (Computer RPGs) da história recente e a mais marcante obra de sci-fi dos videogames na última década. Mesmo que ambos os jogos tenham problemas (Origins não transmitiu tão bem assim pros consoles as mecânicas táticas desenhadas pra PC e Mass Effect 2 não era tão bom assim em suas mecâncias de combate), isso passava despercebido diante de universos tão bem desenvolvidos.

O problema é que nunca é fácil manter uma sequência de grandes resultados como essa ao longo dos anos e esse não é um problema que só a BioWare enfrentou. É só olhar para o que outras empresas passaram com sequências de grandes clássicos e mesmo desenvolvedoras tão bem quistas como a Blizzard e a Bethesda tiveram problemas com Diablo III e The Elder Scrolls Online. Não porque os jogos sejam ruins em si (incluindo Dragon Age II e Mass Effect 3 aqui), mas porque pequenos problemas foram suficientes para destruir a percepção pública daqueles jogos.

ME3 e DAII tem, sim, seus problemas, especialmente no final de um e no design das áreas do outro. Mas ainda são exemplos daquilo que a BW faz de melhor: contar histórias, desenvolver personagens com os quais o jogador de fato se relaciona e mundos dos quais queremos fazer parte. Exemplo disso é como personagens que tiveram certa relevância em DAII foram trazidos pra Inquisition com bons olhos entre os fãs. Esses erros, claramente, foram o que permitiram a Bioware melhorar em cada aspecto de Inquisition e tornar Thedas, o mundo do jogo, um dos principais cenários medievais dos videogames.

Inquisition é um sinal maravilhoso pros fãs de narrativa, pros fãs de RPGs e pros fãs de mundo medievais. Mas se você não se importa muito com os dois últimos e ignorou Inquisition, não se preocupe. A Bioware parece mais afiada do que nunca e os prospectos pro futuro de Mass Effect indicam que continuaremos vendo grandes jogos, sejam eles com rajadas de Biotics ou com dragões majestosos.

A balada dos que não foram – Parte 01

PSVitaLargeSabe o que é quase tão mais chato do que passar o domingo com aquela tia-avó vendo Faustão e ouvindo ela perguntar das namoradas? Gente reclamando da Sony e sua “falta de suporte” ao Vita. Engraçado ver a falta de percepção no Ocidente de qual a razão da Sony ter entrado no mercado de portáteis e porque ela não vê mais necessidade em lançar tantos jogos first-party pra elas hoje.

Não importa o quanto nós queiramos por aqui, o foco dos portáteis sempre foi e sempre vai ser o Japão. É por isso que a gente vê cada vez menos JRPGs nos consoles de mesa, a cada nova geração, o mercado japonês se importa menos com ficar sentado num sofá jogando e mais com a possibilidade de levar seus jogos por aí. Fora as semanas ao redor do lançamento do PS4 no Japão, o Vita tem constantemente vendido mais que o seu irmão mais poderoso. Se não se compara com 3DS (e o New 3DS), ter 2 ou mais jogos sempre entre os mais vendidos por lá é o que de fato importa pra Sony no mercado de portáteis.

É só notar que foi a mesma história com o PSP. Ambos os consoles portáteis prometiam visuais poderosos se comparados com o seu adversário da Nintendo, aos poucos, com a chegada de uma nova geração e uma exigência por potência gráfica tornaram isso um “selling point” menor, tendo ambas as plataformas movido em direções parecidas: RPGs e jogos de nicho que passariam longe dos consoles da Nintendo, pelas políticas da gigante de Kyoto. O Vita ainda tem a vantagem das developers independentes o terem abraçado, mantendo uma dose considerável de lançamentos no Ocidente que o PSP nunca teve por aqui.

É por isso que é assustador pensar que o Vita tem 350 jogos previstos pra 2015, entre exclusivos pro Japão, jogos vindo pro Ocidente e jogos indies já anunciados. Nossa memória seletiva nos faz esquecer que dezenas de jogos foram mostrados na Playstation Experience para o Vita. É por isso que, quando o japonês com o sorriso mais Kawaii de todos, Shuhei Yoshida, diz “que o foco do Vita será cada vez mais indies e jogos third-parties” faz sentido. Fist-parties vendem, third-parties sustentam. E a Sony já vende o suficiente aonde ela precisa vender.  Então… “Don’t Panic”.

Wii U 7

A balada dos que não foram – Parte 02: Yoshi’s Island

O seu lembrete obrigatório de que já passou da hora de adiar as suas previsões sobre quando a Nintendo vai declarar falência: os resultados financeiros referentes a Outubro-Dezembro/2014 saíram e a Casa do Mario vai muito bem, obrigado. 5,7 milhões de Amiibos foram vendidos em dois meses, antes mesmo da segunda leva de bonecos chegar ao mercado.

Não é o suficiente? Ok. A Nintendo reportou um lucro operacional de ¥31,40 bilhões de Yens (algo em torno de R$690 milhões de reais), com cinco de seus exclusivos superando a marca de 1 milhão de cópias vendidas, sendo Pokemon Omega Ruby/Alpha Sapphire com 9,35M e Super Smash Bros. (com as vendas combinadas das duas versões) com 9,58M (6,19 do 3DS e 3,39 do Wii U) liderando os rankings de vendas da empresa, com Mario Kart 8 próximo da marca de 5M de unidades também. Fica aqui a ressalva de que esses números incluem os Bundles e o relatório não inclui Hyrule Warriors, que a própria Koei Tecmo havia dito que superou 1 milhão de cópias nessa semana.

O relatório, que você pode conferir aqui, ainda dá algumas dicas dos lançamentos de 2015 da Nintendo, tanto no Japão quanto no Ocidente. Fora as informações que tivemos na última Nintendo Direct (Xenoblade Chronicles 3D e Xenoblade Chronicles X saem em Abril no Japão, sendo que o remake do jogo do Wii pro 3DS chega ao Ocidente em Abril também, com a sequência pro Wii U ainda sem data, mas previsto para 2015), temos algumas previsões mais específicas dos principais jogos de 2015. Fire Emblem sai no Verão de 2015 no Japão, Zelda, Star Fox chegam em 2015 no mundo inteiro.

O lado negativo? Ainda não temos data para Fire Emblem ou Shin Megami Tensei X Fire Emblem no Ocidente. Então… é. Eu ainda meio que odeio a Nintendo até essas datas serem confirmadas. Mas só de brincadeira.

far cry 4

Brasil, Terra de Jogos

Em um press release enviado nessa semana pela Ubisoft Brasil, foi divulgado que Far Cry 4 vendeu 300 mil unidades em todas as plataformas (PC/PS4/X1/PS3/X360). Acho que nem precisa-se dizer muito sobre o quanto isso é bom pro mercado brasileiro, já que fugir do estereótipo de que só jogos de futebol vendem bem aqui (cabe lembrar que os três jogos mais vendidos no Brasil em 2014 foram Fifa 14 e 15 e Pro Evolution Soccer 2014, com Fifa World Cup 2014: Brazil também no Top 10) é sempre uma boa.

A Ubisoft, inclusive, merece os parabéns. É uma das empresas que mais investe no mercado brasileiro, constantemente trazendo jogos dublados com preços dentro daquilo que o mercado permite. R$199,99 não é o melhor dos preços, mas com empresas jogando os preços de volta pra casa dos R$250,00, é algo que a torna ainda mais atrativa pro jogador brasileiro.

Todos à bordo do trem do hype

Sabe aquele trailer que chamou muito a atenção ao longo da semana? Aquele anuncio que te pegou de surpresa e que precisa ser comentado? Ele vai aparecer por aqui.

A gente ainda tá no começo do ano, então ainda não tá na época de ver trailers e mais trailers saindo, tentando chamar nossa atenção pro que vem por aí. É nesse ambiente que jogos indies acabam se destacando. Na vibe do maravilhoso TowerFall: Ascension, Paperbound foi anunciado essa semana para PS4 e PC.

Então… Couch Co-ops estão na moda novamente. E isso é lindo.

Trem do hype: Esporte que apareceu no Fantástico Edition

Lembram de Dying Light? Aquele jogo bonito de correr pelo mundo fazendo “parkour” (mais conhecido como aquela coisa que todo jogo de mundo aberto tem que ter pra justificar um mundo tão gigante), que chamou muito a atenção pela iluminação maravilhosa e pelos gráficos dos zumbis? Então, ele continua bonito no novo trailer. Vamos torcer que o pessoal da Techland tenha aprendido a fazer jogos e não só trailers bonitos (eles são os responsáveis pelo primeiro Dead Island).

Dying Light saiu essa semana para PC, Xbox One e Playstation 4.

Jogo da Semana: Velocity 2X

A cada coluna, comentários sobre um jogo que tenha chamado minha atenção ao longo daquela semana, seja pro bem ou para o mal.

velocity 2xEu nunca fui muito fã de Shoot-em Up’s, então quando foi anunciado que Velocity 2X seria lançado para PS Vita e PS4, eu não dei muita importância. Quando os primeiros trailers foram saindo, algo chamou a minha atenção: algumas fases de plataforma faziam parte do jogo, inclusive, com algumas fases misturando seções de “jogo de navinha” e jogo de plataforma. Tudo num ambiente voltado para terminar as fases no menor tempo possível, fazendo jus ao nome.

Velocity 2X (que na verdade é o 3° jogo da série, tendo o primeiro, Velocity, saído pro PSP em 2012 e o segundo, Velocity Ultra, para PS3 e PS Vita em 2013) é mais um daqueles jogos que a gente acaba testando apenas pela Plus e que vale muito a pena. Seja no console ou no portátil, as fases são curtas e divertidas, envolvendo cada vez mais estratégia envolvendo as três ações do jogo: correr, atirar e teletransportar.

Quer sejam as fases em que se controla a nave ou nas fases de plataforma, terminar coletando o máximo de cristais e salvando o máximo de réfens possíveis(além de coletar as entradas do diário e da enciclopédia do jogo) dentro do tempo não é só questão de ranking (e sim, o jogo mantêm uma leaderboard global e uma com seus amigos), mas é necessário para que se obtenha o máximo de XP possível para liberar as fases mais avançadas (50, com mais algumas fases secretas). O jogo ainda tem uma história simples que vai sendo contada ao longo das fases e que ajuda a dar algum contexto ao jogo.

Velocity 2X é um daqueles jogos simples e que te ajudam a desenvolver o máximo de destreza, que dá orgulho de se dizer que se chegou ao fim, por todo o desafio envolvido nas fases mais avançadas. Nada que vale a pena sentar e zerar de vez, mas é uma diversão esporádica, simples e desafiadora que dá uma quebra de ritmo nos jogos cada vez mais ambiciosos.

Trilha Sonora da Semana

Toda semana, teremos a recomendação de uma trilha sonora de algum jogo, sempre com link para ouví-la direto do Youtube.

Aproveitando que já falei sobre Velocity 2X, eu preciso comentar sobre o quão boa é a trilha sonora do jogo. Composta por James Marsden (responsável pelas músicas da franquia Killzone e não o Ciclope da primeira trilogia dos X-Men), as batidas eletrônicas, beirando chiptune, as canções do jogo ajudam a dar tom a ambientação espacial dele, reforçando o clima, com canções simples, mas com batidas que ficam na cabeça do jogador.

https://www.youtube.com/watch?v=44v8Q5-yd9I

OST da Semana: Bonus Drunk Edition

A Bioware liberou o download de algumas das músicas que tocam na taverna de Skyhold em Dragon Age: Inquisition para download até o dia 09 de Fevereiro através desse site. São canções curtas, mas que são muito divertidas e que valem a pena para quem curte ou quer dar uma ambientada naquelas sessões de RPGs de mesa.

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