Patch Semanal 04 – Value Pack Edition

Thiago Alencar

  segunda-feira, 09 de março de 2015

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Patch Semanal 04 – Value Pack Edition

Na rabeira do Dia Internacional das Mulheres, falamos sobre a presença feminina nos video-games e o fim da Maxis

Bem vindos a nova coluna do SuperNovo sobre videogames. Toda semana, falaremos sobre alguns dos principais pontos sobre jogos, com algumas curiosidades e recomendações ou não. Essa semana, a coluna é um pouco maior, já que o seu redator passou mais tempo do que deveria jogando nos últimos dias.

Videogames, representação e a falta de moderação

anita sarkeesianEstereótipos. Olhe para qualquer mídia, qualquer lado de nossa sociedade e somos atingidos por dezenas, centenas de estereótipos. Sobre o que significa ser isso ou aquilo, sobre como quem olha pra ti imagina que você reagirá sobre o comentário x ou y antes mesmo dele ser feito, sobre como andamos em uma corda bamba a cada dia de nossas vidas tentando evitar irritar uma sociedade de pessoas sensíveis e constantemente no limite do stress causado pela vida diária.

Mas, por algum motivo, parece que a utilização de estereótipos se torna algo mais problemático quando passado para nossas mídias de entretenimento favorito. Ninguém gosta de ser estereotipado, mas nossas reações a isso não parecem ser tão “agressivas” quanto quando elas envolvem quadrinhos, videogames ou cinema. E quando somos todos “agrupados” em uma fatia do público que “luta” para manter o status quo de algo que não vai muito bem, seria melhor se, ao invés de acender nossas fogueiras e pegar nossas foices e partir pro panelaço/vaiaço/whatever, parássemos para pensar um pouco no que vem acontecendo…

E não, não é sobre o “gamergate” ou sobre a Anita Sarkeesian. Mas é sobre moderação. Eu, de fato, acredito que existe uma parte da mídia de videogames que faz mais mal pra ela do que bem, que tem mais seu ganho pessoal em mente do que o prazer de informar e de trabalhar com a mídia. E eu entendo algumas das críticas que a Anita faz aos desenvolvedores, bem como repudío o tipo de assédio moral que ela sofre, mas é preciso que exista um pouco de moderação nessas discussões.

Um dos pontos mais discutidos e objeto de um dos videos mais conhecidos da Anita Sarkeesian, é um dos mais famosos clichês do entretenimento: a “donzela em perigo” ou “damsel in distress”. Vá em frente e pense por dois minutos quantos livros, filmes, séries de TV, jogos e HQs baseados nesse exato clichê você conhece, eu espero. Acredito que você tenha conseguido formular uma lista bem considerável. A própria página sobre o assunto no TV Tropes (um dos mais populares sites entre aspirantes a escritores) tem a Princesa Peach como exemplo.

O problema aqui, entretanto, não deveria ser com o fato do herói precisar salvar a donzela. Afinal de contas, o oposto é, também, muito comum. Heroínas extremamente populares como a Mulher Maravilha, Hermione, Katniss e Lara Croft já tiveram, mais de uma vez, que salvar algum aliado, homem ou mulher, sem esquecer que uma das maiores franquias desse século é protagonizada pela epítome da donzela em perigo: Bella Swan.

O problema desse tipo de situação não deveria ser ter uma mulher em perigo a ser salvo pelo herói ou heroína (boa parte do plot de Tomb Raider é construído na necessidade da Lara de salvar sua amiga, Sam), mas o fato de ainda estarmos presos a um “trope” tão antigo. A necessidade do herói de salvar alguém com quem ele se importa profundamente (quantas vezes Drake teve que salvar o Sulli em Uncharted?) e todo o apelo emocional que isso tem junto a quem consome a obra é um dos caminhos mais simples de se seguir para um roteirista e seu sucesso é quase garantido, o que torna fugir disso mais complicado do que é de se esperar.

Generalizar o consumidor também não ajuda. Criticar o “homem jovem e branco” que consome videogames é uma estereotipização muito simples e muito longe da realidade. É fácil pegar qualquer amostragem e generalizar a partir dela e fazer parecer que todo o resto da população é boa. Qualquer busca por mudanças precisa envolver todos os lados, homens e mulheres, de toda origem, cor e credo. Olhemos para o próprio Supernovo: por mais que sejamos uma equipe com todo tipo de background, ainda somos na maioria “homens jovens e brancos”. E vocês nunca nos viram forçando algum tipo de supremacia do gamer branco por aqui.

Videogames tem um problema de representação, sim. De negros, que muitas vezes são tratados apenas como alívio cômico, a forma como asiáticos são caracterizados em obras ocidentais e ocidentais em obras orientais. E, sim, principalmente, de mulheres. Mas não é como se os problemas envolvendo videogames fossem ser resolvidos com panelaços ou com o desejo de antagonizar os diferentes lados dessa discussão. Jogos são capazes de representar a todos muito bem, mas é preciso mais do que só falar, é preciso fazer.

O melhor exemplo disso, talvez, seja a Gail Simone. Talvez a mais famosa roteirista de quadrinhos hoje, a Gail surgiu pra internet com o “Women in Refrigerators”, site criado em resposta a infame edição em que a namorada do Lanterna Verde Kyle Rainer é assassinada e colocada na geladeira do herói. Gail iria, nos 15 anos após o surgimento do site em 1999, se tornar mais famosa pelo seu ótimo trabalho com a Mulher Maravilha, Aves de Rapina e Batgirl, com seu principal feito tendo sido tornar a Barbara Gordon uma das principais heroínas da DC Comics e muito do que tem mudado no mercado de quadrinhos americanos tem influência da coragem que a Gail Simone e outras roteiristas tiveram de se aventurar em um mercado dominado por homens brancos e terem tido sucesso (quem falou melhor sobre isso? Que tal o nosso jovem e branco Leandro na última coluna dele no Super Kaboom?).

Eu não digo que a Anita precisa parar de falar e começar a fazer jogos como ela imagina que sejam o jeito certo. Esse é o tipo de resposta besta e simples que tira muito da discussão. O que eu digo é que não precisamos só apontar pro que está errado, mas é fundamental parabenizar o que tem sido feito de correto. É preciso que mais vozes femininas sejam atuantes e, principalmente, sejam ouvidas no mercado de videogames. É preciso que apontemos para o maravilhoso trabalho de desenvolvedoras como a BioWare e a Naughty Dog tanto quanto falamos mal dos erros da Ubisoft e da Rockstar.

Mas, acima de tudo, precisamos de qualidade. Incentivar quotas só pelo efeito das mesmas não ajuda a melhorar as coisas. Ter uma roteirista, artista ou programadora que seja ouvida é mais importante do que ter dez mulheres num estúdio fechadas numa sala que não tenham qualquer importância na empresa só para cumprir uma quota arbitrária. Equipes etnica, religiosa e sexualmente diversas só importam se essa diversidade, de fato, contribui para o projeto daquele estúdio e não ta ali só para a empresa poder dizer que está. Moderação e diálogo são a chave para que todos tenham prazer com seus jogos. Independente de quem você seja.

Microsoft, Sony e Nintendo: Fazendo uma rede online de todos

Muita gente foi pega de surpresa com o as palavras do Phil Spencer, chefe da divisão do Xbox na Microsoft, disse que eles estavam trabalhando junto com a Sony e a Nintendo para combater os constantes ataques de DDoS que as redes online das três empresas tem sofrido, com o ponto principal tendo sido os ataques ocorridos no último natal e que deixaram todas as redes offline durante boa parte do feriado.

Não importa qual a sua empresa favorita, as palavras do Phil Spencer são as melhores possíveis para qualquer jogador. Redes online mais estáveis é algo bom para todas as empresas, pois traz mais credibilidade e mais confiança para as empresas como um todo. Se a curto prazo pode parecer melhor para a empresa X que a Y esteja com sua rede offline, a longo prazo, não exclui que essa mesma empresa tenha seus serviços online comprometidos.

Mais do que isso, essa aliança das gigantes japonesas com a empresa americana mostram uma disponibilidade para conversar e buscar o melhor para a indústria como um todo que não parecia existir a muito tempo, mesmo quando o mercado era dominado por três empresas japonesas. Parece quase irônico que o mais perto disso que parecíamos ter chegado foram as diversas tentativas da Sony de entrar no mercado como parceira da Sega e da Nintendo e que a própria Sony tenha sido a principal vítima do que acabou gerando essa “aliança”.

MGS Phantom PainA dor fantasma da despedida

E, como quem não quer nada, o velho Hideo Kojima, um dos mais celebrados e populares designers de todos os tempos, anunciou que Metal Gear Solid V: The Phantom Pain será o último Metal Gear Solid. O que isso significa para a marca Metal Gear no futuro, é impossível de dizer, mas é possível que isso marque em definitivo o fim da saga de um dos mais famosos heróis dos videogames: Solid Snake.

Óbvio que tudo isso veio com o anúncio da data de lançamento do jogo. The Phantom Pain deve chegar aos consoles dessa geração e da geração passada no dia 1º de Setembro, com a versão de PC chegando no dia 15. Phantom Pain sempre esteve destinado a ser um dos principais lançamentos de 2015 e tudo parece indicar que o hype pro jogo (que tem parecido mais e mais impressionante com cada novo trailer) só deve aumentar até lá. O fato do lançamento provavelmente não ter nenhum outro jogo do mesmo patamar por perto deve ajudar mais ainda no sucesso financeiro do jogo.

O que isso vai significar pro futuro do Kojima, entretanto, não sabemos. Faz bastante tempo desde a última vez que o vimos envolvido em algum outro projeto (de verdade, não só pra efeitos de marketing como foi com o último Castlevania) que não levasse o nome Metal Gear e só sabemos por enquanto do envolvimento dele com o novo Silent Hill junto ao Guilhermo Del Toro. Onde quer que ele decida parar, a única certeza é que o Hideo Kojima continuará como uma das vozes mais influentes do desenvolvimento de jogos.

Adeus, Maxis. Ou o que sobrou de você.

Com o anuncio no último dia 04 de Março do fechamento da Maxis Emeryville, sede original do estúdio responsável pelas franquias Sim City e The Sims, muita gente se viu tocada de nostalgia e lembrando os bons tempos da empresa. Mas é difícil não olhar para esse fechamento como uma mera consequência de um fim que vinha sendo anunciado a muito tempo.

Sim, a Maxis foi responsável por alguns dos maiores sucessos da história dos jogos para PC, os últimos jogos que a Maxis Emeryville havia trabalhado das suas franquias foram SimCity 4 e The Sims 2. Curiosamente, essas duas franquias tomariam rumos completamente diferentes nas mãos de outros estúdios. SimCity lançado em 2013 foi uma tragédia, com poucas coisas boas podendo ser tiradas do jogo e a franquia já parecia só um caso desde SimCity Societies e The Sims tem sido feito a algum tempo pelo The Sims Studio (Maxis Redwood Shores).

Fora as lembranças, o que morre agora é o estúdio de Spore e, sejamos sinceros, não tem muito o que se tirar de bom do que ainda havia em Emeryville. É uma pena que isso tenha ocorrido e todo e qualquer fã de outras empresas que foram compradas pela EA (como a BioWare, por exemplo) vão começar a gritar aos quatro ventos sobre o quão maligna a EA é. Mas não se deixem iludir por esses gritos, a Maxis que morreu não tem mais nada da Maxis que todos amávamos 15 anos atrás.

Todos à bordo do trem do hype

Sabe aquele trailer que chamou muito a atenção ao longo da semana? Aquele anuncio que te pegou de surpresa e que precisa ser comentado? Ele vai aparecer por aqui.

Battletoads. Uma das franquias que mais se lembra quando falamos de jogos 8/16 Bits e que muita gente sonha em ver revivida pela Rare para o console da Microsoft, pode estar finalmente vindo por aí para o Xbox One. Indícios disso nós temos (desde a renovação da marca pela Microsoft até o Phil Spencer usando uma camisa com os três guerreiros anfíbios) e aparição dos três no teaser de Shovel Knight para Xbox One, bem como com algo no fim do trailer deixa a todos com um gostinho de quero mais.

Shovel Knight já havia mostrado que teremos uma participação do Kratos nos consoles da Sony e a aparição dos Battletoads aqui, como um contraste para um dos personagens mais populares da Sony, só nos leva a crer que a Microsoft tem grandes planos para a franquia. E isso é o sonho de muitos de nós.

olli olli

Jogo da Semana: Hate Edition

Parece ser um tema recorrente dessa coluna falar sobre jogos tão frustrantes que chegam a ser extremamente prazerosos. Se uma parte de mim sempre me fez fugir da série Souls (Demon/Dark Souls) por acreditar que eu não conseguiria lidar com tamanha frustração e dificuldade, eu tenho começado a reconsiderar essa decisão. Se esse processo começou com Rogue Legacy, ele definitivamente foi reforçado com OlliOlli 2: Welcome to Olliwood.

Desenvolvido pela britânica Olli7 originalmente como um jogo para o PlayStation Vita, OlliOlli acabou sendo lançado posteriormente para PC, Mac, Linux, PS3, PS4, Wii U, 3DS e Xbox One (e talvez chegue em breve para o seu liquidificador). Com uma premissa simples, OlliOlli é um jogo de skate 2D, cujo objetivo é fazer manobras específicas em pontos específicos, acumular pontos e realizar combos enormes, cumprindo os objetivos de cada fase para liberar a sua versão “pro”.

OlliOlli 2 continua tão simples quanto a premissa do original. Usando só o analógico, os gatilhos e um botão de face, sua simplicidade é só uma faixada para sua complexidade e sua dificuldade absurda. Os objetivos vão ficando cada vez mais complexos e exigem níveis assustadores de habilidade do jogador. OlliOlli é movido basicamente pelo desejo do jogador de marcar mais pontos e realizar manobras melhores, dois pontos que foram responsáveis pela popularidade da franquia Tony Hawk’s Pro Skater e que foram esquecidos ao longo da história da principal franquia de Skate da história dos games.

OlliOlli 2, que está disponível desde o dia 3 de Março para PS Vita e PS4 (e é um dos jogos da Instant Game Collection da PS Plus do mês de Março) é o tipo de jogo que é ótimo para “só uma partidinha” mas que é bem capaz de te prender por horas no “só mais uma”. É o tipo de jogo que é perfeito para o console portátil da Sony, mas que pode ser aproveitado no PS4 sem maiores problemas. É um jogo cheio de charme, viciante, bem acabado e bem feito. Sua simplicidade e desafio são maravilhosos.

Trilha sonora da Semana

Toda semana, teremos a recomendação de uma trilha sonora de algum jogo, sempre com link para ouví-la direto do Youtube.

Aproveitando o sucesso imenso que Final Simphony (tendo alcançado o 10º lugar na Billboard), o mais novo CD da London Symphony Orchestra no qual uma das mais famosas orquestras do mundo toca músicas de Final Fantasy VI, VII e X, fiquem com o link para ouvir o CD na íntegra via Spotify. É sempre bom lembrar canções tão boas e tão marcantes daqueles que talvez sejam os jogos mais populares da maior série de RPGs do mundo.

E eu não poderia ignorar, já que uma das minhas musicas preferidas de todos os tempos e a trilha sonora mais marcante de um jogo pra mim estão aqui. A reedição de Suteki da Ne, a cançao de Nobuo Uematsu que me fez me apaixonar por trilhas sonoras de jogos, é linda e merece ser aplaudida de pé.

E, caso você não consiga ouvir pelo Spotify, o CD também está disponível no Rdio e no iTunes.

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