Patch Semanal #02 – Quando outras mídias nos deixam cabreiros…

Thiago Alencar

  segunda-feira, 09 de fevereiro de 2015

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Patch Semanal #02 – Quando outras mídias nos deixam cabreiros…

No Patch Semanal dessa semana, a gente discute essa história de uma série live-action de The Legend of Zelda na Netflix

Bem vindos a nova coluna do SuperNovo sobre videogames. Toda semana, falaremos sobre alguns dos principais pontos sobre jogos, com algumas curiosidades e recomendações ou não.

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A arte perdida da dublagem

Muita gente aqui no Brasil tem sérios problemas com dublagem. Aliás, muita gente no mundo tem problemas com dublagem, só ver a quantidade de fãs de jogos japoneses que tem crises nervosas quando anunciam que o jogo X não vai ter a dublagem original no lançamento americano. Eu até entendo quem faz essas reclamações, mas eu tenho sérios problemas com alguns dos argumentos usados.

Boa parte dos argumentos é de que “se está corrompendo a visão original daquela obra”. Nope. Videogames e filmes, que são as mídias que mais tem encontrado esses problemas, enfrentam um problema que muita gente esquece: o risco de ser esquecido no meio da absurda quantidade de produtos que são postos no mercado. Dessa maneira, a dublagem, seja do japonês pro inglês, do inglês por português ou de qualquer outro idioma, acaba dando duas vantagens para aquele produto em específico: alcance de público maior e um ar de familiariedade.

A palavra dublagem tira um pouco do peso real que o trabalho tem, aliás. Muita gente se esquece que as vozes em português por trás de boa parte dos atores não são de “qualquer um”, mas de “atores de voz” (o termo em inglês, aliás, é esse, “voice actors”). São pessoas capacitadas para não só atuarem em condições muito mais complicadas do que atores comuns (a gravação das vozes para jogos aqui no Brasil é feito, na maior parte das vezes, sem que se tenha qualquer contexto ou material visual para se trabalhar), como também adaptarem o texto e darem vida aos personagens na nossa língua.

Tem se visto um crescimento fantástico da quantidade de jogos traduzidos aqui no Brasil (inclusive o jogo que comentaremos nessa semana), com trabalhos notórios tanto em jogos AAA (o fato de Dragon Age: Inquisition ter sido todo traduzido é fantástico), como em jogos indies, adaptando a linguagem original do jogo muito bem em seus textos. O problema passa a ser, então, quando se abandona qualidade em nome do marketing.

Foi anunciado essa semana que o protagonista de Battlefield: Hardline (com lançamento previsto para 17 de Março para PC, X360, X1, PS3 e PS4) foi dublado por Roger, vocalista da banda Ultraje a Rigor. Sem entrar nos problemas que o jogo em si parece ter (2015 definitivamente não é o ano para se lançar um jogo que glorifique a violência policial), essa abordagem “Disney” que a WB Games Brasil parece ter tido (ir atrás do nome, vide Luciano Hulk em Enrolados, ao invés da qualidade) não só é mais um ponto na cada vez mais notória queda de qualidade da dublagem brasileira, como pode representar uma mudança preocupante pro mercado.

É de esperar que isso não venha a se tornar uma norma. Com alguns dubladores sendo cada vez mais e mais adorados lá fora (nomes como Nolan North e Troy Baker, ou ao menos suas vozes, são cada vez mais conhecidos dos fãs de games) e alguns trabalhos notórios aqui no Brasil (como o Sombras de Mordor da própria WB. Games Brasil), torçamos para que o mercado brasileiro continue trabalhando com qualidade e não se apoiando em meros nomes conhecidos para “vender”.

 Zelda Wii U 01

Videogames e Adaptações: Netflix Edition

Demorou até. Pra fechar a semana, surgiram rumores de que a Nintendo e a Netflix estariam produzindo uma série live-action de The Legend of Zelda. Ok, vamos parar por alguns momentos e pensar um pouco no que isso significa. A Nintendo, sempre tão restrita com a utilização de suas marcas, viu alguns e-mails vazados naquela confusão toda da Sony sobre a produção de um filme animado do Mario. Agora, estaríamos falando daquela que talvez seja a segunda grande franquia da Nintendo virando série.

Esqueçamos os problemas que isso traria para a série e seu lore como um todo (o Link falando, por exemplo – e sim, eu sei que ele fala nos mangás), já que não é como se a timeline fizesse algum sentido, no fim das contas. Ou o fato de que há elementos o suficiente para tentarem transformar em um Senhor dos Anéis meia-boca e que não tem absolutamente nada a ver com a franquia. Mas vamos falar um pouco sobre o porque é tão difícil adaptações de jogos darem certo em outras mídias visuais.

Videogames, por sua natureza mais interativa, são mais imersivos do que a maioria das mídias. A capacidade de fazer o jogador se sentir, de fato, como o protagonista daquela história, assim como a literatura consegue, ou se sentir emocionalmente ligado ao protagonista e seus eventuais companheiros, como o cinema é tão especialista em fazer, é algo muito poderoso e que torna os fãs de franquias como The Legend of Zelda tão emocionalmente ligados a essas obras quanto os fãs de obras literárias. É muito raro ver algo assim nascer de uma obra original no cinema ou nas séries de TV.

E, da mesma forma que é muito complicado transpor a exposição e o desenvolvimento de personagens que a literatura tem para o cinema, é muito difícil levar pro cinema/TV com qualidade um personagem como o Link, que é tão caracterizado pelos seus feitos, quanto pelo constante desenvolvimento de seus traços ao longo dos quase 30 anos da franquia. Uma coisa é trabalhar com uma ideia (Assassin’s Creed) ou personagens de jogos muito influenciados pelo cinema (The Last of Us), outra são personagens de longa data e com fãs tão ferrenhos quanto The Legend of Zelda, por exemplo.

Há, sim, a possibilidade de algo muito bom vir dessa parceria da Nintendo com a Netflix. São duas empresas conhecidas pelo seu apreço pela qualidade (com a única mancha no catálogo da Netflix até agora sendo “Hemlock Grove”) e por trabalharem sem a mesma pressão por lucro que a maioria dos canais de TV e estúdios de cinema possuem, o que torna a Netflix, provavelmente, a única empresa hoje com grandes possibilidades de conseguir isso. É muito provável que, se essa eventual série vier acontecer, ela não atenda as expectativas dos fãs da franquia, o que não quer dizer que será ruim. Mas não é tanto pelo produto em si, mas pelo nome que ele carrega.

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DICE Awards: Continuando uma dinastia

A Academy of Interactive Arts and Science finalmente anunciou os vencedores do DICE Awards, um dos principais prêmios da indústria, e, pra variar, os principais ganhadores foram Dragon Age: Inquisition e Middle-Earth: Shadow of Mordor. O resto dos prêmios não chegaram a ter qualquer surpresa, fora o prêmio de “Action Game of the Year” para Destiny.

Eu tenho meus problemas com Dragon Age: Inquisition ganhar “Game of the Year” mas os prêmios voltados pros seus pontos mais fortes (Story e Character) terem ido pra Shadow of Mordor, mas eu entendo os prêmios. E eu não achei que ia tá falando em algum ponto sobre prêmios para LittleBigPlanet 3, mas é merecido. O jogo é, de fato, muito divertido e muito voltado pra família.

A lista de vencedores:

  • Game of the Year: Dragon Age: Inquisition
  • Outstanding Achievement in Animation: Middle-earth: Shadow of Mordor
  • Outstanding Achievement in Art Direction: Monument Valley
  • Outstanding Character: Middle-earth: Shadow of Mordor (Talion)
  • Outstanding Achievement in Original Music Composition: Destiny
  • Outstanding Achievement in Sound Design: Destiny
  • Outstanding Achievement in Story: Middle-earth: Shadow of Mordor
  • Outstanding Technical Achievement: Middle-earth: Shadow of Mordor
  • Action Game of the Year: Destiny
  • Adventure Game of the Year: Middle-earth: Shadow of Mordor
  • Family Game of the Year: LittleBigPlanet 3
  • Fighting Game of the Year: Super Smash Bros. Wii U
  • Racing Game of the Year: Mario Kart 8
  • Role-Playing/Massively Multiplayer Game of the Year: Dragon Age: Inquisition
  • Sports Game of the Year: FIFA 15
  • Strategy/Simulation Game of the Year: Hearthstone: Heroes of Warcraft
  • D.I.C.E. Sprite Award: Transistor
  • Handheld Game of the Year: Super Smash Bros. 3DS
  • Mobile Game of the Year: Hearthstone: Heroes of Warcraft
  • Outstanding Achievement in Online Gameplay: Destiny
  • Outstanding Innovation in Gaming: Middle-earth: Shadow of Mordor
  • Outstanding Achievement in Game Design: Middle-earth: Shadow of Mordor
  • Outstanding Achievement in Game Direction: Middle-earth: Shadow of Mordor
  • Pioneer Award: Al Alcorn, Ralph Baer
  • Technical Impact Award: Apple App Store

 Persona 5

Todos à bordo do trem do hype

Sabe aquele trailer que chamou muito a atenção ao longo da semana? Aquele anuncio que te pegou de surpresa e que precisa ser comentado? Ele vai aparecer por aqui.

Vocês ainda vão ouvir falar muito desse jogo por aqui nos próximos meses. Mas não tinha como falar de nada essa semana além do trailer de Persona 5. O quinto jogo da sub-franquia mais popular dos games talvez seja o mais mainstream que um JRPG possa chegar hoje sem ter o nome Final Fantasy atrelado a ele. Afinal, Persona 5 ficou em 3° na lista de jogos mais aguardados do PlayStation Blog, atrás apenas de Uncharted 4: A Thief’s End e Batman: Arkham Knight e derrotando pesos-pesados como Metal Gear Solid V: Phantom Pain, Final Fantasy XV e Kingdom Hearts III.

O primeiro trailer oficial mostra uma bela quebra da clara imagem de “bons moços lutando contra o mal” que os dois jogos anteriores eram tão claros em demonstrar. O protagonista (apelidado de Phantom/Chair/Harry Potter-kun pelo nome/teaser/aparência do personagem) é mostrado como um ladrão, se esgueirando e se teletransportando ao longo das dungeons, fugindo dos inimigos (Shadows), bem como a escola (dessa vez, em Shibuya, aparentemente, e voltada para “delinquentes”) e as áreas para exploração da vida social do protagonista.

O jogo ainda não tem data de lançamento (deve chegar por lá no segundo semestre de 2015 para PS3 e PS4, provavelmente vindo pro Ocidente no fim de 2015/começo de 2014), mas o hype em torno do jogo já é absurdo ao ponto de mesmo os fãs japoneses não entenderem porque queremos tanto Persona 5 no Ocidente. Vão ser alguns bons meses de espera.

rogue legacyJogo da Semana: Rogue Legacy

Com a explosão de popularidade que os jogos independentes tem encarado nos últimos anos, dois gêneros, que pareciam quase mortos e com alguns poucos jogos que ainda os representavam: jogos de plataforma e roguelites (os famosos Metroidvanias). Ambos os gêneros foram revitalizados e muitas coisas fantásticas surgiram em ambos, como Thomas Was Alone, Fez, Spelunky, Binding of Isaac, Braid, Limbo e dezenas de outros jogos. O jogo dessa semana é mais um desses grandes jogos.

Lançado para PC em 27 de Junho de 2013 e em 29 de Julho para PS3, PS4 e PS Vita, Rogue Legacy é o jogo mais divertido do gênero com o qual eu já tive contato. Ao contrário de outros jogos do gênero que, se de reconhecível qualidade (quase todos os Metroids e alguns Castlevania), nunca foram capazes de me prender, a proposta mais leve e o spin criativo que Rogue Legacy traz me prenderam desde a primeira vez que tive contato com ele.

Controlando uma série de descendentes de uma família que se dedica a derrotar um cavaleiro traidor dentro de um castelo que muda seu design a cada novo descendente que entra nele, o jogo é, de fato, como andar numa linha bem tênue entre a diversão e a mais completa frustração e dor que um jogo pode lhe causar (bem nos moldes da série Souls). A cada morte, o ouro daquele personagem passa para seu descendente e o jogador pode comprar upgrades ou pedir ao “Arquiteto” para travar aquela configuração do castelo, pagando o dinheiro que sobrar ao Caronte.

Cada desdecendente tem suas próprias características, que variam entre classe, poderes especiais e características, que vão desde miopia, astigmatismo, que alteram a nitidez da imagem, até vertigem (deixa o jogo todo de cabeça pra baixo) e gigantismo (o personagem é maior do que o normal). Cada personagem precisa de um estilo de jogo diferente, fazendo com que o jogador sinta a sua clara evolução a cada novo descendente.

O texto do jogo é muito divertido e está todo em Português do Brasil, a trilha sonora é encantadora, os gráficos em pixelart ajudam a dar todo o clima nostálgico e se encaixam perfeitamente com o jogo. É uma grande recomendação pela sua qualidade, simplicidade e desafio, sendo um dos mais marcantes jogos indies lançados até hoje.

 Trilha sonora da Semana

Toda semana, teremos a recomendação de uma trilha sonora de algum jogo, sempre com link para ouví-la direto do Youtube.

Já que o trailer de Persona 5 foi divulgado em um evento voltado para as músicas de Persona 3 e Persona 4 (com um show no Nippon Budokan), nada mais justo que divulgar as músicas que fizeram parte desse grande show. Com um tom bem J-Pop, as canções de Persona 4, inclusive, farão parte de um spin-off todo delas: Persona 4 Dancing All Night, um jogo de ritmo na veia dos Hatsune Miku: Project Diva.

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