DmC: Devil May Cry – Review

Pedro Luiz

  quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

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DmC: Devil May Cry – Review

Reclamações injustas sobre a mudança do visual de Dante fizeram com que DmC sofresse nas vendas. Mas, pera aí... É ruim assim? Não, amigo. Muito pelo contrário.

O título que a Capcom escolheu para o novo game da franquia Devil May Cry diz absolutamente tudo o que precisamos saber. Sem números que indicam sequência ou série de jogos, DmC: Devil May Cry surge com a proposta de esquecer os bons títulos passados para dar início a uma nova era demoníaca de joysticks quebrados. Nome ‘’zerado’’, cenários ‘’zerados’’ e uma nova roupagem a franquia. É uma pena, entretanto, que as vendas do game tenham tido números pouco expressivos. Na humilde opinião de quem vos escreve, as míseras cifras de dinheiro que chegaram aos cofres da distribuidora não refletem a real qualidade do game. Bonito, divertido e que desafia as mentes mais criativas.

Desenvolvido exclusivamente pela inglesa Ninja Theory, contrariando todos os outros games da franquia que eram produzidos pela também distribuidora Capcom, o game trouxe a proposta de renovação. Saiba que o sentido de ‘’renovação’’ está também na faixa etária que o game busca alcançar, e que pode ser visto no próprio protagonista do game, que deixou de ser o Dante sombrio e matador cold blood para se vestir como um cantor teen. Longe de ser algo ruim, já que o bom produto deve ser levado ao maior número de pessoas possíveis. E se for preciso que haja mudança na caracterização do personagem, que seja. Não prejudica a experiência em absolutamente nada, e é justamente isso que os fãs mais fervorosos não conseguiram assimilar. Estamos falando daquele Dante da era Playstation 2? Loirinho matador e tal? Não. Mas a jogabilidade e o visual deslumbrante levam o jogo facilmente.

DmC - Devil May Cry

Na história, Dante (repaginado) está na cidade fictícia de Limbo (nome apropriado, diga-se de passagem), e ao longo de sua estadia o local parece ganhar uma grande distorção de seu próprio ambiente, adicionando milhares de demônios, bruxas e criaturas enxofrísticas ao pacote. Durante o andar do game, Dante conhece Kat, uma garota simpática que o apresenta a ‘’The Order’’, uma empresa especializada em matar demônios da cidade de Limbo. Enquanto Dante se preocupa em matar os demônios, ele descobre que é filho de um demônio com um anjo. A história é uma bagunça, a primeira vista. Mas durante o game, ela é apresentada de forma fácil e gradativa, sem embaralhar o jogador. Vale dizer também que essa é uma história que se passa em um universo paralelo da série Devil May Cry, e não entra na cronologia original. Seria esse mais um motivo pelo qual os fãs da série se revoltaram? É possível…

Diferente do restante da franquia, o visual de DmC não se apóia nos cenários góticos e sombrios para criar o clima. E é justamente nesse ponto que o game se destaca, pois ao contrário da claustrofobia presente nos cenários fechados de outrora, a Ninja Theory optou por cenários excessivamente abertos, dando a ideia de imensidão que um Limbo (veja aí o porquê do nome…) precisa ter. A direção de arte é espetacular nesse ponto e constrói um cenário completamente distorcido e cheio de elementos artísticos. Você pode escolher um determinado momento do jogo em que você está suspenso por uma pequena plataforma e olhar atentamente: você verá portas retorcidas, pedaços de ferragens flutuantes, ambientes inteiros suspensos e desconexos atrelados a ausência de superfície terrestre. Tudo o que se vê é um imenso abismo que contém, exatamente, nada.  As cores saturadíssimas servem para, ao mesmo tempo, maquiar pequenos problemas de renderização e ressaltar o design belíssimo dos cenários confusos. A primeira vista, os cenários de Limbo parecem ter sido tirados de uma pintura surrealista. E isso é realmente lindo.

DmC - Cenários belíssimos!

Se tratando de um jogo hack’n slash, a jogabilidade é imediatamente contestada. A fórmula e simples: pulos, ataques e paciência. Nesse ponto, DmC é feliz ao aliar essa fórmula básica à criatividade de cada jogador. Com as novas armas de Dante, o jogador pode, em um único inimigo, reagir de diversas formas. E não se engane, amigo… A graça do jogo está justamente na criação de combos mais brutais possíveis. Você pode começar atirando, pular e descer martelando o demônio com os punhos modificados, girar a foice angelical (no jogo chamada de Osíris) repetidas vezes e voltar a atirar para terminar de vez a luta. A combinação fica a seu critério, e ganha mais pontos quem for mais inventivo e brutal ao mandar os demônios de volta ao inferno. Ao mesmo tempo, o jogador tem a opção de melhorar as armas comprando partes de combos durante a jogatina, e assim, a infinidade de combinações acaba instigando a criatividade.

A dificuldade do game também me agradou bastante. Enquanto a renovação da franquia é nitidamente vista na caracterização do personagem e nos diálogos toscos entre Dante e os demônios, os níveis de dificuldade mostram como é complicado ser um matador de criaturas infernais. Obviamente, a desenvolvedora pensou na nova galerinha que pretende jogar DmC e colocou o nível ‘’Humano’’ para facilitar. Mas se você faz parte da turma que só consegue se divertir se for intelectual e fisicamente desafiado, recomendo fortemente o nível ‘’Hell and Hell’’. Sim, é um verdadeiro inferno.

DmC - Lutas louconas de dorgas...

Sinceramente, não vejo motivos para tanto mimimi. O jogo é um exímio hack’n slash e garante horas e horas de diversão brutal e dedos machucados. Com uma direção de arte de saltar os olhos atrelada a história descompromissada, e muitas vezes, engraçada, DmC não pode ser descartado da sua lista de compras por conta da mudança visual do personagem principal. Parece, enfim, que aqueles que criticaram, infelizmente não jogaram.

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