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Assassin’s Creed III – Review

t  quarta-feira, 12 de dezembro, 2012 - às 19:33 hrs.

Em Assassin’s Creed III viajamos até os Estados Unidos e Desmond vai reviver as memórias de Ratonhnhaké:ton, mas você pode chamar o rapaz de Connor


U  Eder Augusto de Barros

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A Ubisoft enfim vem terminar a jornada de Desmond Miles, aquele pacato barman que nos presenteou com as sensacionais memórias de seus ancestrais da Ordem dos Assassinos.

Em Assassin’s Creed III viajamos até os Estados Unidos e Desmond vai reviver as memórias de Ratonhnhaké:ton (sim, ele tem um nome espetacular), mas você pode chamar o rapaz de Connor, mais elegante eu diria. Estamos no século XVIII e Connor terá participação no mais importante acontecimento dos Estados Unidos, a Revolução Americana.

O jogo se inicia no fim de 2012, após os eventos de Assassin’s Creed: Revelations, onde Desmond descobre uma forma de entrar no Grande Templo da primeira civilização a habitar a Terra, assim podendo descobrir uma maneira de impedir a Catástrofe de Toba, uma grande erupção solar que irá varrer a vida do planeta. Para isso ele faz uso da versão 3.0 do Animus, um dispositivo capaz de criar projeções em três dimensões a partir de sequências de memórias de contidas no DNA, para se ligar ao seu ancestral Connor Kenway.

A Jornada do Herói?

É possível dizer que um Assassino é um herói ou seria ele um anti-herói?

Connor tem muito da famosa Jornada do herói em seu desenvolvimento, mas acredito que suas motivações não sejam de herói. Em Assassin’s Creed III acompanhamos literalmente toda o crescimento de Connor como personagem, como homem e como Assassino da Ordem.

É verdade que ele não tem o carisma de Ezio Auditore ou a malandragem de Altäir.  Eu diria até que ele é o oposto dos dois. É arrogante e inocente (para não dizer burro), uma mistura que não cativa nem um pouco. Pode ser pelo apego que ainda temos à Ezio, afinal, passamos 3 jogos ao lado o italiano para agora a Ubisoft nos enfiar um americano goela abaixo em apenas um game.

O personagem chega muito tarde ao jogo, nas primeiras horas revivemos as memórias de seu pai, Haytham Kenway. Somos apresentados à Connor ainda criança e desde então começamos a reviver as memórias do índio mohawk.

A ambientação de Nova York e Boston é completamente diferente dos jogos anteriores, arquitetura “nova” da época é uma mudança à qual demora para se acostumar. Ao invés de das vielas estreitas e irregulares da Itália por exemplo, temos largas avenidas, completamente lineares e niveladas. A floresta e as proximidades como Lexington, são uma agradável surpresa para essa nova ambientação, acho que caiu bem legal para o índio mohawk andar pelas árvores de troncos largos.

Apesar de ser um jogo sobre o período mais importante da história americana, o jogo não é “patriota”, aliás, pelo contrário. O jogo mostra que até no momento de maior vitória do povo americano houve intrigas, mentiras, corrupção. E a inocência de Connor muitas vezes é alheia a isso.

Um erro de Assassin’s Creed III, que se repetirá em todos os aspectos, é querer proporcionar uma variedade de funções para tudo e todos, incluindo Connor, que faz um pouco de tudo no jogo. Imagine viver tudo que você viveu com Ezio em apenas um jogo? É o que tentam fazer com Connor. E muitas vezes essas funções são completamente desnecessárias. Você passa cerca de 3 horas de jogo apenas em tutoriais, tutorias sem sentido. O personagem não precisa se alimentar, para que perder tanto tempo ensinando à caçar? Isso é só um exemplo.

Ok, não vou só reclamar, há inovações sensacionais como a Batalha de Navios. A Ubisoft surpreendeu muito nessa novidade, é muito interessante ser o capitão do navio e manobrar em alto-mar durante uma batalha, me senti em um filme dos Piratas do Caribe algumas vezes.

Para que o desespero?

Sabe o que eu senti com Assassin’s Creed III? Senti um grande desespero e uma grande pressa por parte da Ubisoft em querer concluir de uma vez por todas à saga de Desmond Miles. Lançaram o Assassin’s Creed III e o Assassin’s Creed III: Liberation em simultâneo, o jogo retrata toda (ou quase toda) a jornada de Connor como Assassino da Ordem e aparentemente encerra a jornada de Desmond. Só porque o evento à qual todos esperam no jogo é 21 de Dezembro de 2012? Sim, deve ser…

Foram desesperados até ao dar destaque para o Desmond, provavelmente por ser a última vez dele na franquia, a Ubisoft nos deixou brincar mais com o rapaz, mas mesmo assim fica aquela sensação de atraso, só conseguimos ser um Assassino da atualidade no último episódio da “Trilogia Desmond”. Foi rápido, foi sem graça, não foi como queríamos.

A Ubisoft também já preparou o terreno para não acabar a franquia Assassin’s Creed. Ela encerrou a “Trilogia Desmond” (ou não) mas citou Daniel Cross, personagem da história em quadrinhos da franquia, Assassin’s Creed: A Queda, onde ele revive as memórias de um Assassino na Revolução Russa. Quem sabe não damos um pulo à Russia num próximo game?

Mas quais serão os próximos passos da Ubisoft? Ela nos mostra tudo, ou quase tudo, que há para mostrar sobre Connor nesse jogo, de uma maneira que parece exaustiva e desesperada ao mesmo tempo. Uma tentativa frustrada de nos fazer sentir simpatia por outro personagem que não Ezio Auditore, uma vez que Desmond nunca teve a simpatia do público. Bom, pensando pelo lado interessante disso tudo, ao menos ambos os personagens já viveram tudo que havia para viver nessa franquia, é hora de partir para algo novo, personagem novos, novo objetivo e novos métodos. Hora de caprichar, pois agora tudo que vier será surpresa.

Mas então o jogo é ruim?

Assassin’s Creed nunca é ruim. Seria cansativo se eu repetisse todos os elogios que o jogo merece, todos os elogios que nós já conhecemos. Em Assassin’s Creed III a história de Desmond segue e o curso que esperávamos. A de Connor, mesmo com o pouco apelo do personagem, é interessantíssima. Emocionante até. Quase uma novela mexicana.

A jogabilidade foi melhorada com um novo motor gráfico que tornou o jogo famoso pelas ótimas paisagens ainda mais bonito. Lindo. E redondo de se jogar, leve. Inovou na jogabilidade? Sim, até mais do que necessário, inovou desajeitadamente eu diria.

E o combate? Tá legal, tá mais acessível, mais visual com alertas de ataque para quem não joga no “hard”. Outra pergunta que foi feita várias e várias vezes antes do lançamento. E o tomahawk? Confesso que eu tinha o pé atrás com a nova arma de Connor. A hidden blade é o símbolo da franquia, um marco. Mas o tomahawk se sai muito bem, melhor do que eu esperava, é uma arma interessante e poderosa. Faz de Connor uma máquina de matar, muito mais que seus antecessores.

Infelizmente o quinto game da franquia está longe de vir a ser um dos preferidos, e esbarra completamente em sua obrigação de ser lançado anualmente. A franquia não foi feita para isso, não estava preparada para isso, nem recrimino Assassin’s Creed III. Essa sensação pode ser reflexo da sucessão de títulos. Tendo em vista que o título está em produção desde o lançamento de Assassin’s Creed II em 2009, porém nesse meio tempo tivemos Assassin’s Creed: Botherhood e Assassin’s Creed: Revelations em 2010 e 2011 respectivamente o que pode ter saturado um pouco a franquia ofuscando o possível brilho de AC3. Os dois títulos intermediários talvez nos deram esperanças à mais.

Favorito do Video Game Awards? Bom, o jogo foi indicado à quase tudo, portanto, tem potencial de favorito sim. É um ótimo jogo, apesar do fanático aqui apenas apontar os defeitos do título. Mas creio que não é o melhor de 2012. Um dos melhores talvez. Assassin’s Creed é sempre um dos melhores, pelo menos até agora.

Agora vamos ansiosos esperar pela surpresa que a Ubisoft vai nos causar daqui para a frente. Se a franquia termina neste capítulo ou se teremos novos personagens em novas épocas. Tem universo para isso, ameaçou uma ligação com as HQs neste título. Cabe mais, precisamos de mais.


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