Análise Trillion: God of Destruction

Todo o potencial que tem Trillion: God of Destruction é um jogo com muito potencial acaba sofrendo com uma execução lastimável

Thiago Alencar

  sábado, 07 de maio de 2016

O que é necessário para derrotar uma força tão poderosa que é conhecida como “Deus da Destruição”? É isso que o jogador tenta descobrir ao longo de Trillion: God of Destruction, novo jogo da Compile Heart publicado pela Idea Factory International paraPlaystation Vita.

No papel do 3° Grande Overlord do Inferno, Zeabolos, o jogador deve enfrentar a maior ameaça que o Inferno já teve, uma criatura tão poderosa que apenas o sacrifício do 1° Grande Overlord, Satan, foi capaz de pará-lo da última vez em que ele apareceu. Trillion, como é conhecida essa força imparável, deseja apenas uma coisa: engolir todo o Inferno.

Se alguém deseja destruir um mundo, esse é um dos modos mais efetivos (provavelmente). Também ajuda muito que Trillion tem esse nome por um motivo: Ele tem um trilhão de pontos de energia. Trillion: God of Destruction é um jogo que é bem “number porn”, em que o jogador, nos primeiros minutos de jogo sairá por aí dando hits de 2 milhões e considerando isso pouco. É como pegar uma das características que marcam o exagero de franquias comoDisgaea e elevá-la a décima potência.

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A comparação com Disgaea é uma que acompanhou muito a experiência de jogar Trillion: God of Destruction. Feito por uma equipe composta de antigos funcionários da Nippon Ichi Software que trabalhou na série Disgaea, muito de T:GoD lembra a mais famosa série da NIS, desde o design dos personagens (Zeabolos poderia muito bem ser uma versão mais adulta de um dos protagonistas de Disgaea) ao estilo gráfico, trilha sonora e o ar cômico e leve que o jogo tem, as semelhanças saltam aos olhos de qualquer jogador e funcionam em prol de Trillion, já que essas semelhanças são algumas das características mais cativantes de Disgaea.

O jogo lhe coloca num ciclo de dias e semanas treinando uma das sete lords do inferno, preparando-a para a gigantesca tarefa de enfrentar Trillion, seja através de dungeons, maximizando características, controlando os indices de felicidade e fadiga até que Trillion acorde e o desafio comece. Esses longos períodos de treinamento servem para que se desenvolva um certo apego com as personagens, já que a caracterização delas é surpreendentemente bem feita. Não há muito controle sobre o treinamento, mas os diálogos compensam o longo período que se passa nessa fase do jogo.

Essas características ressoam bastante com os jogadores que já tem uma certa história com a tão mencionada série da NISA (e que é uma das séries preferidas deste que vos escreve) e ajudam a preparar para alguns dos momentos mais interessantes do jogo. Mesmo que mantenha uma ambientação mais leve ao longo de quase todo o seu desenrolar, nos momentos em que o jogo toma um tom mais sério, ele o faz com maestria dentro do que o jogo se propõe (mas não espere nada muito notório).

Infelizmente, nos momentos em que se afasta das semelhanças com Disgaea, Trillion peca e peca de maneira que nem o mais benevolente Overlord perdoaria. Por ter seu combate mais próximo ao de jogos comoThe Awakened Fate Ultimatum, com o jogador se movimentando por um campo de batalha dividido em grid ao mesmo tempo em que o inimigo, numa mistura entre combate por turnos e RPG de ação. Isso acaba não funcionando muito bem, já que pela força extrema do Trillion, cada batalha pode acabar sendo decidido por um movimento mal interpretado pelo jogo (o que acontece) ou por uma câmera bem quebrada (o que acontece muito).

O combate é muito mal executado. Não importa o quão bem treinada a Lord esteja ou quanto o jogador se prepare, algumas das decisões de comandos (o controle da câmera, em específico, é muito mais complicado do que qualquer jogo deveria ter em 2016) podem jogar todo o treinamento por água abaixo e resultar em muita frustração. Felizmente, a cada Lord derrotada ela pode decidir entre selar um dos membros do Trillion, ganhar mais tempo para a próxima ou passar alguns dos seus stats para ela. A boa execução desse conceito, inclusive, é dos pontos altos do jogo e ajuda na ambientação, fazendo com que os sacrifícios não pareçam meras mecânicas vazias.

Trillion é uma boa história, mas que peca muito como jogo. Os controles são bem travados e a história, se é divertida, as vezes é bem confusa e se arrasta mais do que necessário. Acaba sendo um jogo com ótimas ideias e execução medíocre, o que acaba gerando um produto que, no fim, é muito cheio de altos e baixos e deixa a sensação de que algo melhor vem por aí do estúdio, mesmo que ainda não esteja lá.

Todo o potencial que tem Trillion: God of Destruction é um jogo com muito potencial acaba sofrendo com uma execução lastimável, o que acaba evitando que ele seja um jogo tão recomendável assim para alguém além de fãs de RPGs que já estejam sem outras opções no Vita.


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