Análise – Dishonored

Leandro de Barros

  quarta-feira, 21 de novembro de 2012

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Análise – Dishonored

Nós jogamos e analisamos Dishonored, um dos indicados à Jogo do Ano no Video Game Awards 2012

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Desenvolvido pela Arkane Studios, estúdio dos relativamente desconhecidos Arx Fatalis e Dark Messiah of Might and Magic, e distribuído pela Bethesda, desenvolvedora de The Elder Scrolls V: Skyrim, game do ano de 2011, Dishonored chega às lojas  com a missão de corresponder às expectativas daqueles que acompanharam as novidades do título durante o ano e com a vantagem de poder surpreender aqueles que nunca ouviram falar do game.

Com uma trama de vingança em um cenário distópico e pseudo-steampunk, uma jogabilidade que mistura Bioshock, Deus Ex e Assassin’s Creed  e um visual conceitual de cair o queixo, Dishonored tem sido recebido como uma espécie de clássico moderno. Nós testamos o game à exaustão e estamos prontos para dar o nosso veredicto. Prepare a sua máscara, sua espada e me siga!

Deshonrado ou não, a escolha é sua!

Em Dishonored, o jogador entra na pele de Corvo, o guarda-costas da Imperatriz  Jessamine, governante de Gristol, uma ilha. O game começa quando Corvo retorna à Dunwall, capital de Gristol, após viajar por outras ilhas e cidades próximas, pedindo por ajuda por causa da praga que infesta Dunwall. Infelizmente, Corvo não consegue nenhuma ajuda e as outras cidades anunciam que vão isolar Dunwall para evitar que a praga se alastre.

Quando chega à Dunwall, Corvo vai logo se encontrar com a Imperatriz para dar as más notícias. Porém, no meio do encontro com a governante, eles são atacados por um grupo de assassinos, que mata Jessamine e sequestra a sua jovem filha, Emily. Corvo acaba sendo considerado o culpado do crime e vai preso. A partir desse ponto, um novo governo se instala em Dunwall, um governo menos tolerante, mais controlador e mais ditatorial. Meses depois, prestes a ser executado por um crime que não cometeu, Corvo recebe a ajuda de um grupo rebelde e consegue fugir da prisão. Agora, sua missão é obter vingança contra os verdadeiros assassinos da Imperatriz, resgatar a jovem Emily e restaurar o poder em Dunwall.

Um dos pontos chaves de Dishonored é a possibilidade de fazer tudo da maneira como você quiser. Não poderia ser diferente, com Harvey Smith, desenvolvedor de Deus Ex, liderando o projeto.

Em Dishonored, você pode fazer as coisas como quiser. Mas quando eu digo isso, eu REALMENTE digo isso. Existem alguns games onde você tem essa “liberdade” de agir como quiser, mas o próprio game acaba recompensando mais quem age de certa forma ou acaba propondo desafios mais propícios para um determinadas decisões. Dishonored tira essa pressão pra seguir por algum lado, permitindo ao jogador realmente tomar as suas decisões na trama do game.

Basicamente, você passa a integrar um grupo rebelde e precisa eliminar certas pessoas para que possa chegar até Emily, limpar seu nome e colocar a menina no trono que lhe é de direito. A partir daí, quem decide o seu destino é você. Se você quiser matar todos os seus inimigos cruelmente, sua decisão. Se você quer poupar todos eles, sua decisão. Sua decisão terá consequências, algumas positivas e outras negativas, mas em nenhum momento o jogador se sente forçado a ir ou não por algum lado. E seja qual opção escolher, ela realmente influencia no restante do game.

Apesar dessa liberdade ser o grande trunfo do game (sendo depois reproduzida na jogabilidade do título), não é só ela que chama a atenção quando falamos da trama de Dishonored.

A progressão do game é dividida em 6 missões, que podem durar um tempo bem curtinho caso você seja “direto” ou podem durar horas, se você gosta de explorar e desvendar todos os segredos . E por falar em explorar, eu recomendo essa aventura. Primeiro porque você expande as horas jogando Dishonored quando decide procurar por segredos nas fases. Segundo porque é uma experiência recompensadora.

A trama de Dishonored é basicamente uma trama de vingança em um ambiente distópico político, com uma carga moderada de crítica social. Não é exatamente uma história que vai ficar marcada por ser lendária, mas  cumpre com muita folga seu papel no game. Um dos motivos disso está no seu ótimo elenco de personagens (dublado por uma equipe estrelar), mas isso tudo é entregue ao jogador conforme ele avança nas missões do game. A cereja do bolo está na parte que não é “obrigatória”, a parte que você descobre ao vasculhar essa cidade decadente.

Como o ambiente de Dishonored é urbano, nós acabamos passando por vários apartamentos vazios, casas fechadas e afins. Lá, conhecemos algumas histórias bem tristes dos habitantes de Dunwall, sabemos mais sobre as tecnologias desse mundo criado para nos abrigar, descobrimos muito mais sobre a figura mística do Outsider (já explico) e muito, muito mais informações sobre Dunwall e as outras cidades de Gristol. Procurar por essas informações (algumas delas são fornecidas ao ouvir conversas de guardas) é algo bem interessante em Dishonored, porque somos recompensados sempre com detalhes preciosos, principalmente no que se refere à tal praga que é o flagelo de Dunwall.

Basicamente, a praga acaba transformando as pessoas numa espécie de zumbi. Não é um zumbi tradicional romerístico, mas é um ser sem muita noção das coisas e que ataca à primeira vista. Muita gente morre com isso, ratos invadem a cidade (não há um único lugar que não tenha uma dessas criaturas nojentas à vista), existem cadáveres pela cidade e o aspecto é depressivo e sufocante.

O assassino que pode vencer sem matar

Uma das promessas dos desenvolvedores do game era que você poderia cumprir todas as missões de Dishonored sem matar um único guarda ou vilão, caso desejasse. Na primeira vez que zerei o game, eu segui um caminho oposto, praticamente matando cada guarda que aparecesse, o que me rendeu um final caótico. Porém, a gente percebe que dá sim para passar por todas as fases sem um único assassinato. De novo, essa é a marca de Dishonored: você pode seguir qualquer caminho e não é pressionado por ir para nenhum lado específico.

Se você é do tipo atrevido ou gosta da ação, você pode simplesmente ir para cima de todos os guardas e derrota-los. Se o seu negócio é stealth, você encontrará momentos incríveis em Dishonored. Porém, seja qual for seu caminho, há um ponto que você precisará pensar bem: quais poderes utilizar.

No game, nós controlamos Corvo, o guarda-costas da Imperatriz que foi acusado de matar a governante. A virada de roteiro acontece quando Corvo é “escolhido” pelo Outsider, um ser sobrenatural de Dishonored, uma espécie de divindade sem ser divindade. O Outsider provê poderes para Corvo (e alguns outros personagens do game), que podem ser comprados com runas achadas pelas fases. Aliás, caçar essas runas é uma das diversões entre uma matança e outra.

Ao todo, Corvo possui 6 poderes: o Blink, um teletransporte de curta distância; o Windblast, uma rajada violenta de vento; o Bend Time, manipulação do tempo – você pode abrandar ou até mesmo parar completamente o tempo por alguns momentos; o Possession, onde o jogador pode possuir o corpo de um animal ou um humano; Dark Vision, que permite ver inimigos e seus campos de visão pelo mapa; e, por fim, o Devouring Swarm, que invoca alguns ratos que literalmente comem suas vítimas.

Decidido a matar seus rivais ou nãos, esses seis poderes são de extrema importância. E a liberdade de como usá-los é algo incrível. Um exemplo: assim que eu obtive o Bend Time e o Possession, eu testei uma das coisas mais legais de Dishonored. Eu fui lutar contra um guarda, esperei ele sacar uma pistola e atirar em mim, aí parei o tempo. Possui o corpo dele e o posicionei de frente para a bala que ele mesmo tinha disparado e então voltei tudo ao normal a tempo de vê-lo sendo atingido pela bala que ele mesmo tinha atirado. E isso é uma possibilidade de utilização desses poderes. Todos eles são muito úteis e se tornam peça-vital da sua estratégia  de jogo. O Blink é o mais usado, o Dark Vision é muito útil para infiltrações. O Windblast é uma arma de destruição em massa em partes mais fechadas do cenário (jogar seus inimigos contra a parede é mortal) e o Devouring Swarm é muito útil em combates contra muitos inimigos. O Possession é um dos mais legais e o Bend Time é extremamente apelão e dá uma sensação de poder bizonha.

E, se você quiser, ainda pode jogar sem nenhum deles, confiando apenas na sua espada, na sua pistola e na sua besta, capaz de disparar dardos incendiários, dardos com soníferos e dardos perfurantes. Como eu direi pela milésima vez, a liberdade de escolha é sua.

Dishonored é um clássico recente?

Eu acho que é complicado classificar Dishonored como um clássico recente. Sem dúvidas, o game possui qualidade para isso. Sua trama é bem interessante e o mundo criado para o jogo é incrível. Sua jogabilidade é afiadíssima e, sem dúvidas, o ponto alto de todo esse projeto. Sua ambientação é FENOMENAL, seu conceito artístico é incrível. A parte gráfica vacila um pouco (os gráficos ficam abaixo do que a atual geração já produziu), mas nada que desanime ou que afaste potenciais jogadores. Porém, isso é o suficiente para chamá-lo de “um novo clássico”?

Um dos problemas de Dishonored deve ser justamente uma das coisas que o faz tão interessante: o game se trata de uma franquia nova, algo inovador e inédito.

Numa indústria dominada por FPS genéricos e franquias que reaproveitam gráficos e engine para lançar jogos iguais ano sim e ano também, Dishonored é uma lufada bem-vinda de ar fresco. Mas é também um título nebuloso e dúbio, que pode afastar jogadores receosos em gastar seus preciosos R$199 reais em algo que não conhecem bem.

Eu recomendo MUITO Dishonored. Há tempos que eu não me divertia tanto com um jogo e há tempos que eu não jogava um mesmo título tantas vezes. Pra ser sincero, desde Skyrim (veja só, também da Bethesda), embora não haja comparação entre os dois games em praticamente nenhum sentido.

Divertido, nojento, interessante, sensacional… faltam adjectivos pra explicar Dishonored. Pra concluir com um, escolho impecável. O Arkane Studios entregou uma fantástica surpresa para os gamers de todo o mundo. Se tiver a oportunidade, não hesite em mergulhar de cabeça em Dunwall e aplicar a sua vingança divina contra seus inimigos.

Gameplay Comentado

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